POLÍTICA PÚBLICA

Escravo, nem pensar! formará educadores de 68 municípios do Pará

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Em parceria com o governo do Estado, o programa irá formar educadores de 630 escolas da rede pública, com o objetivo de prevenir o trabalho escravo na região.

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A secretária de Educação do Estado, Ana Claudia Hage, assina o termo de parceira com a ONG Repórter Brasil | Sejudh/Divulgação

 

No último dia 16, o programa Escravo, nem pensar!, coordenado pela ONG Repórter Brasil, firmou parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) do Pará para formar educadores da rede pública estadual. O objetivo é prevenir o trabalho escravo contemporâneo neste que é o estado líder no ranking de libertados – nos últimos 15 anos, mais de 12 mil trabalhadores foram resgatados em situação análoga à escravidão, o que representa 25% do total do país.

O projeto funciona em cascata. Primeiramente, a equipe de educadores do Escravo, nem pensar! forma os agentes multiplicadores (gestores), que posteriormente capacitam os professores e monitores. Estes, por sua vez, abordam o tema com os alunos. “O trabalho escravo contemporâneo será abordado em sala de aula como um tema transversal, que permeará todas as disciplinas da grade curricular de ensino. Mais do que formar o aluno, nós queremos formar o cidadão”, afirmou a secretária de Estado de Educação, Ana Claudia Hage. A meta é beneficiar aproximadamente 366 mil alunos de 630 escolas de 68 municípios.

Mas não acaba por aí. A ideia é que os próprios alunos repassem o conhecimento adiante, para a sua família e comunidade. Nádia Ernesto, uma das gestoras que irá participar da formação, acredita que o projeto tem potencial para transformar a realidade da região. “Essa iniciativa será apenas o pontapé inicial para uma mobilização ainda maior, que vai contar com a escola e com a comunidade”, afirmou. A opinião é compartilhada pela coordenadora de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo da Sejudh, Leila Silva. “Pra gente, enquanto política pública, é muito importante essa ampliação das discussões sobre trabalho escravo. Esperamos alcançar crianças, adolescentes e jovens para que, a partir deles, a gente possa conscientizar a sociedade sobre o tema”, afirma.

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Natália Suzuki, coordenadora do ENP!, explica o projeto | Sejudh/Divulgação

A parceria com o governo do Pará marca um ponto inédito nas ações de prevenção do Escravo, nem pensar! no Estado e serve de exemplo para que outros estados pensem em políticas públicas de combate ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas. “Essa ação de prevenção no sistema de educação público do Pará é relevante para se criar uma rede de mobilização contra o trabalho escravo em comunidades vulneráveis acometidas pelo aliciamento e pela exploração. Com esse compromisso, o Estado assumiu uma posição de vanguarda no combate ao trabalho escravo contemporâneo, por meio da prevenção. Esperamos que essa iniciativa se some a outras medidas de combate ao problema”, ressalta Natália Suzuki, coordenadora do projeto.

A ação contou com o apoio da Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo do Pará (Coetrae-PA), do Grupo de Articulação para Erradicação do Trabalho Escravo no Pará (Gaete-PA), da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), da Secretaria Extraordinária de Integração e Políticas Sociais (Seeips), da Justiça do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho e da LATAM Airlines.

Escravo, nem pensar! no Pará

As ações do Escravo, nem pensar! no Pará começaram em 2006, no município de Breu Branco. Desde então, o programa realizou formações e acompanhamentos pedagógicos com professores da rede municipal. Em 2014, foi feita uma parceria regional para formar, pela primeira vez, gestores de Secretarias Municipais de Educação (SMEs). Até o fim de 2015, o projeto beneficiou mais de 33 mil alunos e 1,3 mil educadores em 11 município do sul e sudeste paraense. O acordo firmado agora com o governo do Estado vem fortalecer as ações de prevenção e combate ao trabalho escravo na região.

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EDITAL

Fundo da ONU recebe inscrições de projetos de combate ao trabalho escravo até 1º de março

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Organizações não governamentais podem receber até 20 mil dólares para executar projetos que atendam as vítimas da escravidão contemporânea, ao longo de 2017.

O Fundo Voluntário das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão está com as inscrições abertas para receber projetos que serão desenvolvidos entre janeiro e dezembro de 2017 até o dia 1º de março. Podem participar organizações que atendem diretamente vítimas da escravidão contemporânea e seus familiares, por meio de assistência médica, psicológica, humanitária, financeira, jurídica ou educacional, incluindo capacitação e formação profissional. Ações para a geração de renda também são aceitas. Organizações governamentais e partidos políticos não podem se inscrever.

As inscrições podem ser feitas em inglês, francês ou espanhol por esta plataforma digital. Traduções feitas por tradutores online, como o Google Tradutor, são aceitas. As organizações que não possuem acesso à internet devem entrar em contato com o fundo, para pedir as devidas instruções. (Antes de realizar a inscrição, leia as instruções aqui).

Os projetos serão avaliados e selecionados até o final de 2016, e devem ser executados entre janeiro e dezembro do ano seguinte. As organizações contempladas receberão o recurso (que pode chegar a 20 mil dólares) nos primeiros meses de 2017, e deverão prestar contas dos gastos.

O Fundo pode conceder novos apoios anualmente até o limite de cinco renovações. As entidades que se inscrevem pela primeira vez devem comprovar experiência de ao menos dois anos com assistência direta às vítimas de escravidão contemporânea.
Nesta edição, será dada prioridade aos projetos que implementem ações que possam ser estendidas por vários anos, projetos que deem assistência especializada a vítimas de trabalho forçado e outras forma de escravidão, a crianças vítimas de casamento precoce, e/ou a mulheres e crianças, e projetos que operem em situações de conflito e crise humanitária.

Entre as organizações brasileiras apoiadas pelo fundo, está o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran, em Açailândia (MA), que apoia vítimas do trabalho escravo e fornece suporte para sua reintegração na sociedade.
Sobre o Fundo
O Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão existe há 25 anos e tem como objetivo fornecer ajuda humanitária, jurídica e financeira às vítimas da escravidão contemporânea, por meio de bolsas destinadas a organizações da sociedade civil. Desde 1991, mais de 400 organizações em 95 países foram apoiadas. Vinculado ao Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, depende de contribuições voluntárias e conta com um conselho de cinco especialistas, do qual faz parte o jornalista e cientista político brasileiro Leonardo Sakamoto.

Inscrições

De 15 de janeiro a 1º de março de 2016
Em inglês, francês ou espanhol – traduções automáticas online são aceitas
Pela plataforma: https://unvfcfs-grants.ohchr.org/
Suporte técnico da plataforma: [email protected]
Edital: http://www.ohchr.org/EN/Issues/Slavery/UNVTFCFS/Pages/Apply.aspx

Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos
Fone: (41) 22 917 9376
Fax (41) 22 917 9017
[email protected]
Palais Wilson | 52, Rue des Pâquis | Geneva 1201 Switzerland

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PROJETOS COMUNITÁRIOS

Projeto de alunos sobre trabalho escravo e tráfico de pessoas em Minas Gerais transcende os muros da escola

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Iniciativa foi apoiada pelo programa Escravo, nem pensar! e mobilizou mais de 450 alunos.

Quando a Escola Estadual Imperatriz Pimenta iniciou o projeto “Um novo olhar: Escravo, nem pensar”, em abril de 2015, a sua equipe pedagógica não tinha ideia de sua grandeza. Localizado na periferia de Ibirité (MG), município da região metropolitana de Belo Horizonte, o colégio atende 465 alunos do Ensino Médio e nem sempre teve a boa fama de hoje.

Segundo Denise Vitoriana, professora de Língua Portuguesa que coordena o projeto, muitos alunos do colégio já sofreram preconceito por serem de comunidades carentes, o que impactava negativamente em sua autoestima. Mas, nos últimos anos, os resultados colhidos por conta das melhorias na qualidade de ensino têm prevalecido. No último ano, a escola foi premiada pela Secretaria Regional de Educação de Minas Geras (Metropolitana B) devido à revitalização de seus muros. E o projeto realizado ao longo de 2015, com o apoio do programa Escravo, nem pensar!, só veio agregar.

“Um novo olhar: Escravo, nem pensar” foi um dos 15 selecionados pelo 9º Fundo de Apoio a Projetos do programa Escravo, nem pensar! para abordar os temas do trabalho escravo contemporâneo e do tráfico de pessoas. A escola recebeu materiais didáticos produzidos pelo programa, apoio financeiro de R$ 1.500,00 e assessoria pedagógica durante todo o desenvolvimento do projeto.

O objetivo da iniciativa foi proporcionar uma leitura crítica da realidade a partir de teatro, música e fotografia. Inicialmente, essas ações foram planejadas para serem desenvolvidas somente no âmbito escolar. No entanto, o projeto cresceu e, graças à dedicação dos alunos, tomou diferentes espaços da cidade e de seu entorno, como, por exemplo, a Fundação Helena Antipoff, que cedeu seu espaço para a realização da culminância.

As ações do projeto

Os temas foram trabalhados em todas as turmas do Ensino Médio, tendo como subsídio os materiais do Escravo, nem pensar! e estudos de casos reais de trabalho escravo e tráfico de pessoas. A partir deles, foram desenvolvidas peças teatrais (1º ano), paródias (2º ano) e fotografias (3º ano). O grande destaque foi a exposição de fotos, que após ser exibida por entidades parceiras do projeto, continua sendo requisitada por outros espaços, como a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC).

De acordo com a professora Denise, os alunos do 3º ano do Ensino Médio se destacaram. Eles decidiram que não apenas seriam os fotógrafos, como também os personagens a serem fotografados. Isso gerou uma competição saudável entre eles, cujo resultado foi um enorme montante de fotos, cheias de criatividade.

Ao se dar conta do crescimento do projeto e de sua importância para a comunidade, a escola buscou parcerias com outras instituições locais. A principal foi com a Fundação Helena Antipoff (FHA), que conta com escola, oficinas e projetos socioeducativos. Ela cedeu o seu auditório para o evento de culminância do projeto e doou os totens de madeira onde foram expostas as fotos dos alunos. “O que foi para ela [escola] o término, para os nossos alunos foi o início”, ressaltou Maria do Carmo Lara Perpétuo, presidente da fundação, que pretende desenvolver atividades sobre os temas com seus alunos no ano que vem.

A exposição foi exibida primeiramente no no shopping center próximo à escola, o Viashopping, onde foi bastante aclamada pelo público. Em seguida, foi encaminhada à Fundação e, posteriormente, para a escola, onde ganhou uma sala especial. Mas devido a seu sucesso, continua sendo requisitada para estrear em outros espaços,como a Universidade Estadual de Minas Gerais e a Pontifícia Universidade Católica de Mineras Gerais.

“O projeto não é mais nosso, é da sociedade”, disse o diretor. “A gente não sabe medir as consequências. De repente aquela fotografia alertou uma pessoa para uma situação que ela iria passar (…) Isso não dá pra medir e isso é bonito na educação”, completou, emocionado.

ABELA

O projeto sob os olhos da professora

Denise leciona há 29 anos, sendo 23 deles dedicados à Escola Estadual Imperatriz Pimenta. Sempre sorridente, é querida entre os alunos e foi a principal mobilizadora do projeto. “Enquanto professora e educadora, eu considero este tema essencial. Deveria ser trabalho em todas as escolas. Deveria estar, inclusive, na grande curricular”, enfatizou.

Mas ela alega que o começo não foi fácil. Quando iniciou as abordagens, os temas causaram estranheza. “Professora, mas isso [tráfico de pessoas] não existe”, comentou um aluno. Essa opinião era compartilhada por alguns amigos, mas a classe estava dividida. Essa divisão, no entanto, gerou curiosidade nos alunos, que começaram a investigar o tema. “Eles chegaram ao ponto de descobrir que na comunidade tinha um caso de tráfico de pessoa”, recorda a professora.

Como em todo projeto, problemas aconteceram: alguns professores precisaram se desvincular do projeto e houve remanejamento de recursos.  Mas a direção e os professores da escola e a equipe pedagógica e do Escravo, nem pensar! ajudaram a contornar. “Quando a gente vê o final do projeto, a gente vê que é de uma grandeza, mas o trabalho é intenso (…). Hoje a exposição é um sucesso. Isso para nós é motivo de alegria. E a gente se sente feliz de ter conseguido chegar até o final”, disse, com um sorriso tímido.

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PREVENÇÃO

Programa Escravo, nem pensar! beneficia mais de 30 mil alunos no Pará com projeto de combate ao trabalho escravo

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Entre 2014 e 2015, 11 secretarias municipais da educação do sul e sudeste do estado criaram rede de prevenção ao trabalho escravo a partir de atividades de formação.

O Pará é líder do ranking de estados brasileiros com incidência de trabalho escravo. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, de 1995 a 2013 foram libertados 12 mil trabalhadores no estado, mais de 25% do total de resgatados em todo o país. Diante dessa situação, o programa Escravo, nem pensar!  desenvolveu, entre 2014 e 2015,  um projeto de formação continuada para gestores de Secretarias Municipais de Educação (SMEs) de 11 municípios do sul e sudeste paraense para abordar o tema do trabalho escravo nas escolas.

O objetivo da ação é prevenir o problema por meio da disseminação da informação em áreas de maior vulnerabilidade socioeconômica. Nesse contexto, o papel das escolas é fundamental, já que elas possuem capacidade de multiplicar o conhecimento sobre a prática do trabalho escravo, alertando os alunos – para que não sejam futuramente aliciados e explorados –, e também seus familiares que já são trabalhadores.

Com a realização do projeto, 1,3 mil educadores inseriram o tema do combate ao trabalho escravo em 181 escolas, envolvendo 33 mil alunos de todos os segmentos escolares: Ensino Infantil, Fundamental I e II, Médio e Educação para Jovens e Adultos (EJA). Foram produzidos textos, poesias, paródias, desenhos, dramatizações, maquetes, pintura de muros, seminários, debates e mesas-redondas, mobilizando a comunidade escolar, pais, entidades da sociedade civil e agentes de outras instituições públicas.

Além de expandir a rede de proteção e prevenção ao aliciamento e ao trabalho escravo em uma das regiões mais impactadas por essas práticas criminosas, a ação serve como referência para novos projetos direcionados a gestores públicos da Educação.

RESULTADOS*

11 MUNICÍPIOS

181 ESCOLAS

1.386 EDUCADORES

33.851 ALUNOS

*Os 11 municípios que participaram do projeto foram Canaã dos Carajás, Curionópolis, Itupiranga, Jacundá, Marabá, Nova Ipixuna, Palestina do Pará, Parauapebas, Piçarra, São Geraldo do Araguaia e Tucumã.

Para ver os resultados de cada município, acesse este mapa.

Sobre a formação continuada

Esse projeto teve início em 2012, quando se realizou uma pesquisa de para a coleta de dados relacionados às estruturas e demandas das secretarias municipais. Com base nessas informações, durante o ano seguinte (2013), o programa Escravo, nem pensar elaborou uma metodologia pedagógica de formação que contemplasse a realidade dos municípios. Assim, o processo formativo se iniciou efetivamente em 2014, com a realização do primeiro encontro presencial, que teve como público os gestores municipais da educação. A partir de então, iniciou-se o processo de multiplicação sobre o tema do trabalho escravo em cada município que aderiu ao projeto. Daquele momento em diante, houve mais três encontros presenciais com esse mesmo público, cujo objetivo era realizar o acompanhamento pedagógico das ações que estavam sendo desenvolvidas, a atualização de temas correlatos ao trabalho escravo e a distribuição de materiais didáticos produzidos pelo programa. Essa pulverização de ações de prevenção foi contínua e ininterrupta ao longo de 16 meses.

Veja a seguir notícias relacionadas ao projeto:

Escravo, nem pensar! é inserido no Plano Municipal de Educação de Jacundá (PA)

Nova Ipixuna (PA) inclui tema do trabalho escravo em seu Plano Municipal de Educação 

Escolas de Tucumã fazem prevenção ao trabalho escravo

O projeto contou com apoio do Grupo de Articulação Interinstitucional de Enfrentamento ao Trabalho Escravo no Sul e Sudeste do Pará (Gaete) e da TAM Linhas Aéreas. Além disso, a ação teve parceria com a Comissão Pastoral da Terra no Pará e a Secretaria Municipal de Educação de Marabá, onde foram sediados os encontros presenciais da formação continuada realizada pelo Escravo, nem pensar!

Confira fotos das produções dos alunos na galeria abaixo:

*Os números de beneficiados foram atualizados em 21 de janeiro de 2016.

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FEIRA CULTURAL

Escolas de Tucumã (PA) fazem prevenção ao trabalho escravo

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A Secretaria Municipal de Tucumã, no sul do Pará, realizou uma feira cultural sobre trabalho escravo contemporâneo, no dia 28 de novembro, como culminância do projeto Escravo, nem pensar!. As produções didáticas elaboradas, neste ano, por 15 escolas foram apresentadas publicamente, mobilizando alunos, professores, funcionários, pais, entidades da sociedade civil e órgãos públicos municipais. Ao todo, cerca de 5 mil alunos participaram das atividades nas escolas, produzindo cartazes, maquetes, textos, desenhos, paródias e dramatizações. 

Essa ação é decorrência direta do projeto de formação continuada de gestores da Educação promovida pelo ENP!. O objetivo é difundir informações sobre a ocorrência desse crime no Pará, estado que lidera o ranking nacional de casos de trabalho escravo. O projeto contou com apoio da Justiça do Trabalho e Ministério Público do Trabalho e parceria com a Comissão Pastoral da Terra.

Confira as fotos:

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PREVENÇÃO

Condições de trabalho nos canaviais é tema de oficina em Sertãozinho (SP)

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A meta é que os professores da rede municipal abordem o assunto nas salas de aula

No dia 15 de outubro, o Escravo, nem pensar! realizou uma oficina em Sertãozinho, no interior de São Paulo. O encontro aconteceu na EMEF Profª Elvira Arruda de Souza e contou com a participação de 38 professores da rede municipal, além de dois coordenadores da Diretoria de Ensino de Sertãozinho.

A oficina abordou temas como migração forçada e escravidão contemporânea, com enfoque especial nas condições de trabalho nos canaviais, já que a economia da região é baseada no setor sucroalcooleiro. “É uma realidade muito próxima da nossa região e do nosso público-alvo”, comentou a professora Juliana Fernandes.

O objetivo é que os professores trabalhem os assuntos em suas respectivas disciplinas. “O conteúdo pode ser muito utilizado na disciplina de Geografia, quando se trata das migrações no Brasil e na questão agrária – inclusive abordando a região de Ribeirão Preto”, declarou a professora Patrícia Klein.

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O convidado Rafael de Araújo Gomes, procurador do trabalho de Araraquara, apresentou exemplos atuais de violações trabalhistas nos canaviais.

Foram distribuídos cinco títulos de materiais didáticos e utilizadas ferramentas interativas do programa, como o hotsite Trabalho na cana e o Livro Digital Escravo, nem pensar!. A ideia é fornecer diferentes referências práticas e teóricas para que os educadores possam trabalhar os temas na sala de aula.

O encontro ainda contou com a presença do procurador do trabalho Rafael de Araújo Gomes, de Araraquara, que trouxe exemplos de violações trabalhistas verificadas nos canaviais do interior paulista, no atual contexto de mecanização das lavouras.

Essa ação contou com o apoio da Brazil Foundation e parceria da Secretaria Municipal de Educação de Sertãozinho.

Participaram do encontro 40 educadores.

Participaram do encontro 38 professores da rede municipal e 2 coordenadores da Diretoria de Ensino.

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NOTA EXPLICATIVA

Sobre atividades do ENP! no estado do Mato Grosso

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O programa educacional Escravo, nem pensar!, da organização não-governamental Repórter Brasil, esclarece que não estabeleceu parceria com o governo do Estado do Mato Grosso para a realização de ações de formação voltadas à prevenção de trabalho escravo para o ano de 2015, como veiculado pela mídia local. Até o momento, temos parcerias com a sociedade civil do Mato Grosso e com o Ministério Público do Trabalho para a execução de projetos para a prevenção à escravidão contemporânea por meio da educação.

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POLÍTICA PÚBLICA

Escravo, nem pensar! realiza a primeira formação de profissionais da educação em nível estadual

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A ação é resultado de parceria firmada entre a ONG Repórter Brasil e a Secretaria de Estado da Educação do Maranhão e tem como objetivo atingir 190 mil alunos durante 2016. O estado é a principal origem dos trabalhadores resgatados em todo o país.

Entre os dias 22 e 25 de setembro, o programa Escravo, nem pensar!, da ONG Repórter Brasil, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação do Maranhão (Seduc-MA), realizou a primeira formação presencial para profissionais da educação da rede estadual do Maranhão, dedicada ao tema do trabalho escravo. Nessa primeira etapa do projeto foram formados 40 formadores, entre técnicos da Seduc, gestores e formadores de sete Unidades Regionais de Educação (UREs) Açailândia, Balsas, Codó, Imperatriz, Santa Inês, São João dos Patos e São Luís que, juntas, compreendem 76 municípios maranhenses.

Os profissionais das UREs serão responsáveis por formar gestores e  professores das escolas de suas áreas de abrangência

Os profissionais das UREs serão responsáveis por formar gestores e professores das escolas de suas áreas de abrangência

No encontro, os participantes puderam aprofundar seus conhecimentos sobre o conceito do trabalho escravo contemporâneo e assuntos correlatos, como a migração e o aliciamento de trabalhadores. Além disso, foram apresentados exemplos de metodologias didático-pedagógicas para tratar do tema na sala de aula e em projetos extracurriculares.

Também foram analisados e distribuídos materiais didáticos produzidos pelo Escravo, nem pensar!, que servirão como subsídio para a abordagem do tema nas escolas, as quais receberão um kit com todos os materiais usados na formação.

Segundo o superintendente de modalidades e diversidades educacionais, Claudinei Rodrigues, esse tipo de formação tem relevância para além do âmbito pedagógico. “É uma importância política levarmos esse tema para a sala de aula e para a sociedade em si. Nós estamos desnudando esse tema com os nossos alunos e professores”, declarou.

A formação contou ainda com a participação de membros do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) de Santa Luzia e Açailândia, e da Comissão Pastoral da Terra de Balsas, que contribuíram com suas experiências de prevenção e combate ao trabalho escravo contemporâneo e trouxeram informações sobre as realidades locais. Duas professoras que realizam projetos acerca dessa temática no município de Codó também puderam socializar suas experiências educativas.

Ao final do encontro, gestores e formadores elaboraram planos de ações para as suas respectivas UREs, que orientarão as atividades de multiplicação do tema, a serem desenvolvidas ainda neste ano. “Além do conhecimento, a gente leva daqui algo concreto (…) a ser trabalhado com os alunos”, contou Doralice Mota, técnica da URE de Imperatriz. Os profissionais que receberam a formação serão responsáveis por difundir o tema nas escolas de sua abrangência e fomentar a sua abordagem na sala de aula e em projetos interdisciplinares em 378 escolas, envolvendo 10 mil professores e 190 mil alunos até o final do próximo ano letivo, em 2016.

“Ao final desse ciclo, nós vamos ter uma rede de divulgação e combate efetivo do trabalho escravo. O próprio governo do estado reconhece isso e vê esse projeto como um projeto de prevenção, de combate e até mesmo de política educativa”, declarou Claudinei.

O projeto também prevê a institucionalização do tema no currículo escolar, o que atende a metas estabelecidas pelo II Plano Nacional e Estadual de Erradicação ao Trabalho Escravo.

Essa ação conta com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Catholic Relief Services (CRS) e do Ministério Público do Trabalho do Maranhão (MPT-MA).

 

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Participaram dessa formação gestores e formadores das sete UREs, além de técnicos da Seduc-MA / Foto: Ascom

 

Contexto

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), 24% dos trabalhadores resgatados em situação análoga à de escravidão no país são maranhenses, o que coloca o estado em primeiro lugar no ranking de naturalidade dos trabalhadores resgatados. Além disso, o Maranhão é o quinto estado com o maior número de pessoas encontradas em situação de escravidão: foram 2.446 trabalhadores resgatados desde 1995, ano em que o Brasil reconheceu a ocorrência dessa prática em seu território.

Na área de abrangência das UREs envolvidas nesse projeto foram localizados 86% dos casos de trabalho escravo no Maranhão, ocorridos entre 2003 e 2014. Além disso, os trabalhadores dessas regiões também são suscetíveis ao aliciamento: 58% dos trabalhadores maranhenses encontrados sob condições de trabalho escravo em todo o Brasil são provenientes dessas localidades.

A coordenadora do programa Escravo, nem pensar!, Natália Suzuki, reiterou a importância de se realizar o projeto nos demais estados: “Esperamos que os demais governos também abracem essa iniciativa porque o trabalho escravo é um problema que não restringe se apenas a determinadas regiões, mas atinge todos os estados brasileiros”.

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FACILITAÇÃO GRÁFICA

“Ocupação na Amazônia” é o quarto vídeo da série ENP! na Tela

| Notícias

O vídeo utiliza facilitação gráfica para discutir a expansão da fronteira agropecuária na área conhecida como Arco do Desmatamento

Nas últimas décadas, a Amazônia perdeu 42 bilhões de árvores, o equivalente a 20% de toda a sua vegetação natural. Isso representa uma média de 3 milhões de árvores cortadas ao dia; mais de 120 mil por hora; mais de 2 mil por minuto; e 34 por segundo! A derrubada da floresta se deve a grandes empreendimentos de mineração, de geração de energia hidrelétrica e, principalmente, de expansão da fronteira agropecuária, na área conhecida como Arco do Desmatamento.

O vídeo Ocupação na Amazônia, que o programa Escravo, nem pensar! lança nesta semana, mostra os principais impactos socioambientais decorrentes da destruição do bioma, como a diminuição do abastecimento de água, a expulsão de povos tradicionais e comunidades locais, e a superexploração da frente de trabalho – incluindo casos de trabalho escravo. Segundo a Comissão pastoral da Terra, desde 2003, mais de 21 mil trabalhadores foram libertados da escravidão, em atividades como limpeza de pastos, abertura de fazendas e produção de carvão vegetal para siderúrgicas.

Este é o quarto vídeo da série ENP! na Tela, que aborda, por meio da facilitação gráfica, os principais temas das formações e materiais didáticos do Escravo, nem pensar!. (Os vídeos anteriores tratavam do ciclo do trabalho escravo, o trabalho infantil e o tráfico de pessoas). Ele foi produzido em parceria com o Ministério Público do Trabalho e está disponível para download neste link.

Mais sobre o tema

Além do vídeo, o Escravo, nem pensar! também está lançando o fascículo Amazônia: trabalho escravo + dinâmicas correlatas, que traz dados sobre casos de escravidão contemporânea na região e as principais atividades econômicas relacionadas a essa violação.

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EVENTOS

Tráfico de pessoas é tema de Audiência Pública da OAB

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O Escravo, nem Pensar! participa do evento apresentando casos relacionados à exploração do trabalho

No dia 2 de setembro, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados (OAB) do Brasil promove a Audiência Pública “Tráfico de pessoas e de Órgãos”, em sua sede em Brasília (DF). O evento contará com a participação de especialistas, organizações e órgãos que atuam na prevenção e combate a este crime, como a Secretaria Nacional de Justiça, o Centro Humanitário de Apoio a Mulher e o Programa de Estado de Direito do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

A audiência é dividida em três etapas: apresentação de denúncias de casos de tráficos de pessoas e de órgãos; enfrentamento dos casos de tráfico de pessoas e de órgãos; e visão crítica dos fatos e das políticas públicas adotadas. A coordenadora do Escravo, nem pensar!, Natalia Suzuki, participa da primeira etapa do evento, apresentando casos de tráfico de pessoas para fins de trabalho. Ainda entre os temas abordados estão: tráfico rural, tráfico de meninas e mulheres, e tráfico de travestis.

Confira toda a programação aqui.

 

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