Projeto Escravo, nem pensar! alcança cerca de 140 mil pessoas no primeiro ano de implantação

Notícia originalmente publicada no site da Secretaria de Educação do Maranhão.

Aproximadamente 140 mil pessoas em vários municípios do estado prevenidas do trabalho escravo. Esse foi o balanço da primeira etapa 2015/2016 do Projeto Escravo, nem pensar! de prevenção ao trabalho escravo no Maranhão, apresentado pela coordenadora da ONG Repórter Brasil, Natália Suzuki, durante o lançamento da segunda fase do projeto nesta segunda-feira (26), na Universidade Ceuma (Campus Renascença).

Resultado da parceria firmada entre o Governo do Estado e a Repórter Brasil, nesta etapa (2017/2018) o projeto ampliará as ações formativas de educação para 292 escolas da rede estadual, localizadas em 79 municípios maranhenses.

“Foi um projeto que teve muito sucesso no Maranhão na primeira etapa 2015/2016. A gente ganha uma nova escala no estado. O Maranhão foi o primeiro estado que implementou o projeto em nível estadual e sai na frente com essa segunda etapa, ampliando o alcance para 79 municípios e faremos isso por meio das escolas, com os professores fazendo a abordagem para que o tema se multiplique nas comunidades mais vulneráveis e suscetíveis ao aliciamento do trabalhador e à ocorrência do trabalho escravo”, destacou Natália Suzuki.

Encontro formativo do projeto reúne 50 participantes de diferentes regionais

Encontro formativo do projeto reúne 50 participantes de diferentes regionais

Uma das regiões a serem atendidas com o projeto na segunda etapa é a Unidade Regional de Bacabal. Para Guilhermina Aguiar, diretora de Educação da URE, será oportuno para esclarecer os jovens e seus familiares de que é preciso evitar que saiam de suas localidades para se submeter a esse tipo de trabalho. “Bacabal é uma dessas regiões onde há muitos casos de alunos que deixam a escola em busca de trabalhos em outros estados como Mato Grosso, Santa Catarina, São Paulo e chegam até perder a vida. Portanto, o projeto é uma forma de sensibilizar e criar as condições para que os nossos jovens permaneçam na escola”, enfatizou.

“Este é maior programa de prevenção do trabalho escravo, hoje, no estado. E o mais importante que está sendo trabalho na escola como tema transversal, como ação formativa”, realçou o superintendente de Modalidades e Diversidades Educacionais da Seduc, Claudinei Rodrigues.

Até a próxima quarta-feira (28) o projeto realiza o 1º Encontro Formativo da II Etapa do ENP!, destinado a 50 pessoas, entre gestores e técnicos das UREs Bacabal, Barra do Corda, Caxias, Presidente Dutra, São Luís, Timon, Viana e Zé Doca.

Dados do Ministério do Trabalho, entre os anos de 2003 e 2016, 3.327 trabalhadores foram libertados no Maranhão de condições degradantes, principalmente na pecuária (77%), mas também em lavouras diversas (13%), incluindo a soja e a carvoaria (4%). Apesar dos resgates do ambiente rural, o trabalho escravo é uma problemática que, nos últimos cinco anos, também está presente nas cidades maranhenses, a exemplo dos casos de libertação na construção civil (4%).

No Maranhão o projeto tem como parceiros da Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) e da Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop). E o apoio da Organização Internacional do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e de diversos órgãos que atuam no combate e erradicação do trabalho escravo contemporâneo no Maranhão.

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Governo e ONG Repórter Brasil levam projeto ‘Escravo, nem pensar!’ a 79 municípios

Notícia originalmente publicada no site da Secretaria de Educação do Maranhão.

O projeto “Escravo, nem pensar! de prevenção ao trabalho escravo – Maranhão 2017/2018”, parceria entre o Governo do Estado e a ONG Repórter Brasil,  levará, neste ano, ações formativas de educação a 292 escolas da rede estadual, localizadas em 79 municípios maranhenses. A base do projeto será lançada nesta segunda-feira (26), às 8h, durante encontro formativo, que será realiza na Universidade Ceuma (Campus Renascença).

A partir desta segunda até quarta-feira (28) o projeto realiza o 1º Encontro Formativo da II Etapa do ENP!, destinado a gestores e técnicos das UREs Bacabal, Barra do Corda, Caxias, Presidente Dutra, São Luís, Timon, Viana e Zé Doca.

No ano passado a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) firmou parceria com a ‘Repórter Brasil’ para a realização de ações de educação voltadas à prevenção do trabalho escravo, com a formação de gestores públicos do sistema educacional do Maranhão. Além das atividades formativas, o projeto também investe na elaboração de materiais pedagógicos voltados para a temática, que são utilizados em sala de aula pelos professores e estudantes.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, entre os anos de 2003 e 2016, 3.327 trabalhadores foram libertados no Maranhão de condições degradantes, principalmente na pecuária (77%), mas também em lavouras diversas (13%), incluindo a soja e a carvoaria (4%). Apesar dos resgates do ambiente rural, o trabalho escravo é uma problemática que, nos últimos cinco anos, também está presente nas cidades maranhenses, a exemplo dos casos de libertação na construção civil (4%).

Diante dessa situação, as estratégias governamentais – não apenas no Maranhão, mas no território nacional como um todo – voltadas ao combate do trabalho escravo dão ênfase à fiscalização das propriedades produtivas e à punição administrativa e econômica dos empregadores flagrados utilizando mão-de-obra escrava.

“A erradicação desse problema passa também pela adoção de políticas públicas de prevenção, para reverter a situação de pobreza e de vulnerabilidade que corroboram para que trabalhadores venham a ser explorados. Dentre essas políticas, estão as ações formativas no âmbito da educação. E é isso que o Governo do Estado está provendo ao implementar esse projeto nas escolas”, destacou o Superintendente de Modalidades e Diversidades Educacionais da Seduc, Claudinei Rodrigues.

No Maranhão o projeto tem como parceiros da Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo (COETRAE) e da Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop). E o apoio da Organização Internacional do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e de diversos órgãos que atuam no combate e erradicação do trabalho escravo contemporâneo no Maranhão.

Veja a programação

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Escolas do Maranhão desenvolvem atividades de prevenção ao trabalho escravo

Confira aqui a notícia publicada originalmente no site da ONU Brasil.

Realizado pela ONG Repórter Brasil, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) do Maranhão e com apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), o projeto “Escravo, nem pensar!” é focado na prevenção ao trabalho escravo e já está em sua segunda edição.

Por meio da iniciativa, escolas da rede estadual desenvolverão este ano atividades de prevenção ao trabalho escravo com alunos e pessoas da comunidade. O Maranhão é o principal estado de origem de trabalhadores resgatados do trabalho escravo no Brasil.

Realizado pela ONG Repórter Brasil, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) do Maranhão e com apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), o projeto “Escravo, nem pensar!” é focado na prevenção ao trabalho escravo e já está em sua segunda edição no estado. Os resultados da primeira edição, implementada em 2015 e 2016, podem ser vistos aqui.

No final de janeiro, a equipe do projeto realizou um estudo de campo para planejar as próximas atividades em São Luís e no interior do Maranhão, incluindo entrevistas com gestores e técnicos dos polos regionais da Secretaria da Educação.

Por meio do “Escravo, nem pensar!”, escolas da rede estadual desenvolverão este ano atividades de prevenção ao trabalho escravo com alunos e pessoas da comunidade. A abordagem desse tema integra o currículo oficial da rede estadual desde 2017, como resultado da primeira edição do projeto.

A segunda edição terá como foco a formação continuada da equipe do “Escravo, nem pensar!” com profissionais responsáveis pela formação de professores de oito territórios administrativos da SEDUC, chamados de Unidades Regionais de Educação (URE). Esses profissionais serão responsáveis por multiplicar a proposta para os educadores das escolas.

Para aprofundar o conhecimento sobre a realidade local, o assessor de projetos Thiago Casteli e o assistente de projetos Rodrigo Teruel visitaram cinco UREs vulneráveis ao aliciamento de trabalhadores para o trabalho escravo: Bacabal, Caxias, Timon, Viana e São Luís.

A atividade fez parte da pesquisa de campo realizada para identificar os efeitos da migração forçada, o aliciamento e problemas correlatos que afetam a rotina das escolas e a vida dos estudantes do Maranhão. O Maranhão é o principal estado de origem de trabalhadores resgatados do trabalho escravo no Brasil.

Os representantes do “Escravo, nem pensar!” também coletaram informações sobre a metodologia de formação continuada de professores realizada em cada URE.

Sobre o projeto

Realizado pela ONG Repórter Brasil em parceria com a SEDUC e com apoio da OIT e do MPT, o projeto tem como objetivo promover a discussão sobre o tema do trabalho escravo e assuntos correlatos, como migração, tráfico de pessoas e trabalho infantil, na rede estadual de ensino do Maranhão.

Em 2018, as atividades educativas acontecerão em escolas gerenciadas pelas UREs de São Luís, Bacabal, Barra do Corda, Caxias, Presidente Dutra, Timon, Viana e Zé Doca. A meta é atingir 292 escolas de 79 municípios maranhenses.

Na primeira etapa, realizada entre 2015 e 2016, o projeto alcançou mais de 130 mil pessoas, entre alunos, professores e pessoas da comunidade extraescolar. A parceria com o governo do Maranhão foi firmada em solenidade com a presença do governador Flávio Dino, em dezembro de 2017.

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ONG Repórter Brasil percorre Regionais levando formações sobre erradicação do trabalho escravo

Confira aqui a notícia originalmente publicada no site da a Secretaria de Estado de Educação, Juventude e Esportes do Tocantins

Os representantes da Organização Não Governamental (ONG) Repórter Brasil estão percorrendo o Tocantins divulgando o projeto Escravo, nem pensar! que tem como objetivo prevenir e diminuir o aliciamento de jovens moradores de cidades para o trabalho escravo e ao tráfico de pessoas. De acordo com o cronograma da ONG, os representantes da Repórter Brasil Thiago Casteli e Rodrigo Teruel percorrerão oito Diretorias Regionais de Educação (DRE) realizando formação com os gestores e técnicos de cada Regional.

Segundo a ONG, estão sendo visitadas as Regionais de Araguaína, Araguatins, Colinas, Gurupi, Paraíso, Palmas, Porto Nacional e Tocantinópolis. Em todas as Diretorias, os técnicos abordam temas relacionados à erradicação do trabalho escravo e do tráfico de pessoas por meio da educação.

A previsão é que sejam contemplados 103 municípios e 376 escolas. Em Porto Nacional, participaram da formação 25 técnicos da Diretoria Regional de Educação. Na cidade histórica vizinha a Palmas, a avaliação foi positiva sobre as ações da ONG, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, Juventude e Esportes (Seduc).

De acordo com a diretora regional de Porto, Deuzelina Chagas, cabe à Diretoria Regional de Educação, além de outras ações, incluir a formação continuada no planejamento e Plano de Trabalho e multiplicá-la para as escolas.

“Porto Nacional já trabalha o Projeto e agora, com esta parceria entre a Seduc e a Repórter Brasil, possibilitará uma discussão mais acentuada sobre o tema trabalho escravo para, posteriormente, trabalharmos nas escolas com uma metodologia específica e formações de professores. Toda a equipe pedagógica de nossa Regional participou com entusiasmo da apresentação do projeto”, destacou.

Para a técnica da DRE, Dhambrya Morgana, responsável pelo programa na Regional, a formação foi positiva a partir do momento que esclarece pontos importantes sobre as relações de trabalho e os direitos dos trabalhadores. “É importante a conscientização da juventude estudantil sobre o mundo do trabalho e seus direitos como trabalhadores, além de esclarecer os trabalhadores sobre seus direitos”, disse.

Gurupi

Já na cidade polo do Sul do Estado, os técnicos da Diretoria Regional de Educação receberam uma palestra com o representante da ONG, Rodrigo Teruel, sobre o programa Escravo, nem pensar!.

Entre os participantes, a técnica de currículo de humanas, Sayonara Santos de Morais, destacou que o Programa pode fazer com que a comunidade perceba que o trabalho escravo e o tráfico de pessoas são sérias violações de direitos humanos e que, portanto, devem ser coibidos e punidos. “Diante disso, é um tema muito importante a ser discutido no ambiente escolar, pois diz respeito a todos nós, por isso devemos ser protagonistas no seu combate”, finalizou.

Além de Porto Nacional e Gurupi, os representantes da ONG já passaram também pela Diretoria Regional de Educação de Palmas, além de terem realizado uma reunião na sede da Seduc, no final de janeiro.

Tocantins

No Tocantins, existe um Plano Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo, Decreto nº 3.223, de 28 de novembro de 2007, cuja meta 524 é implementar o projeto Escravo, nem Pensar!, visando à capacitação de professores e lideranças comunitárias em torno do tema. No Plano Estadual de Educação do Tocantins (PEE/TO 2015 a 2025), a estratégia 12.5 “garante a formação de parcerias com órgãos governamentais e não governamentais para o enfrentamento de todas as formas de violência, discriminação, preconceito e exploração sexual e do trabalho de crianças, jovens, adultos e idosos(as), a fim de promover a construção da cultura de paz e da não violência, assegurando um ambiente dotado de segurança para a comunidade escolar”.

A formação foi realizada também em Porto Nacional e ainda percorrerá outras Regionais – Divulgação / Governo do Tocantins

No final de janeiro, os representantes da ONG participaram de uma reunião na sede da Seduc – Elias Oliveira / Governo do Tocantins

Palestra sobre o programa Escravo, Nem pensar – Leila Novais / Governo do Tocantins

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DRE de Gurupi recebe representante da ONG Repórter Brasil

Confira aqui a notícia originalmente publicada no site da a Secretaria de Estado de Educação, Juventude e Esportes do Tocantins

Na manhã desta quarta-feira, 31, a Diretoria Regional de Educação (DRE) de Gurupi recebeu o representante da Organização Não Governamental (ONG) Repórter Brasil, Rodrigo Teruel, assistente de projeto do Programa de Prevenção ao Trabalho Escravo.

O objetivo desse projeto é promover o desenvolvimento do programa Escravo, nem pensar, bem como capacitar professores e lideranças populares para o combate ao trabalho escravo.

Rodrigo Teruel proferiu uma palestra sobre o programa Escravo, Nem pensar, para os técnicos do setor pedagógico da DRE, com uma explanação geral sobre o projeto e seu funcionamento na Educação.

Rodrigo Teruel ressalta que a ideia de engajar o projeto na Educação é muito importante e através dele pode “prevenir a ocorrência do trabalho escravo no Tocantins por meio da Educação”, ressaltou.

Para a técnica de Currículo de Humanas, Sayonara Santos de Morais, o programa Escravo, nem pensar faz com que a comunidade perceba que o trabalho escravo e o tráfico de pessoas violam direitos humanos e que, portanto, devem ser coibidos e punidos . “É um tema muito importante a ser discutido no ambiente escolar, pois diz respeito a todos nós, por isso devemos ser protagonistas no combate ao trabalho escravo e às violações de direitos humanos”, finalizou.

Palestra sobre o programa Escravo, Nem pensar – Leila Novais / Governo do Tocantins

Palestra sobre o programa Escravo, Nem pensar – Leila Novais / Governo do Tocantins

Palestra sobre o programa Escravo, Nem pensar – Leila Novais / Governo do Tocantins

 

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Tocantins retoma parceria com ONG Repórter Brasil para atuar na conscientização do trabalho escravo

Confira aqui a notícia publicada originalmente no site da Secretaria de Estado de Educação do Tocantins

om o objetivo de compreender o conceito de trabalho escravo contemporâneo e as ações que poderão ser desenvolvidas nas escolas sobre a temática trabalho escravo, foi realizada uma reunião, na manhã desta segunda-feira, 29, com representantes da Secretaria de Estado da Educação, Juventude e Esportes (Seduc), da Secretaria do Trabalho e Assistência Social (Setas) e da Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju) e da ONG Repórter Brasil.

A Seduc retoma uma parceria com a ONG Repórter Brasil, que irá atuar, em 2018, nas Diretorias Regionais de Educação de Araguaína, Araguatins, Colinas, Gurupi, Paraíso, Palmas, Porto Nacional e Tocantinópolis, com o projeto “Escravo, nem pensar”.  A previsão é que sejam contemplados 103 municípios e 376 escolas.

Estão em Palmas, representando a ONG Repórter Brasil, os consultores Thiago Casteli e Rodrigo Teruel. Durante a reunião, foram apresentados vídeos com histórias de famílias ou trabalhadores que atuaram ou atuam em serviços análogos ao trabalho escravo.

No Tocantins, existe um Plano Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo, Decreto nº 3.223, de 28 de novembro de 2007, cuja meta 524 é implementar o projeto “Escravo, nem Pensar”, visando à capacitação de professores e lideranças comunitárias em torno do tema. No Plano Estadual de Educação do Tocantins (PEE/TO 2015 a 2025), a estratégia 12.5 “garante a formação de parcerias com órgãos governamentais e não governamentais para o enfrentamento de todas as formas de violência, discriminação, preconceito e exploração sexual e do trabalho de crianças, jovens, adultos e idosos(as), a fim de promover a construção da cultura de paz e da não violência, assegurando um ambiente dotado de segurança para a comunidade escolar”.

A secretária de Estado da Educação, Juventude e Esportes, professora Wanessa Zavarese Sechim, explicou que no Tocantins, por meio de uma parceria com o Banco Mundial, estão sendo realizados diagnósticos em cidades localizadas ao longo da BR-153 como Barrolândia, Pugmil, Aliança do Tocantins, Wanderlândia, Aguiarnópolis e Colinas do Tocantins. Esse diagnóstico tem o objetivo de identificar as causas do abandono escolar de alunos que cursam o ensino médio. “Queremos entender porque esses estudantes estão saindo da escola para discutimos políticas públicas e garantir que esses jovens continuem seus estudos”, disse.

Thiago Casteli contou que o Tocantins está sendo um dos primeiros estados a desenvolver um projeto para identificar as causas do abandono escolar. “Em outros municípios e estados percebemos que há uma preocupação com o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Em alguns casos, muitos estudantes do ensino médio abandonam a escola por um período para irem trabalhar em outros estados nas colheitas de frutas ou outros serviços”, frisou.

A proposta é desenvolver nas escolas ações com o intuito de prevenir e diminuir o aliciamento de jovens para o trabalho escravo e para o tráfico de pessoas. A equipe da ONG Repórter Brasil promoverá uma formação para gestores e técnicos das Diretorias de Educação envolvidas com o projeto.

Maria do Socorro Soares Coelho, gerente de Educação do Campo e Quilombola, explicou que os consultores da ONG Repórter Brasil realizarão, a partir desta terça-feira, 30, visitas técnicas nas Diretorias Regionais de Palmas, Gurupi, Colinas e Porto Nacional.

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Escravo? Nem pensar!

Confira aqui a notícia publicada originalmente no site do Instituto C&A.

Em dezembro do ano passado iniciamos uma parceria com o programa Escravo, nem pensar! (ENP!), criado pela ONG Repórter Brasil, com o objetivo de engajar servidores públicos das áreas de educação e de assistência social do município de São Paulo na prevenção do trabalho infantil e escravo.

Por meio de formações, o programa sensibiliza e capacita esses profissionais sobre temas como trabalho escravo, trabalho infantil e migração, com o intuito de ampliar e aprimorar o atendimento a imigrantes e seus familiares nos serviços públicos da cidade, como escolas e unidades de atendimento da assistência social.

 

“A iniciativa surgiu porque há uma quantidade grande de imigrantes no município – muitos dos quais acompanhados por suas famílias – que têm procurado escolas, assistência social, serviços de saúde e empregos. Grande parte deles se encontra em situação de vulnerabilidade socioeconômica e, portanto, exposta a situações de exploração, como o trabalho escravo”, explica Natália Suzuki, coordenadora do ENP!

A coordenadora afirma que em 2013 e 2014 houve aumento do número dessas ocorrências em São Paulo, o que fez com que o estado ocupasse a posição de campeão e vice-campeão, respectivamente, no ranking nacional de estados flagrados com trabalho escravo.

Natália avalia que a parceria com o Instituto C&A é muito importante para ampliar a atuação do ENP!, pois permitirá a inclusão de mais escolas no programa e o aumento da capacitação dos assistentes sociais. “Vamos reforçar o trabalho que vínhamos realizando, fortalecendo a rede de proteção ao imigrante com o intuito de erradicar essas práticas na cidade de São Paulo.”

Com a parceria do Instituto C&A, o ENP! pretende alcançar mais de cinco mil pessoas no município com as novas ações de prevenção ao trabalho escravo e infantil, que serão realizadas até 2019. “Queremos envolver alunos e outras pessoas de suas comunidades em ações de conscientização sobre os direitos dos imigrantes e situações de violação, como o trabalho escravo e o trabalho infantil”, afirma Natália.

Para o desenvolvimento do projeto o programa conta com o apoio de instituições do poder público, como a Defensoria Pública da União, o Ministério Público do Trabalho, a Superintendência Regional do Trabalho e as secretarias de Educação e de Assistência Social do município de São Paulo. O ENP! também tem trabalhado com outras organizações da sociedade civil, como o Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (Cami) e a Missão Paz.

“O Instituto C&A acredita que só conseguiremos erradicar o trabalho escravo e infantil unindo esforços e engajando diferentes organizações. O ENP! tem exatamente esse foco ao fortalecer a atuação de profissionais da educação e da assistência para melhor atendimento de populações migrantes em situação de vulnerabilidade na cidade de São Paulo”, avalia Luciana Almeida, gerente de Direitos Humanos e Transformação da Cadeia de Fornecimento.

Conheça o nosso programa de combate ao trabalho forçado e ao trabalho infantil. Clique aqui e saiba mais sobre as nossas iniciativas

Saiba mais sobre o programa aqui

Fotos: Acervo Repórter Brasil

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II Seminário Dezembro Imigrante promove encontro multicultural entre educadores da RME

Confira aqui a notícia originalmente publicada no site da Prefeitura de São Paulo.

Evento contou com apresentações artísticas, projetos e relatos de práticas dos educadores.

 

Na última terça, 12 de dezembro, aconteceu no auditório da Uninove, Campus Barra Funda, o II Seminário Dezembro Imigrante – Educar para integrar: somos todos migrantes.

O encontro foi realizado com o objetivo de discutir questões transversais de interesse dos participantes, como o acesso das populações imigrantes e refugiadas aos serviços públicos de educação, saúde, cultura e trabalho.

O evento teve, como público alvo, Bibliotecários, Coordenadores Pedagógicos, Professores de Educação Infantil, Professores de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, Professores de Ensino Fundamental II e Médio, Auxiliares Técnicos de Educação, Agentes de Apoio, Agentes Escolares, Diretores de Escola e Assistentes de Diretor de Escola das 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs) e da Secretaria Municipal de Educação (SME).
Para a cerimônia de abertura do Seminário foi convidado o Diretor do Núcleo Técnico do Currículo (NTC) da Coordenadoria Pedagógica (COPED), Wagner Barbosa de Lima Palanch. Wagner comentou sobre os estudantes imigrantes matriculados na Rede Municipal de Ensino.

“A cidade de São Paulo atende, atualmente, mais de 80 etnias. Isso é motivo de orgulho, pois essas etnias trazem diferentes culturas e ideias”, revela o Diretor.

Na sequência, a Coordenadora do Núcleo de Educação Étnico-Racial, Vera Lúcia Benedito, fez a leitura de um texto introdutório sobre as ações da SME em parceria com organizações da sociedade civil. “A SME tem desenvolvido projetos envolvendo formação de professores, estudantes e famílias com propostas pedagógicas de inovação e acompanhamento psicopedagógico, o que possibilita uma renovação da prática pedagógica do cotidiano escolar levando em conta a interculturalidade”, conta Vera.

A Coordenadora Vera chamou ao palco a Professora da Rede Municipal de Ensino (RME) e Mestre em Educação, Iolanda Cruz Teles, para realizar a mediação dos trabalhos no período da manhã e apresentar os convidados à plateia.

O Diretor da Divisão de Educação para Jovens e Adultos (DIEJA) da SME, Professor Edgar Alves da Silva, comentou sobre o programa Portas Abertas, iniciativa de ensino de português para imigrantes idealizada no começo desse ano e realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC). “O programa Portas Abertas – Português para Imigrantes foi pensado para integrar as pessoas no cotidiano por meio do uso da língua portuguesa. Esse programa tem muitas chances de continuar e ser expandido na cidade”, revela Edgar.

Jornalista e Mestre em Ciências Políticas (USP), Natália Suzuki atualmente coordena o projeto “Escravo nem Pensar!”, um programa de Educação da ONG Repórter Brasil que aborda em unidades da RME o tema da imigração e a prevenção do trabalho escravo. Natália discorreu sobre o tema e promoveu a exibição do vídeo “Escravo nem Pensar.

Dando continuidade às apresentações, o Professor Osvaldo Alves Brito relatou a sua participação no projeto Portas Abertas na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Fábio da Silva Prado, da Diretoria Regional de Educação (DRE) Penha. “Abrimos duas turmas, uma no período da noite e a outra à tarde. Temos dois grupos maioritários – sírios e colombianos. O maior desafio foi integrar esses grupos tão diferentes. Ao pensarmos em situações de integração para ambos os grupos, encontramos o caminho da culinária. Para mim, o mais gratificante é que a escola pública realmente abriu as portas para todas as pessoas de qualquer origem, gênero e etnia”, afirma Osvaldo.

A palestrante Kyoko Yanaguida Nakagawa prosseguiu com uma explanação sobre o projeto Kaeru, programa que busca a inclusão escolar e social dos filhos dos decasséguis retornados do Japão.

O encerramento das atividades no período da manhã ficou por conta de uma palestra de Antônio Andrade sobre os aspectos culturais da Bolívia e a apresentação cultural do grupo Bolívia Cultural e Kollasuyo Maya. A palestra e a apresentação podem ser conferidas neste link.
No período da tarde, as apresentações tiveram início com o relato de Márcia Kay sobre o projeto Olhares Cruzados sobre a diversidade de São Paulo.
Dando continuidade à temática de projetos, Ana Carolina Prado Alonso apresentou ao público informações sobre o desenvolvimento do projeto “Cidadãs do Mundo, Crianças Refugiadas”.

Em seguida, o Professor Cláudio Marques, da EMEF Infante Dom Henrique e da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Carolina de Jesus, relatou algumas atividades desenvolvidas nestas unidades com a temática dos imigrantes.

A professora de história da EMEF Infante Dom Henrique, Rosely Marchetti Honório, finalista no prêmio Educador Nota 10, apresentou ao público algumas práticas do projeto “O migrante mora em minha casa”.

As apresentações do período da tarde foram mediadas pelo representante da SME, Luiz Fernando de Lourdes.

O encerramento do evento contou com a apresentação artística de Lilibell Torrejón e o coletivo “Se busca uma banda”.

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“Escravo, nem pensar!” – uma política de prevenção ao trabalho escravo

Confira aqui o artigo publicado originalmente no site do Instituto Trabalho Digno

Por Natalia Suzuki, coordenadora do programa Escravo, nem Pensar! da ONG Repórter Brasil

A despeito de, nos últimos 20 anos, termos libertado mais de 53 mil trabalhadores, frequentemente afirmamos que há muito a ser feito e estamos longe de erradicar o trabalho escravo no Brasil. Essa sensação de insuficiência não nos vem apenas quando enfrentamos um ano como o de 2017, em que uma portaria como a 1.129 é publicada pelo Ministério do Trabalho para fragilizar o trabalho de fiscalização dos seus próprios auditores, mas quando constatamos que novos casos de trabalho escravo continuam surgindo e os trabalhadores resgatados são reiteradamente explorados.

Se realmente achamos que temos que avançar no combate ao trabalho escravo, por que não investimos nossos esforços também nas outras duas linhas de ação do Plano de Erradicação ao Trabalho Escravo – a prevenção e a assistência à vítima –, que são ainda muito acanhadas? Em termos de política pública, o Estado avançou pouco em institucionalizar medidas dessas duas searas, as quais ainda são empreendidas pela sociedade civil. O resultado disso é termos consolidado uma política repressiva, conduzida por órgãos estatais, que fiscalizam e responsabilizam aqueles que praticam o crime, mas não possuirmos diretrizes nacionais sobre como realizar o atendimento das vítimas e suas famílias no pós-resgate ou orientações sobre ações de prevenção. Por concisão, tratarei somente sobre o último ponto aqui.

Falar sobre prevenção é capcioso, porque costumamos tratá-la como algo sendo prementemente necessário, mas pouco palpável. Seria uma campanha? A difusão de informação? Se sim, como realizar isso em termos de política de Estado?

Não tenho todas as respostas para essas questões, mas gostaria de reservar os últimos parágrafos que me restam sobre a experiência do Escravo, nem pensar! (ENP!), com o intuito de deixar algumas reflexões e apontamentos do que podemos fazer para o futuro. A missão desse programa da Repórter Brasil, desde a sua gênese, é a prevenção ao trabalho escravo por meio da educação1. A ideia era fazer com que o tema fosse abordado nas escolas de municípios de maior ocorrência do trabalho escravo, a partir da formação de professores da rede pública sobre o tema.

Em 2012, após oito anos da criação do programa, foi feita uma reflexão a respeito dos dados quantitativos alcançados pelo ENP! até então: 2,5 mil professores formados em 50 municípios. O que isso significava para o cenário de combate ao trabalho escravo no Brasil? Sinceramente, muito pouco. Os casos de trabalho escravo não cessavam de surgir, assim como aumentava a lista de municípios com registros do problema. Seriam necessárias décadas para cobrir com as formações todo o território acometido pelo trabalho escravo se mantivéssemos o mesmo tipo de ação.

Assim, enfrentamos uma revisão metodológica do programa com o objetivo de ampliar a escala geográfica e de beneficiários de forma mais célere. Cabia agora ao ENP! realizar formações em nível estadual, em parceria com governos de estados, durante um período fixo de 18 meses, e colocar em prática uma metodologia de multiplicação e capilarização na rede pública por meio da formação de técnicos, os quais são responsáveis por formar os professores2. Com essas diretrizes, entre 2015 e 2017, concluímos dois projetos, um no Maranhão3 e outro no Pará4, que alcançaram, em 128 municípios, mais de 270 mil pessoas, hoje, informadas e mobilizadas sobre os riscos de trabalho escravo, além de estarem aptas a encaminharem novas denúncias a órgãos competentes.

Em 2018, será finalizada uma ação semelhante na Bahia, além de outras a serem iniciadas em Minas Gerais e Tocantins, além de uma dobradinha no Maranhão, para abrangermos as regiões que não foram contempladas na primeira fase do projeto. Ademais, compreendemos que a proposta formativa sobre o trabalho escravo pode e deve incluir outros atores que são essenciais para a erradicação do problema em longo prazo. O primeiro passo nesse sentido foi estender o processo formativo para profissionais da Assistência Social por considerá-los fundamentais no atendimento de trabalhadores e suas famílias vulneráveis5.

Disso tudo, quais apontamentos podemos extrair? A primeira questão se refere à relação que nós, da sociedade civil, estabelecemos com o Estado. Se, em muitos momentos, é preciso tomar uma postura combativa em relação a ele, cobrando que assuma seus compromissos republicanos e em defesa de um Estado de Direito, em outras situações, é preciso tê-lo como o único parceiro que dispõe de recursos – como os burocráticos – para capilarizar as ações6. Na atual conjuntura, a sociedade civil pode e, talvez, deva assumir a dianteira de muitas iniciativas, mas deve haver uma preocupação de torná-las perenes, e isso somente é garantido quando são institucionalizadas como política de Estado. Por fim, é importante, em dado momento do desenvolvimento de uma ação, pararmos para revisar e avaliar o que está sendo feito e se é o caso de redirecionarmos as atividades que empreendemos. Manter o olhar insatisfeito sobre as nossas realizações permite que coloquemos no horizonte a possibilidade de mudanças em busca de melhorias e avanços.

Referências

1 O Escravo, nem pensar! é meta 41 do 2º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo: “Promover o desenvolvimento do programa “Escravo, nem pensar!” de capacitação de professores e lideranças populares para o combate ao trabalho escravo, nos estados em que ele é ação do Plano Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo”.

O direcionamento da formação do ENP! aos técnicos (e não mais aos professores) foi uma escolha estratégica, porque esses profissionais conseguem formar os professores em diferentes municípios devido às funções já previstas em seu trabalho.

3 Para mais informações sobre o projeto no Maranhão, entre 2015 e 2016, acesse: Projeto de prevenção ao trabalho escravo no Maranhão alcança mais de 130 mil pessoas

4 Para mais detalhes sobre o projeto no Pará, entre 2016 e 2017, acesse: Mais de 140 mil pessoas são prevenidas contra o trabalho escravo em estado campeão de casos.

5 Em 2017, o Escravo nem pensar inicia para esses profissionais no município de São Paulo, com o intuito de ampliar e melhor o atendimento, principalmente, para migrantes internacionais suscetíveis à exploração em relações trabalhistas. Leia mais.

6 Após o projeto desenvolvido no Maranhão pelo ENP!, a rede pública inseriu o tema do trabalho escravo nos Cadernos de História e Sociologia, em que constam as orientações curriculares para o Ensino Médio da rede estadual do Maranhão. Isso significa que, nos próximos anos, está previsto que os alunos do Ensino Médio maranhense sejam confrontados com a questão em sala de aula.

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Reflexão sobre a história da família combate a intolerância

Por: Pedro Annunciato

Confira aqui a matéria originalmente publicada no site da Nova Escola.

Camila retratou os rostos do pai portiguar, da mãe, paraguaia, e de parte dos irmãos. Na família de Yamelin, ela representou os pais, bolivianos. Ela não conheceu os avós

“Até pouco tempo atrás, este local estava lacrado. Aqui o Ministério Público fechou uma confecção que explorava trabalho escravo de imigrantes.” Foi assim que a professora de História Rosely Marchetti Honório contou, para seus alunos do 6º ano, durante um passeio pelo bairro do Pari, em São Paulo, o que acontecia naquela esquina da Rua Gustavo Bresser com a Silva Teles, em uma movimentada região de comércio.

As crianças olhavam a fachada com espanto. Quem poderia imaginar que, a menos de 2 quilômetros da EMEF Infante Dom Henrique, onde estudam, havia pessoas trabalhando em condições que se assemelham à escravidão? “Pensava que isso era coisa de antigamente”, espantou-se Camila Morinigo da Silva, 12 anos.

Todos os alunos vivem nos arredores do Canindé, bairro vizinho à escola, que é referência no acolhimento de imigrantes. São, em maioria, filhos de migrantes de outros estados ou de países. Mariana Victoria, 12 anos, é de família boliviana, mas já nasceu aqui. “Nós sempre paramos na frente da televisão quando tem uma reportagem sobre trabalho escravo. Mas nunca tinha visto de perto”, conta. Agora, diante da oficina, era como se os olhos se abrissem.

Essa jornada de redescoberta começou porque Rosely andava preocupada. “Havia episódios de preconceito na escola, apesar de todo o esforço para evitar isso”, conta a docente. Ela começou a pensar em como poderia abordar a questão das migrações e suas consequências, e notou que muitas crianças não conheciam a história do lugar onde viviam. E mais: não tinham sequer clareza sobre a trajetória da própria família.

Viu que apostar na reconstituição dessa trajetória pessoal e local poderia ajudar na construção de um sentimento de empatia entre todos. Então, decidiu arregaçar as mangas e colocar em prática o projeto O Migrante Mora em Minha Casa.

De onde vem cada um

A primeira atividade era uma investigação sobre as próprias origens. Rosely pediu que os alunos fizessem um desenho com o tema “Uma Família”. Poderiam desenhar qualquer família, mas a maioria optou por desenhar a sua própria.

Yamelin Larico, 12 anos, não conseguiu terminar. Não que Rosely tenha dado pouco tempo – foram duas aulas inteiras só para isso. É que ela, “a desenhista da turma”, nas palavras do colega Jhonny Vasconcelos, quis desenhar o pai e a mãe minuciosamente. Camila adotou uma estratégia diferente: fez somente os rostos do máximo de gente que conseguiu. Jhonny se retratou ao lado do pai, com quem gosta de jogar futebol.

Cada aluno acabou transmitindo no desenho o tipo de relação que tem com a família. “Alguns se desenharam afastados dos pais no papel, o que correspondia ao isolamento que sentem. Outros fizeram familiares sem rosto, pois não entendiam quem eram essas pessoas”, analisa Rosely. “Essa proposta mostra a sensibilidade da professora. Muitas crianças no 6º ano sentem grande dificuldade de se expressar por escrito. Com o desenho, ela deixou as crianças mais à vontade para transmitir o que queriam”, elogia Antonia Terra, selecionadora do Prêmio Educador Nota 10.

A turma observo o bairro para identificar oficinas flagradas com trabalho escravo

Depois, por meio de entrevistas em casa, os estudantes tiveram que construir suas árvores genealógicas até os avós, registrando o lugar de origem de cada membro. Houve quem não conseguiu, mesmo perguntando, descobrir essas informações, e alguns campos ficaram em branco. Outros não sabiam contar o pouco que ouviram em casa. Não se sentiam à vontade. Mas a professora, pacientemente, fazia perguntas que ajudassem nesse trabalho de reconstrução: “Quem mora com você?”, “E seus avós, você conhece?”, “Me fale um pouco mais sobre seu desenho”.

Assim, foi possível levantar e tabular dados suficientes para concluir que quase todos, brasileiros ou não, eram filhos de migrantes. Numa roda de conversa sobre a diversidade na escola, os alunos concluíram que a migração é um direito dos que procuram uma vida melhor. Na aula expositiva sobre fluxos migratórios, compararam os processos ocorridos no início do século 19 e o fenômeno atual. Assistindo os filmes Kiriku, os Homens e as Mulheres e O Menino do Pijama Listrado, levantaram discussões sobre preconceito e racismo. E, finalmente, chegaram à questão do trabalho escravo contemporâneo.

O problema assola a região central de São Paulo, apinhada de oficinas de costura. Alguns donos de confecção se aproveitam da vulnerabilidade dos estrangeiros e os submetem a 10, 12 horas de expediente, com pagamentos praticamente nulos e locais de trabalho precários. Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) disponíveis na plataforma Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil (bit.ly/observatorio-escravo), só no ano passado foram 38 resgates de trabalhadores nessas condições na cidade.

Foi aí que surgiu a ideia do passeio pelo bairro. Depois da visita, a professora aprofundou a discussão trazendo para a sala oito reportagens divulgadas pela imprensa sobre o tema. Além das matérias, Rosely destacou comentários agressivos ou preconceituosos de leitores a respeito da notícia. “Imaginei que, àquela altura, os alunos conseguiriam avaliar criticamente o nível de agressividade das falas. Mas não foi isso o que aconteceu.”

A saída pelo conhecimento

Era a vez de Rosely ficar surpresa. Mesmo depois de tudo que viram, a discussão sobre as notícias mostrou que muitos ainda tinham pouca sensibilidade em relação à questão. “Boa parte deles concordou com os comentários dos leitores. A discriminação estava mesmo arraigada”, conta a professora. Foi então que a ajuda de um colega se mostrou fundamental.

Cesar Sampaio, professor de informática, já acompanhava o projeto desde o início. Nesse ponto, ofereceu à Rosely vídeos, dados e textos produzidos pela ONG Repórter Brasil a respeito de trabalho escravo. “Tive contato com esse material em uma formação, e achei que ele seria útil para sensibilizar a turma”, lembra Cesar.

Abriu-se mais um ciclo de atividades, com a exibição de vídeos (você pode encontrar alguns deles em bit.ly/reporter-brasil) e debates sobre como o Brasil recebia seus imigrantes. “Aos poucos, as respostas foram mudando”, explica a docente. Por fim, Rosely, Cesar e a turma resolveram elaborar um panfleto educativo para alertar a comunidade do entorno sobre o tema.

“Rosely conseguiu estabelecer um diálogo entre a história local e pessoal, a formação do país e um problema atual que faz parte do cotidiano”, explica Antonia Terra. De fato, Yamelin, Marina, Camila, Jhonny e tantos outros tiveram a oportunidade de compreender melhor as próprias origens e como elas dialogam com a história do bairro, da cidade, do Brasil. Sabem que, de alguma forma, participam da humanidade – e são marcados pelos problemas que ela enfrenta.

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