Acessoria pedagógica

Participantes de dois municípios de Mato Grosso estarão reunidos na próxima semana

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Porto Alegre do Norte e Confresa receberão último encontro de acompanhamento do “Escravo, nem pensar!”

No dia 13 de junho, educadores, educadoras e lideranças de Porto Alegre do Norte, em Mato Grosso, participarão do terceiro encontro de acompanhamento do “Escravo, nem pensar!” no município. O encontro será realizado no antigo SEAD, das 13h às 17h.

E no dia 14 será a vez dos participantes de Confresa, em Mato Grosso, participarem do encontro no Centro de Educação de Jovens e Adultos Creuslhi de Souza Ramos, das 8h às 12h.

Após integrarem uma formação do programa em 2009, os participantes tiveram encontros periódicos com a equipe do “Escravo, nem pensar!” para trocar informações sobre a experiência de abordar o tema do trabalho escravo e outros assuntos relacionados em sala de aula. Também participaram de atividades didáticas, receberam novos materiais didáticos produzidos pelo programa e um balanço de notícias da região sobre o assunto.

Os eventos da próxima semana encerram o ciclo de encontros presenciais do programa, mas os participantes continuam integrando a rede de mobilização e de troca de informações do “Escravo, nem pensar!”.

As formações do programa nos dois municípios ocorreram em 2009 e contaram com apoio da Secretaria de Educação de Estado de Mato Grosso, Secretaria Municipal de Educação, Esporte, Lazer e Cultura de Confresa, Secretaria Municipal de Educação de Canabrava do Norte, Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre do Norte, Paróquia, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Confresa, Associação Terra Viva, Comissão Pastoral da Terra, Secretaria de Educação de Estado de Mato Grosso, União Brasileira de Mulheres, Ministério Público do Trabalho, Organização Internacional do Trabalho, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e TAM Linhas Aéreas.

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Debate

Os impactos da soja em debate

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Atingidos pelas lavouras de grãos de Campos Lindos, no Tocantins, se reuniram para diagnóstico entre os dias 20 e 22 de junho

Casa de seu Francisco recebeu os participantes (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)

Casa de seu Francisco recebeu os participantes
(Crédito: Arquivo Repórter Brasil)

“Meu nome é Francisco, da comunidade São Francisco, minha terra beira o ribeirão São Francisco”. Assim se apresentou o dono da casa que acolheu os participantes do encontro. Sob a sombra de mangueiras, de um lado um morro e o cerrado, de outro compridos buritis sobre o brejo, camponeses e camponesas de cinco comunidades atingidas pela soja em Campos Lindos, no Tocantins, reuniram-se para avaliar como resistiram aos impactos até o momento e fazer um diagnóstico da situação atual. O contraste entre o cenário onde aconteceu o encontro e os imensos campos de soja, sem mangueiras ou buritis, impressiona. Outro contraste também chama atenção: o município é o maior exportador de soja do Estado e, ao mesmo tempo, o mais pobre do Brasil.

Para realizar o diagnóstico, inicialmente cada comunidade elaborou um mapa, apontando: os recursos naturais, seu uso e eventual degradação; a produção agropecuária; se o trabalho da família se dá apenas no lote ou se é necessário trabalhar nas fazendas; os espaços sociais e as residências; a situação da posse da terra. As comunidades participantes foram: Vereda Bonita, Passagem de Areia, Raposa, São Francisco e Sussuarana.

Grupo realizou diagnóstico dos impactos da soja (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)

Grupo realizou diagnóstico dos impactos da soja
(Crédito: Arquivo Repórter Brasil)

No segundo dia, foi o momento de saber se os recursos – naturais, humanos, estruturais, financeiros – das comunidades estão vulneráveis em função de alguns riscos a que estão submetidos, como desmatamento, envenenamento por agrotóxicos, o avanço da soja. De acordo com o grupo, a soja é o fator que oferece mais impactos à região e acaba gerando outros problemas para as comunidades. O mau cheiro do veneno usado nas lavouras e as doenças que ele provoca, a contaminação das águas, a expulsão de famílias, a morte dos animais são alguns dos exemplos citados.

Por fim, o grupo analisou suas forças e fraquezas. A partir delas, em julho será feito um plano de ação com objetivo de ampliar a organização das comunidades, fortalecendo a resistência.  O encontro foi realizado pela Comissão Pastoral da Terra em parceria com a Repórter Brasil. O programa “Escravo, nem pensar!” iniciou sua atuação no município em 2008.

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Acessoria Pedagógica

Participantes de Itupiranga terão novo encontro na próxima semana

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Educadores, educadoras e lideranças receberão novos materiais didáticos sobre o tema

No dia 6 de junho, educadores, educadoras e lideranças de Itupiranga, no Pará, participarão do primeiro encontro de acompanhamento do “Escravo, nem pensar!” no município. O encontro será realizado no auditório da Secretaria Municipal de Educação, das 8h às 12h.

Formação sobre trabalho escravo ocorreu em 2010 Crédito: Gustavo Ohara

Formação sobre trabalho escravo ocorreu em 2010
Crédito: Gustavo Ohara

Após integrarem uma formação do programa, os participantes se reúnem aproximadamente a cada seis meses para trocarem informações sobre a experiência de abordar o tema do trabalho escravo e outros assuntos relacionados em sala de aula. Também participam de atividades, recebem novos materiais didáticos produzidos pelo programa e um balanço de notícias da região sobre o assunto.

A formação do programa ocorreu em 2010 e contou com apoio da 4ª Unidade Regional de Ensino de Marabá, Comissão Pastoral da Terra, Pastorais Sociais, Conselho Tutelar, Secretaria Municipal de Educação, Ministério Público do Trabalho, Organização Internacional do Trabalho, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e TAM Linhas Aéreas.

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Projetos comunitários

Projetos usam blogs para divulgar ações sobre trabalho escravo

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Educadoras criam páginas na internet para expor atividades desenvolvidas por alunos

As experiências de combate ao trabalho escravo promovidas pelas escolas, em parceria com o “Escravo, nem pensar!”, estão cada vez mais sem fronteiras.

Fazendo uso das ferramentas que a internet oferece, algumas escolas têm criado os blogs – páginas pessoais e gratuitas de fácil utilização – para divulgar atividades, expor fotos, vídeos e trabalhos realizados pelos estudantes.

É o caso da Escola Estadual Rui Barbosa, em Alta Floresta, no Mato Grosso (http://ruibarbosaaf.blogspot.com/), que realiza o projeto “Trabalho escravo, jamais!”, e tem o objetivo de alertar alunos e alunas, especialmente de Educação de Jovens e Adultos (EJA), e a comunidade desempregada da cidade sobre os riscos do aliciamento para o trabalho escravo.

No município de Confresa, também no Mato Grosso, a Escola Estadual Antônio Alves Dias está desenvolvendo o projeto “Rádio na escola – comunicação como meio para erradicar o trabalho escravo contemporâneo e degradante”. Os participantes estão produzindo um filme com a história do assentamento onde fica a escola e pretendem divulgar informações sobre trabalho escravo por meio da rádio escolar. As atividades estão registradas no blog do Centro de Formação e Atualização de Professores (Cefapro) de Confresa (http://cefaprocfs.blogspot.com).

Em Paraibano, no Maranhão, cidade com alto índice de saída de trabalhadores para trabalhar em outros Estados, o projeto “Professores na luta contra o trabalho escravo” envolve diferentes escolas e tem como objetivo formar multiplicadores para alertar sobre o trabalho escravo. Para isso, professores e professoras estão preparando uma dramatização a ser encenada nas escolas da cidade. As primeiras atividades estão publicados no endereço: http://meusespiches.blogspot.com

O uso da internet

Além de dar visibilidade aos trabalhos realizados dentro das escolas, os blogs também podem ser usados como uma espécie de “diário virtual” – um registro que se torna permanente (a menos que os organizadores desejem apagá-lo). Com isso, pessoas que já passaram pela escola, ou que acabaram de ingressar, poderão ter contato daqui a alguns anos com os projetos que estão sendo desenvolvidos.

Pela internet, as escolas também podem disponibilizar o rico conteúdo de pesquisa e produção de trabalhos realizados durante o projeto, auxiliando na prevenção e conscientização sobre o trabalho escravo contemporâneo. Dessa forma, as páginas também podem ser usadas como fontes de pesquisa para qualquer usuário da internet, de qualquer lugar do país ou do mundo.

Apesar de menos da metade da população brasileira ter acesso frequente à rede, o número de usuários vem crescendo ano a ano, e cada vez mais alunos e alunas recorrem à internet para realizar pesquisas e trabalhos escolares.

Apoio

Os projetos citados acima são financiados pelo Fundo de apoio a projetos do “Escravo, nem pensar!”. Ao todo, em 2011, 15 projetos estão sendo apoiados. Confira:

  • “Preservando o meio ambiente e colhendo cidadania: Escravo, nem pensar!” – Ibotirama (BA)
  • “Escravidão feminina no mundo contemporâneo” – Piritiba (BA)
  • “Professores na luta contra o trabalho escravo” – Paraibano (MA)
  • “Trabalho escravo, jamais!” – Alta Floresta (MT)
  • “Rádio na escola: Comunicação como meio de erradicar o trabalho escravo contemporâneo e degradante” – Confresa (MT)
  • “Trabalho escravo: informar para libertar” – Marabá (PA)
  • “Ouro preto” – Paragominas (PA)
  • “A liberdade se conquista através da aquisição de conhecimentos” – Xinguara (PA)
  • “Superando as mazelas da exploração capitalista” – Xinguara (PA)
  • “Purguy contra o trabalho escravo” – Xinguara (PA)
  • “Educar para não virar escravo”  – União (PI)
  • “Quebrando as correntes da escravidão” – Avelino Lopes (PI)
  • “As lutas de um povo de uma comunidade quilombola” – Santa Fé do Araguaia (TO)
  • “Estrada para cidadania” – Araguaína (TO)
  • “Não há cidadania sem liberdade” – Araguaína (TO)

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Formação

Grupos na luta pela terra participam de formação

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Representantes de diversos grupos no Tocantins relataram violência por parte de fazendeiros e do Estado

Acampamento Vitória recebeu os participantes Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Acampamento Vitória recebeu os participantes
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Nos dias 1 e 2 de maio, aconteceu o Encontro de Formação de Posseiros e Acampados no acampamento Vitória e no assentamento Santo Antonio, localizados em Palmeirante, no Tocantins. O encontro, promovido pela Comissão Pastoral da Terra com apoio da Repórter Brasil, teve como tema “Agronegócio e violência no campo” e reuniu trabalhadores e trabalhadoras de sete grupos da região acompanhados pela entidade em sua caminhada na luta pela terra.

Os depoimentos dos participantes foram marcantes, mostrando violência e impunidade de um lado, e resistência de outro. O acampamento Bom Jesus, espaço de formação do “Escravo, nem pensar!”, enviou cinco representantes.

 

Grupo do acampamento Bom Jesus narra sua história Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Grupo do acampamento Bom Jesus narra sua história
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Durante o encontro, foram narrados os históricos de cada grupo:

Acampamento Bom Jesus
Despejo, ameaças, pistolagem, queima de roças, ação da polícia em favor do fazendeiro, assassinato de Gabriel Vicente de Souza Filho

Acampamento Vitória
Pistolagem, ameaças, tiros contra o acampamento

Assentamento Guariroba
Queima de barracos, prisões, ameaças

Assentamento Santo Antonio do Bom Sossego
Despejo por pistoleiros, queima de barracos, ameaças, ação da polícia em favor da fazendeira, tiros

Fazenda Boa Esperança
Despejo ilegal com participação da polícia, ameaças por parte da polícia

 

Fazenda Capelinha
Pistolagem, tiros, expulsão

Taboca
Queima de barracos e de roças, quatro tiroteios e expulsões, um trabalhador baleado

Agronegócio e violência

A partir da temática proposta no encontro, os participantes foram divididos em três grupos para que fizessem colagens inspirados pela questão: qual ideia possuem de agronegócio?

Grupo Frutas
O grupo apresentou imagens de frutos para expressar as ideias: plantar para poder colher; imagens da agricultura familiar simbolizando “nosso” trabalho; e colocou o agronegócio como o projeto do Brasil: “quando é em exagero é agronegócio, quando não é, somos nós”.

Grupo Terra
O grupo colocou que o dinheiro fica concentrado nas grandes empresas e nos grandes projetos; em Brasília os políticos só defendem seus interesses; e é um grande “sufocamento”: grandes empresas têm acesso à tecnologia e ao maquinário, e as melhores condições são voltadas ao agronegócio. “Nós ficamos de pequenininhos, o chapéu de palha na cabeça, sem acesso. Quando uma nota chega pra gente, já vem amassada do bolso dos outros”, disseram.

Grupo Água
Para o grupo, política é sinônimo de agronegócio (e usaram imagem do ex-presidente Lula para ilustrar); não se investe no pequeno e na reforma agrária. Trouxeram a imagem de uma carvoaria, para incluir a problemática do trabalho escravo.

Grupo apresenta ideias sobre agronegócio Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Grupo apresenta ideias sobre agronegócio
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Grupo Semente
O grupo apresentou imagem de inseminação artificial para representar o grande produtor rural: só o grande tem direito de criar gado, porque o pobre não pode possuir um pedaço de terra para sustentar a família.

Os trabalhadores e trabalhadoras assistiram na noite anterior ao documentário “Nas Terras do Bem Virá”, em que o padre Ricardo Rezende, que integrava a equipe da CPT no sul do Pará, relata casos em que trabalhadores assassinados nos anos 70 em fazenda foram enterrados como cachorros. “Fica firme, não desanima. O filme mexeu muito comigo, o trabalhador ser enterrado como cachorro. Meu deus, não há justiça”, resumiu uma das integrantes do grupo, fazendo alusão ao filme. “Nós não somos vistos, somos cachorros no meio dos ricos”.

Grande encontro

Foi muito positivo reunir representantes de diferentes grupos que vêm enfrentando a mesma situação de luta pela terra. Os participantes apontaram que, no encontro, foi possível: ver caminhos possíveis; trabalho conjunto; conhecer outras pessoas e outras situações; preparar-se melhor para poder se defender; realizar articulações; ter mais força para lutar; perceber que “não estamos sozinhos na caminhada”; dificuldades coletivas têm que ter soluções coletivas. O grupo ainda agradeceu ao acampamento Vitória e ao assentamento Santo Antonio o espaço ofertado, a acolhida e a solidariedade, com presença importante da mística, da palavra e da poesia no encontro.

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Projetos comunitários

Escola de São Geraldo promove debate sobre hidrelétrica no Araguaia

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O evento, organizado pela Escola Raimundo Ferreira Lima, fez parte da Semana da Terra Padre Josimo

São Geraldo do Araguaia (PA) e outras cidades vizinhas podem ser impactadas pela construção da barragem de Santa Isabel. As consequências de um empreendimento desse tipo para os municípios, o meio ambiente e as comunidades foram discutidas no último dia 3, com a participação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

A Escola Municipal Raimundo Ferreira Lima, que vem desenvolvendo projetos sobre trabalho escravo e direitos humanos, foi responsável por organizar a atividade, que contou com a presença de seus estudantes de 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Também estavam no debate representante da Associação de Pescadores de São Geraldo e moradores da região a ser inundada caso a barragem seja construída.

Escola que organizou o encontro já desenvolve projetos  sobre trabalho escravo. Crédito: Carolina Motoki

Escola que organizou o encontro já desenvolve projetos
sobre trabalho escravo. Crédito: Carolina Motoki

Alunos e alunas mostraram-se bastante interessados elaboraram diversas perguntas aos debatedores. Judite da Rocha, do MAB, salientou os impactos em contraposição aos supostos benefícios apresentados pelas empresas responsáveis pela obra.

Abel Oliveira, representante da Sema e responsável pela Área de Proteção Ambiental de São Geraldo, mostrou como a legislação rege o processo de estudos e licenciamentos para a construção de uma usina.

Pedro Ribeiro, da CPT, trouxe o caso dos atingidos pela construção da usina hidrelétrica de Estreito, no rio Tocantins, que ainda não tiveram todos os seus direitos atendidos. Para isso, exibiu o vídeo Marcha 2010 – Vida – Terra – Água.

O evento fez parte da Semana da Terra Padre Josimo, organizada pela Diocese de Tocantinópolis (TO) em parceria com pastorais e movimentos sociais, em memória ao assassinado de Josimo, em maio de 1986, por sua luta ao lado de posseiros e camponeses no Bico do Papagaio.

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Publicação

Cartilha mostra relação entre trabalho escravo e os produtos do dia-a-dia

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Publicação é direcionada a educadores, educadoras e lideranças comunitárias

Cartilha tem distribuição gratuita.  Crédito:Gustavo Ohara

Cartilha tem distribuição gratuita.
Crédito:Gustavo Ohara

O programa “Escravo, nem pensar!” lança a cartilha “Cadeias produtivas & trabalho escravo: Cana – Carne – Carvão – Soja – Babaçu”. A publicação reúne exemplos de produtos que utilizaram mão de obra escrava em algum momento de sua cadeia produtiva, apontando a trajetória dessas mercadorias desde a origem até chegar ao consumidor final.

A cartilha é distribuída de forma gratuita e pretende contribuir para a reflexão em comunidades e escolas sobre a produção e o consumo de diversos produtos presentes no cotidiano. Por isso, ela traz também duas sugestões de atividades para ajudar a promover o debate sobre esse tema.

A publicação foi produzida em parceria com o núcleo de pesquisas de cadeias produtivas da ONG Repórter Brasil e com o apoio financeiro da organização Catholic Relief Services (CRS).

Clique aqui para baixar o arquivo da cartilha “Cadeias produtivas & trabalho escravo: Cana – Carne – Carvão – Soja – Babaçu”.

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Mais um município se engaja na luta contra o trabalho escravo

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Participantes desenvolveram plano para tratar do tema nas escolas e levantar o debate na região 

Entre os dias 4 e 8 de abril, educadores e educadoras da rede pública e lideranças do município de Juína (MT) participaram da formação do programa “Escravo, nem pensar!”. Com essa atividade, o Mato Grosso ganha mais um importante pólo na rede de prevenção e combate ao trabalho escravo.

Professores e professoras apresentam plano de ação na formação Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Professores e professoras apresentam
plano de ação na formação
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Os participantes debateram ao longo da semana a ocorrência de trabalho escravo e também discutiram outros aspectos relacionados com esse tema, como questão agrária, desmatamento, migração, trabalho infantil e exploração sexual. Eles destacaram a relevância de difundir o tema na região e o papel da escola para a mobilização em torno desses assuntos.

Realizada na Casa da Cultura do município, a formação teve dinâmicas, exibição de filmes e músicas, atividades em grupo, roda de conversa com membros da Comissão Pastoral da Terra do Mato Grosso e apresentações culturais.

Ao final, os participantes formularam planos de ação para abordar o tema em sala de aula, inserir o assunto nos conteúdos programáticos das escolas e envolver outros educadores, educadoras e lideranças em atividades para levantar o debate sobre trabalho escravo no município. Também planejaram o desenvolvimento de projetos pedagógicos para envolver a comunidade escolar e a formação de parcerias com entidades da sociedade civil e escolas.

A região

A formação foi também um momento privilegiado para que participantes e a equipe do “Escravo, nem pensar!” conversassem sobre o processo de “ocupação” do município, ocorrido na época do governo militar para exploração de terras e recursos naturais da Amazônia, a partir da década de 1970. Localizada na chamada fronteira agrícola amazônica, Juína passou por intensa exploração do garimpo de diamantes, sucedida pelo desmatamento para extração da madeira até que se consolidou a atividade pecuária. Atualmente, o município possui um dos maiores rebanhos do Estado.

Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Em libertações recentes no Mato Grosso, havia trabalhadores oriundos de Juína. Na região onde está localizada, conhecida no Estado como “Nortão”, são encontrados casos de desmatamento e flagrantes de trabalho escravo. Para estimular que essas questões sejam abordadas também em outros municípios, agentes do Centro de Formação e Atualização de Professores participaram da formação. Eles são responsáveis pela formação continuada de professores e professoras dos municípios vizinhos e podem incentivar abordagens interdisciplinares sobre o tema.

A formação recebeu apoio financeiro do Ministério Público do Trabalho em Alta Floresta e contou com a parceria da Secretaria Municipal de Educação de Juína, da Associação Rural Organizada Para Ajuda Mútua e da Comissão Pastoral da Terra. A equipe do programa retornará três vezes ao município, em um intervalo de seis meses cada, para acompanhar as atividades realizadas e apresentar novos materiais didáticos.

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Projetos comunitários

Confira os projetos comunitários que serão apoiados em 2011

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Projetos desenvolverão atividades de prevenção ao trabalho escravo entre abril e agosto deste ano 

(*Notícia alterada em 13/04/2011)

Foram selecionados os 15 projetos que receberão apoio financeiro e pedagógico da ONG Repórter Brasil e da Catholic Relief Services. Entre abril e agosto deste ano, eles desenvolverão diversas atividades nas escolas e nas comunidades para debater a escravidão rural, como palestras, oficinas de teatro e produção de programas de rádio. Os projetos estão distribuídos por seis Estados: Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí e Tocantins.

Cinquenta projetos comunitários já foram apoiados pelo programa. Para conhecer essas experiências, clique aqui.

Veja os projetos selecionados:

  • “Preservando o meio ambiente e colhendo cidadania: Escravo, nem pensar!” – Ibotirama (BA)
  • “Escravidão feminina no mundo contemporâneo” – Piritiba (BA)
  • “Professores na luta contra o trabalho escravo” – Paraibano (MA)
  • “Trabalho escravo, jamais!” – Alta Floresta (MT)
  • “Rádio na escola: Comunicação como meio de erradicar o trabalho escravo contemporâneo e degradante” – Confresa (MT)
  • “Trabalho escravo: informar para libertar” – Marabá (PA)
  • “Ouro preto” – Paragominas (PA)
  • “A liberdade se conquista através da aquisição de conhecimentos” – Xinguara (PA)
  • “Superando as mazelas da exploração capitalista” – Xinguara (PA)
  • “Purguy contra o trabalho escravo” – Xinguara (PA)
  • “Educar para não virar escravo”  – União (PI)
  • “Quebrando as correntes da escravidão” – Avelino Lopes (PI)
  • “As lutas de um povo de uma comunidade quilombola” – Santa Fé do Araguaia (TO)
  • “Estrada para cidadania” – Araguaína (TO)
  • “Não há cidadania sem liberdade” – Araguaína (TO)

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Formação

Escolas e organizações sociais de Juína ingressarão na luta contra o trabalho escravo

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Entre os dias 4 e 8 de abril, educadores, educadoras e lideranças da cidade de Mato Grosso irão participar da formação doEscravo, nem pensar!”, passando a integrar rede de prevenção ao trabalho escravo contemporâneo

Formação será realizada na Casa de Cultura Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Formação será realizada na Casa de Cultura
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Em abril, educadores e lideranças populares de Juína, em Mato Grosso, participarão da formação sobre trabalho escravo rural e outros temas relacionados a esta violação dos direitos humanos. Os encontros ocorrerão na Casa de Cultura, entre os dias 4 e 8 de abril. O objetivo da formação é incentivar os 50 participantes a articularem escolas e organizações sociais em atividades que possam difundir o conhecimento sobre o tema e mobilizar a sociedade na luta contra o trabalho escravo.

A ação tem o apoio financeiro do Ministério Público do Trabalho em Alta Floresta, também em Mato Grosso, e da Secretaria Municipal de Educação de Juína. Para aprofundar os temas, durante a formação, haverá participação de convidados da sociedade civil e da Justiça do Trabalho ou auditores fiscais para “rodas de conversa”. O objetivo é que educadores e educadoras tenham contato com pessoas de atuação significativa no combate ao trabalho escravo.

O programa “Escravo, nem pensar!”, realizado pela ONG Repórter Brasil em parceria com a Comissão Pastoral da Terra, tem como objetivo diminuir, por meio da educação e da criação de redes de prevenção, o número de trabalhadores das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste aliciados para o trabalho escravo na fronteira agrícola, e conscientizar a população de locais onde há incidência desse crime.

Depois da formação, a Repórter Brasil fará mais três visitas a Juína para acompanhar as ações desenvolvidas pelos participantes, discutir novos temas e apoiar a realização de projetos interdisciplinares e atividades sobre o trabalho escravo nas escolas e nas comunidades.

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