Formação

Grupos na luta pela terra participam de formação

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Representantes de diversos grupos no Tocantins relataram violência por parte de fazendeiros e do Estado

Acampamento Vitória recebeu os participantes Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Acampamento Vitória recebeu os participantes
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Nos dias 1 e 2 de maio, aconteceu o Encontro de Formação de Posseiros e Acampados no acampamento Vitória e no assentamento Santo Antonio, localizados em Palmeirante, no Tocantins. O encontro, promovido pela Comissão Pastoral da Terra com apoio da Repórter Brasil, teve como tema “Agronegócio e violência no campo” e reuniu trabalhadores e trabalhadoras de sete grupos da região acompanhados pela entidade em sua caminhada na luta pela terra.

Os depoimentos dos participantes foram marcantes, mostrando violência e impunidade de um lado, e resistência de outro. O acampamento Bom Jesus, espaço de formação do “Escravo, nem pensar!”, enviou cinco representantes.

 

Grupo do acampamento Bom Jesus narra sua história Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Grupo do acampamento Bom Jesus narra sua história
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Durante o encontro, foram narrados os históricos de cada grupo:

Acampamento Bom Jesus
Despejo, ameaças, pistolagem, queima de roças, ação da polícia em favor do fazendeiro, assassinato de Gabriel Vicente de Souza Filho

Acampamento Vitória
Pistolagem, ameaças, tiros contra o acampamento

Assentamento Guariroba
Queima de barracos, prisões, ameaças

Assentamento Santo Antonio do Bom Sossego
Despejo por pistoleiros, queima de barracos, ameaças, ação da polícia em favor da fazendeira, tiros

Fazenda Boa Esperança
Despejo ilegal com participação da polícia, ameaças por parte da polícia

 

Fazenda Capelinha
Pistolagem, tiros, expulsão

Taboca
Queima de barracos e de roças, quatro tiroteios e expulsões, um trabalhador baleado

Agronegócio e violência

A partir da temática proposta no encontro, os participantes foram divididos em três grupos para que fizessem colagens inspirados pela questão: qual ideia possuem de agronegócio?

Grupo Frutas
O grupo apresentou imagens de frutos para expressar as ideias: plantar para poder colher; imagens da agricultura familiar simbolizando “nosso” trabalho; e colocou o agronegócio como o projeto do Brasil: “quando é em exagero é agronegócio, quando não é, somos nós”.

Grupo Terra
O grupo colocou que o dinheiro fica concentrado nas grandes empresas e nos grandes projetos; em Brasília os políticos só defendem seus interesses; e é um grande “sufocamento”: grandes empresas têm acesso à tecnologia e ao maquinário, e as melhores condições são voltadas ao agronegócio. “Nós ficamos de pequenininhos, o chapéu de palha na cabeça, sem acesso. Quando uma nota chega pra gente, já vem amassada do bolso dos outros”, disseram.

Grupo Água
Para o grupo, política é sinônimo de agronegócio (e usaram imagem do ex-presidente Lula para ilustrar); não se investe no pequeno e na reforma agrária. Trouxeram a imagem de uma carvoaria, para incluir a problemática do trabalho escravo.

Grupo apresenta ideias sobre agronegócio Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Grupo apresenta ideias sobre agronegócio
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Grupo Semente
O grupo apresentou imagem de inseminação artificial para representar o grande produtor rural: só o grande tem direito de criar gado, porque o pobre não pode possuir um pedaço de terra para sustentar a família.

Os trabalhadores e trabalhadoras assistiram na noite anterior ao documentário “Nas Terras do Bem Virá”, em que o padre Ricardo Rezende, que integrava a equipe da CPT no sul do Pará, relata casos em que trabalhadores assassinados nos anos 70 em fazenda foram enterrados como cachorros. “Fica firme, não desanima. O filme mexeu muito comigo, o trabalhador ser enterrado como cachorro. Meu deus, não há justiça”, resumiu uma das integrantes do grupo, fazendo alusão ao filme. “Nós não somos vistos, somos cachorros no meio dos ricos”.

Grande encontro

Foi muito positivo reunir representantes de diferentes grupos que vêm enfrentando a mesma situação de luta pela terra. Os participantes apontaram que, no encontro, foi possível: ver caminhos possíveis; trabalho conjunto; conhecer outras pessoas e outras situações; preparar-se melhor para poder se defender; realizar articulações; ter mais força para lutar; perceber que “não estamos sozinhos na caminhada”; dificuldades coletivas têm que ter soluções coletivas. O grupo ainda agradeceu ao acampamento Vitória e ao assentamento Santo Antonio o espaço ofertado, a acolhida e a solidariedade, com presença importante da mística, da palavra e da poesia no encontro.

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Projetos comunitários

Escola de São Geraldo promove debate sobre hidrelétrica no Araguaia

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O evento, organizado pela Escola Raimundo Ferreira Lima, fez parte da Semana da Terra Padre Josimo

São Geraldo do Araguaia (PA) e outras cidades vizinhas podem ser impactadas pela construção da barragem de Santa Isabel. As consequências de um empreendimento desse tipo para os municípios, o meio ambiente e as comunidades foram discutidas no último dia 3, com a participação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

A Escola Municipal Raimundo Ferreira Lima, que vem desenvolvendo projetos sobre trabalho escravo e direitos humanos, foi responsável por organizar a atividade, que contou com a presença de seus estudantes de 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Também estavam no debate representante da Associação de Pescadores de São Geraldo e moradores da região a ser inundada caso a barragem seja construída.

Escola que organizou o encontro já desenvolve projetos  sobre trabalho escravo. Crédito: Carolina Motoki

Escola que organizou o encontro já desenvolve projetos
sobre trabalho escravo. Crédito: Carolina Motoki

Alunos e alunas mostraram-se bastante interessados elaboraram diversas perguntas aos debatedores. Judite da Rocha, do MAB, salientou os impactos em contraposição aos supostos benefícios apresentados pelas empresas responsáveis pela obra.

Abel Oliveira, representante da Sema e responsável pela Área de Proteção Ambiental de São Geraldo, mostrou como a legislação rege o processo de estudos e licenciamentos para a construção de uma usina.

Pedro Ribeiro, da CPT, trouxe o caso dos atingidos pela construção da usina hidrelétrica de Estreito, no rio Tocantins, que ainda não tiveram todos os seus direitos atendidos. Para isso, exibiu o vídeo Marcha 2010 – Vida – Terra – Água.

O evento fez parte da Semana da Terra Padre Josimo, organizada pela Diocese de Tocantinópolis (TO) em parceria com pastorais e movimentos sociais, em memória ao assassinado de Josimo, em maio de 1986, por sua luta ao lado de posseiros e camponeses no Bico do Papagaio.

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Publicação

Cartilha mostra relação entre trabalho escravo e os produtos do dia-a-dia

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Publicação é direcionada a educadores, educadoras e lideranças comunitárias

Cartilha tem distribuição gratuita.  Crédito:Gustavo Ohara

Cartilha tem distribuição gratuita.
Crédito:Gustavo Ohara

O programa “Escravo, nem pensar!” lança a cartilha “Cadeias produtivas & trabalho escravo: Cana – Carne – Carvão – Soja – Babaçu”. A publicação reúne exemplos de produtos que utilizaram mão de obra escrava em algum momento de sua cadeia produtiva, apontando a trajetória dessas mercadorias desde a origem até chegar ao consumidor final.

A cartilha é distribuída de forma gratuita e pretende contribuir para a reflexão em comunidades e escolas sobre a produção e o consumo de diversos produtos presentes no cotidiano. Por isso, ela traz também duas sugestões de atividades para ajudar a promover o debate sobre esse tema.

A publicação foi produzida em parceria com o núcleo de pesquisas de cadeias produtivas da ONG Repórter Brasil e com o apoio financeiro da organização Catholic Relief Services (CRS).

Clique aqui para baixar o arquivo da cartilha “Cadeias produtivas & trabalho escravo: Cana – Carne – Carvão – Soja – Babaçu”.

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Mais um município se engaja na luta contra o trabalho escravo

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Participantes desenvolveram plano para tratar do tema nas escolas e levantar o debate na região 

Entre os dias 4 e 8 de abril, educadores e educadoras da rede pública e lideranças do município de Juína (MT) participaram da formação do programa “Escravo, nem pensar!”. Com essa atividade, o Mato Grosso ganha mais um importante pólo na rede de prevenção e combate ao trabalho escravo.

Professores e professoras apresentam plano de ação na formação Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Professores e professoras apresentam
plano de ação na formação
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Os participantes debateram ao longo da semana a ocorrência de trabalho escravo e também discutiram outros aspectos relacionados com esse tema, como questão agrária, desmatamento, migração, trabalho infantil e exploração sexual. Eles destacaram a relevância de difundir o tema na região e o papel da escola para a mobilização em torno desses assuntos.

Realizada na Casa da Cultura do município, a formação teve dinâmicas, exibição de filmes e músicas, atividades em grupo, roda de conversa com membros da Comissão Pastoral da Terra do Mato Grosso e apresentações culturais.

Ao final, os participantes formularam planos de ação para abordar o tema em sala de aula, inserir o assunto nos conteúdos programáticos das escolas e envolver outros educadores, educadoras e lideranças em atividades para levantar o debate sobre trabalho escravo no município. Também planejaram o desenvolvimento de projetos pedagógicos para envolver a comunidade escolar e a formação de parcerias com entidades da sociedade civil e escolas.

A região

A formação foi também um momento privilegiado para que participantes e a equipe do “Escravo, nem pensar!” conversassem sobre o processo de “ocupação” do município, ocorrido na época do governo militar para exploração de terras e recursos naturais da Amazônia, a partir da década de 1970. Localizada na chamada fronteira agrícola amazônica, Juína passou por intensa exploração do garimpo de diamantes, sucedida pelo desmatamento para extração da madeira até que se consolidou a atividade pecuária. Atualmente, o município possui um dos maiores rebanhos do Estado.

Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Em libertações recentes no Mato Grosso, havia trabalhadores oriundos de Juína. Na região onde está localizada, conhecida no Estado como “Nortão”, são encontrados casos de desmatamento e flagrantes de trabalho escravo. Para estimular que essas questões sejam abordadas também em outros municípios, agentes do Centro de Formação e Atualização de Professores participaram da formação. Eles são responsáveis pela formação continuada de professores e professoras dos municípios vizinhos e podem incentivar abordagens interdisciplinares sobre o tema.

A formação recebeu apoio financeiro do Ministério Público do Trabalho em Alta Floresta e contou com a parceria da Secretaria Municipal de Educação de Juína, da Associação Rural Organizada Para Ajuda Mútua e da Comissão Pastoral da Terra. A equipe do programa retornará três vezes ao município, em um intervalo de seis meses cada, para acompanhar as atividades realizadas e apresentar novos materiais didáticos.

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Projetos comunitários

Confira os projetos comunitários que serão apoiados em 2011

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Projetos desenvolverão atividades de prevenção ao trabalho escravo entre abril e agosto deste ano 

(*Notícia alterada em 13/04/2011)

Foram selecionados os 15 projetos que receberão apoio financeiro e pedagógico da ONG Repórter Brasil e da Catholic Relief Services. Entre abril e agosto deste ano, eles desenvolverão diversas atividades nas escolas e nas comunidades para debater a escravidão rural, como palestras, oficinas de teatro e produção de programas de rádio. Os projetos estão distribuídos por seis Estados: Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí e Tocantins.

Cinquenta projetos comunitários já foram apoiados pelo programa. Para conhecer essas experiências, clique aqui.

Veja os projetos selecionados:

  • “Preservando o meio ambiente e colhendo cidadania: Escravo, nem pensar!” – Ibotirama (BA)
  • “Escravidão feminina no mundo contemporâneo” – Piritiba (BA)
  • “Professores na luta contra o trabalho escravo” – Paraibano (MA)
  • “Trabalho escravo, jamais!” – Alta Floresta (MT)
  • “Rádio na escola: Comunicação como meio de erradicar o trabalho escravo contemporâneo e degradante” – Confresa (MT)
  • “Trabalho escravo: informar para libertar” – Marabá (PA)
  • “Ouro preto” – Paragominas (PA)
  • “A liberdade se conquista através da aquisição de conhecimentos” – Xinguara (PA)
  • “Superando as mazelas da exploração capitalista” – Xinguara (PA)
  • “Purguy contra o trabalho escravo” – Xinguara (PA)
  • “Educar para não virar escravo”  – União (PI)
  • “Quebrando as correntes da escravidão” – Avelino Lopes (PI)
  • “As lutas de um povo de uma comunidade quilombola” – Santa Fé do Araguaia (TO)
  • “Estrada para cidadania” – Araguaína (TO)
  • “Não há cidadania sem liberdade” – Araguaína (TO)

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Formação

Escolas e organizações sociais de Juína ingressarão na luta contra o trabalho escravo

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Entre os dias 4 e 8 de abril, educadores, educadoras e lideranças da cidade de Mato Grosso irão participar da formação doEscravo, nem pensar!”, passando a integrar rede de prevenção ao trabalho escravo contemporâneo

Formação será realizada na Casa de Cultura Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Formação será realizada na Casa de Cultura
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Em abril, educadores e lideranças populares de Juína, em Mato Grosso, participarão da formação sobre trabalho escravo rural e outros temas relacionados a esta violação dos direitos humanos. Os encontros ocorrerão na Casa de Cultura, entre os dias 4 e 8 de abril. O objetivo da formação é incentivar os 50 participantes a articularem escolas e organizações sociais em atividades que possam difundir o conhecimento sobre o tema e mobilizar a sociedade na luta contra o trabalho escravo.

A ação tem o apoio financeiro do Ministério Público do Trabalho em Alta Floresta, também em Mato Grosso, e da Secretaria Municipal de Educação de Juína. Para aprofundar os temas, durante a formação, haverá participação de convidados da sociedade civil e da Justiça do Trabalho ou auditores fiscais para “rodas de conversa”. O objetivo é que educadores e educadoras tenham contato com pessoas de atuação significativa no combate ao trabalho escravo.

O programa “Escravo, nem pensar!”, realizado pela ONG Repórter Brasil em parceria com a Comissão Pastoral da Terra, tem como objetivo diminuir, por meio da educação e da criação de redes de prevenção, o número de trabalhadores das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste aliciados para o trabalho escravo na fronteira agrícola, e conscientizar a população de locais onde há incidência desse crime.

Depois da formação, a Repórter Brasil fará mais três visitas a Juína para acompanhar as ações desenvolvidas pelos participantes, discutir novos temas e apoiar a realização de projetos interdisciplinares e atividades sobre o trabalho escravo nas escolas e nas comunidades.

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Edital - Projetos Comunitários

Aberto edital para seleção e financiamento de 15 novos projetos

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Inscrições vão até o dia 21 de fevereiro

A Repórter Brasil, com apoio da organização Catholic Relief Services (CRS), está abrindo pela quinta vez as inscrições para financiamento de projetos de prevenção ao trabalho escravo propostos por professores, professoras e lideranças populares que participaram do programa “Escravo, nem pensar!”. Portanto, quem tiver interesse em desenvolver um projeto na escola em que trabalha, em articulação com outras escolas, ou na comunidade onde atua, poderá contar com uma ajuda de custo para realizar as atividades.

Infelizmente, os recursos são limitados. Por isso, a equipe organizadora do Fundo de Apoio a Projetos do “Escravo, nem pensar!” tem como prioridade a seleção de projetos baratos e criativos, para que o maior número de propostas possam ser atendidas. Além disso, os recursos vêm da Catholic Relief Service e é importante que os projetos selecionados para serem financiados cumpram o contrato, executem as atividades propostas e prestem contas ao final.

Projeto "Liberdade não tem cor", realizado em Porto Alegre do Norte (MT) Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Projeto “Liberdade não tem cor”, realizado em Porto
Alegre do Norte (MT)
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

As experiências realizadas desde 2007 têm sido bastante positivas. Cinquenta projetos de professores, professoras e lideranças nos Estados de Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí e Tocantins já receberam apoio pedagógico e financeiro para colocar em prática ações que mobilizaram estudantes e comunidade, com o objetivo de aumentar o nível de consciência sobre esse problema e incentivar novas formas de geração de renda. As atividades foram diversificadas e interdisciplinares, desde peças de teatro até grafitagem, passando por programas de rádio, vídeos, palestras, encontros, caminhadas, pesquisas, produção de panfletos e cartilhas, confecção de cartazes e camisetas, oficinas de música, realização de oficinas de artesanato e plantio de hortas comunitárias. Os projetos foram fundamentais para fortalecer a rede de luta contra o trabalho escravo nesses municípios.

Os projetos deverão apresentar orçamento de até R$ 1.000,00 (mil reais) e cronograma para realização de atividades entre 28 de março e 26 de agosto de 2011.

Além do critério financeiro, também serão levados em conta os impactos que as atividades vão trazer para a comunidade a médio e longo prazo, bem como o número de pessoas da comunidade escolar e extra-escolar atingidas direta e indiretamente e a formação de parcerias para ampliar o alcance das ações. Os projetos podem ser redigidos de acordo com o modelo no verso. Alguns itens devem ser bem detalhados, para que possamos analisar a proposta:

– Descrição das atividades: O que vai ser feito? De que forma será feito?

– Justificativa: Por que esse projeto é importante e deve ser financiado?

– Local e data de realização: Qual a duração do projeto (entre abril e agosto)? Onde ele será realizado?

– Público-alvo: Quem participará diretamente das atividades? Quem poderá ser atingido pelo projeto? Quantas pessoas serão contempladas, no total?

– Parceiros: O projeto será realizado com outras escolas e/ou entidades? Alguma entidade (ONG, Associação de Moradores, sindicato) ou órgão do governo vai apoiar o projeto?

– Orçamento: Quais serão os gastos com o projeto? Que materiais serão necessários? É preciso detalhar o tipo e o valor do gasto. Este é um dos itens mais importantes! Inclua também os gastos com Sedex para enviar a prestação de contas ao final do projeto. 

– Cronograma de atividades: O que será feito e em qual data?  

IMPORTANTE: As propostas devem ser enviadas até 21 DE FEVEREIRO DE 2011 (segunda-feira), para o [email protected] ou por fax: (11) 2506-6576 ramal 19. Não se esqueçam de colocar o nome completo, CPF ou CNPJ, R.G. e contato (telefone, e-mail e endereço completo) dos proponentes do projeto. Qualquer dúvida liguem para (11) 2506-6576/70/74/62 – ramal 1. Falar com Fabiana ou Cibele. ENVIAR PREFERENCIALMENTE VIA E-MAIL OU FAX. Se você encontrar dificuldade para o envio, por favor, entre em contato com a gente!

A equipe do programa “Escravo, nem pensar!” agradece a atenção e aguarda ansiosamente sua proposta.

DIVULGUEM PARA SEUS COLEGAS!

 

Como elaborar um projeto?

1) Nome do projeto: Deve conter a idéia central daquilo que se pretende realizar.  

2) Apresentação do Grupo: “Quem são e quantos são os participantes do projeto?”.

3) Objetivo geral: “Qual é o grande problema que pretendemos ajudar a solucionar com este projeto?”. Exemplo: Erradicar o trabalho escravo na nossa região.  

4) Objetivos específicos: “Como podemos agir para acabar com esse grande problema?”. ExemploConscientizar os jovens da escola e a população desempregada, em geral, sobre os perigos do trabalho escravo. 

5) Justificativa: “Por que queremos fazer este projeto? Qual é a importância dele?”. Vai mostrar porque o projeto proposto é relevante, a partir de um breve diagnóstico do problema. Exemplo: Em nosso município é muito comum que jovens deixem a escola para trabalhar ou que seus pais saiam para fazendas distantes. Esse projeto permitirá que eles sejam informados das precauções necessárias para  não cair  na rede do trabalho escravo…

6) Público-alvo: “Quem serão os beneficiados por nossas ações?”. É o principal grupo para o qual o projeto está sendo pensado. Exemplo: jovens da escola e população desempregada.

7) Metodologia e descrição das atividades: “Como vamos fazer para alcançar nossos objetivos? Por meio de que linguagens e de quais atividades iremos trabalhar o tema? Quais as etapas do nosso projeto?”. Tente detalhar bem esta parte, explicando como cada etapa e atividade serão realizadas. De acordo com o público alvo, muda a metodologia para atingir os objetivos propostos. Não adianta, por exemplo, fazer um projeto de uma cartilha explicativa dos direitos trabalhistas se o público-alvo for de pessoas que não sabem ler. Exemplo: Utilizando livros, internet e entrevista com moradores, o grupo vai pesquisar sobre trabalho escravo e trabalho degradante, e descobrir se já houve algum caso conhecido na cidade. Com a pesquisa concluída, o grupo passará a construir o texto e a produção de uma dramatização que será apresentada posteriormente.

8) Recursos humanos“Que pessoas estarão envolvidas no projeto e o que exatamente cada uma vai fazer?”. Exemplo:Professores de Língua Portuguesa, Artes, História e Geografia irão coordenar a pesquisa, orientar a produção da dramatização e organizar as exibições em outros espaços públicos da cidade. Os estudantes vão fazer a pesquisa, montar o texto da peça, construir o cenário, o figurino, os instrumentos musicais e encenar a peça. Será necessária a ajuda de um músico e de um marceneiro da comunidade.

9) Recursos materiais e financeiros:  Essa etapa deve ser feita com cuidado, para não colocar o projeto em risco. A prestação de contas será baseada neste orçamento apresentado. “Que materiais serão necessários? Teremos gastos com alguma coisa?”. É importante fazer uma previsão orçamentária detalhada para saber quanto será preciso conseguir. É preciso detalhar o tipo e o valor do gasto de cada item necessário.

10) Cronograma: “Com base na metodologia, quando cada etapa do projeto deverá acontecer? Qual o tempo necessário para cada uma delas?”. É importante ter bom senso na hora de elaborar o cronograma, para não planejar atividades excessivas para um determinado período de tempo e impossibilitar que o projeto seja finalizado na data desejada. Exemplo: 

Ações

Abril Maio Junho Julho Agosto
Pesquisa sobre trabalho escravo X X      
Texto da dramatização     X    
Confecção do cenário e figurino    

X

   
Ensaios e Divulgação      X X  
Apresentações pela cidade         X
Avaliação do processo   X X X X
Elaboração do relatório final         X

 

11) Parcerias: Exemplo: O projeto será realizado pelas duas escolas proponentes. Ele vai contar com a colaboração da Pastoral da Juventude, que se comprometeu a conseguir o auditório da Igreja para apresentar a dramatização, com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e com a Secretaria de Educação para divulgar o evento.“Quem vai nos ajudar na execução do projeto além da ONG Repórter Brasil e como?”.

 

Edital projetos financiados 2011
Clique aqui e baixe o edital na íntegra – pdf

 

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Projetos comunitários

Escolas e comunidades na luta contra o trabalho escravo

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Em oficina realizada no Fórum Pan Amazônico, educadoras do Pará e do Maranhão compartilharam experiências desenvolvidas nas escolas para prevenir o trabalho escravo

No último Fórum Pan Amazônico realizado em Santarém, no Pará, o “Escravo, nem pensar!”, a Comissão Pastoral da Terra e o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia promoveram a oficina auto-gestionada “Escolas e comunidades na luta contra o trabalho escravo”, no dia 26 de novembro. O objetivo era compartilhar e debater experiências realizadas por educadores e educadoras, junto com seus alunos e alunas, para prevenir o aliciamento ao trabalho escravo.

Durante a oficina, quatro educadoras apresentaram ações desenvolvidas. Refletimos sobre as resistências e os apoios encontrados durante a realização das atividades propostas pelas escolas, sobre como a escola pode se tornar um espaço de discussão de direitos e de reflexões para a mobilização social e para a transformação da realidade, e sobre a importância da institucionalização do tema do trabalho escravo nos conteúdos programáticos pelas secretarias de educação.

Com as experiências, pudemos perceber alguns resultados importantes, como o espaço da escola se tornar referência para a discussão sobre trabalho escravo e para os trabalhadores se informarem sobre seus direitos, além do reconhecimento do problema pela comunidade e sua consciência da importância de combatê-lo.

As experiências apresentadas 

 Apresentação do projeto da Escola Municipal  Pedro Valle, de Marabá Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Apresentação do projeto da Escola Municipal
Pedro Valle, de Marabá
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Juraci Vieira, da Escola Municipal Pedro Valle, localizada em um assentamento de Marabá, no Pará, trouxe a experiência do projeto “Trabalho escravo: esclarecer, educar e transformar”, que mobilizou toda a escola na preparação da peça de teatro “Esperança Perdida”, apresentada em nove assentamentos e transformada em filme. Segundo Juraci, muitas das pessoas que assistiram às apresentações se emocionaram por reconhecerem que já tinham enfrentado situações de trabalho escravo sem saber, e as considerado normais. A escola também ofereceu oficinas de artesanato com materiais recicláveis como alternativa de geração de renda para pais de alunos.

Maria Neide Moraes, da Escola Estadual Liberdade, localizada no bairro periférico de mesmo nome na cidade de Marabá, no Pará, apresentou o projeto “Construindo novas relações de trabalho na cidade de Marabá”. Durante o ano todo, a escola desenvolveu atividades interdisciplinares para debater diversos aspectos relacionados ao tema, como migração, exploração sexual, questão agrária, atividades econômicas, conseqüências para a saúde do trabalhador, entre tantos outros. A culminância contou com a participação 1.500 pessoas da comunidade.

Outra professora do Pará, Genilse Ribeiro, mostrou a experiência de Breu Branco, onde educadores e educadoras, junto com a CPT de Tucuruí, organizaram um grupo de trabalho para promoverem atividades sobre trabalho escravo. Neste ano, foi realizado um concurso envolvendo diversas escolas do município na produção de desenhos, poemas e textos.

Por fim, a professora Elbna Ferreira de Carvalho apresentou o projeto “Educar para conscientizar, combater e formar. Literatura: a arte que imita a vida”, realizado em Santa Luzia pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação. Foram realizadas formações em onze escolas que participaram de um concurso envolvendo alunos do Ensino Infantil e do Ensino Fundamental na produção de desenhos, poesias e crônicas. O resultado foi publicado em uma coletânea.

A apresentação das educadoras presentes foi emocionante pelo engajamento que demonstraram com o combate ao trabalho escravo, vencendo resistências e transformando a maneira de seus alunos, alunas e comunidades olharem o problema.

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Projetos comunitários

Projetos do “Escravo, nem pensar!” envolvem 6 Estados

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Iniciativas que fazem parte do programa “Escravo, nem pensar!” reúnem propostas de produção, divulgação e conscientização a respeito da escravidão contemporânea e envolvem professores, alunos e comunidades como um todo

Por Bárbara Vidal

Estão sendo desenvolvidos em seis Estados brasileiros os projetos de conscientização e prevenção do trabalho escravo rural, apoiados pelo programa educacional “Escravo, nem pensar!”, coordenado pela ONG Repórter Brasil. Com vistas à prevenção do trabalho escravo por meio da atuação em municípios com alto índice de aliciamento, o “Escravo, Nem Pensar!” forma professores e líderes para atuação nas salas de aula e nas comunidades.

Ao todo, são 11 projetos em 10 municípios distribuídos por Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí e Tocantins. Um dos projetos leva o nome de “Lutando pela liberdade, idealizando uma vida melhor” e vem sendo desenvolvido por professores e alunos do Colégio Municipal Firmino Ferreira Sampaio Neto, em Piritiba (BA). Antes de iniciar os trabalhos, foi realizada uma pesquisa para aferir como a comunidade escolar compreendia a escravidão.

“Eles imaginavam que só existia a escravidão de 1888”, disse a professora Marileide dos Santos Pereira. Segundo ela, o envolvimento com o projeto fez com que a comunidade – incluindo porteiros, merendeiras, faxineiros, fiscais de pátio, estudantes e professores -, passasse a ver o tema de forma diferente. “Hoje, todos sabem que a escravidão ainda não acabou”.

Camisetas, panfletos, e grafitagem no muro da escola foram feitos por todos os alunos. Além disso, 23 estudantes do colégio foram levados ao município próximo de Jacobina (BA) para a emissão da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), já que lá o processo é mais rápido.

Aluno participando do projeto ""Lutando pela liberdade,  idealizando uma vida melhor", em Piritiba (BA) Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Aluno participando do projeto “”Lutando pela liberdade,
idealizando uma vida melhor”, em Piritiba (BA)
Crédito: Arquivo Repórter Brasil

Seminários e paródias foram realizados nas salas de aula em todas as disciplinas por meio de debates, relacionando o tema com o tráfico de pessoas para exploração sexual. “É um tema atual. É a realidade do que realmente está acontecendo e que se, principalmente os jovens não se protegerem, serão vítimas por falta de informações”, disse Marileide.

Outros projetos foram desenvolvidos em Santa Luzia (MA) e Açailândia (MA). Em Santa Luzia (MA), foi desenvolvido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintraed) e com apoio do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) e da secretaria municipal de educação. Professores do ensino infantil e fundamental foram formados para promover atividades de conscientização sobre o trabalho escravo nas aulas.

Já em Açailândia (MA), o projeto participante é realizado pela Rádio Comunitária Arca FM, também em parceria com o CDVDH e com a Agência Criativa. Jovens produzem programas de rádio que tratam de assuntos como trabalho escravo contemporâneo, formas de geração de emprego e renda e cooperativismo, além de apresentarem depoimentos de trabalhadores que já foram resgatados de fazendas. Os programas são transmitidos pela Arca FM e por rádios comunitárias de Bom Jesus das Selvas (MA) e São Francisco do Brejão (MA), ambos municípios localizados também no Maranhão.

Uma passeata realizada por professores, pais e alunos da Escola Municipal Raimundo Ferreira Lima foi realizada em São Geraldo (PA), onde também foi montada uma apresentação de peça de teatro inspirada no tema da escravidão contemporânea, preparada pelos próprios estudantes.

Na Escola Municipal Dom Cornélio Chizzini, em Xambioá (TO), o projeto “Trabalho escravo: um mal a ser combatido” teve participação de professores e alunos em pesquisas, produção de paródias, poesias, teatro de fantoches, debates e matérias de campanha sobre o trabalho escravo.

As apresentações no Ponto de Cultura da cidade foram abertas ao público, em geral. Cartazes foram exibidos após a apresentação dos resultados de uma pesquisa sobre condições de trabalho feita pelos estudantes, em parceria com o Instituto Opinião. Dados indicaram que 41,6% dos entrevistados começaram a trabalhar com até 10 anos de idade, e a mesma porcentagem afirmou nunca ter tido carteira de trabalho assinada.

Outros dois projetos foram desenvolvidos, em Confresa (MT), pelo Centro de Jovens e Adultos (Ceja) Creuslhi de Souza Ramose pela Escola Municipal Vereador Valdemiro Nunes de Araújo. Professores e alunos participaram de oficinas temáticas, pesquisas de campo, exibição de filmes e apresentações culturais. Uma peça de teatro sobre trabalho infantil foi apresentada pelos próprios alunos. Alguns trabalhadores rurais que já haviam sido escravizados deram ainda seus depoimentos à comunidade.

Programa “Escravo, nem pensar!”
O programa “Escravo, nem pensar!” forma professores e líderes populares para atuarem na prevenção ao trabalho escravo nos municípios com alto índice de aliciamento ou de ocorrência desse crime. A partir do curso, os participantes são estimulados a multiplicar, na sala de aula e nas comunidades, as informações sobre esse tipo de violação dos direitos humanos.

Mais de duas mil pessoas já participaram das formações desde 2004, em 42 municípios, de seis Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste. Desde 2007, a Repórter Brasil também articula apoio financeiro àqueles que queiram desenvolver seus projetos. Já foram desenvolvidos 50 projetos comunitários com o tema do trabalho escravo.

O “Escravo, Nem Pensar!” foi lançado em 2003, com o 1º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (PNETE), e inserido em alguns planos estaduais, como os do Pará, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.

Clique aqui e confira matéria

Entrevista sobre projeto que faz parte do “Escravo, nem Pensar!” no programa de rádio Vozes da Liberdade

 

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