Educadores do Pará
Em 2016 e 2017, a Repórter Brasil e a Secretaria de Estado da Educação do Pará (Seduc-PA) preveniram 250.775 pessoas do trabalho escravo no estado, por meio de projetos educacionais implementados em 295 escolas de 47 municípios paraenses. O resultado decorre da formação continuada protagonizada pelo Escravo, nem pensar! para profissionais de oito Unidades Regionais de Educação (URE), responsáveis pela administração das escolas do interior, e de 17 USEs, que cuidam das unidades da capital e sua região metropolitana. As UREs selecionadas foram: Abaetetuba, Castanhal, Conceição do Araguaia, Mãe do Rio, Marabá, Tucuruí e Santa Izabel do Pará. A formação abordou o tema do trabalho escravo e assuntos correlatos, como aliciamento, migração, trabalho infantil e tráfico de pessoas. Esses profissionais formados levaram o conteúdo para as escolas e orientaram pedagogicamente as ações.
Acesse aqui o caderno de resultados do projeto.
O projeto foi apoiado pelo Ministério Público do Trabalho e contou com a parceria da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, Secretaria Extraordinária de Estado de Integração de Políticas Sociais, Comissão Estadual Para a Erradicação do Trabalho Escravo no Pará e Comissão Pastoral da Terra.
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O mais importante foi dar visibilidade e chamar atenção para o trabalho escravo a fim de despertar maior conscientização da classe estudantil sobre um tema de suma importância que muitas vezes é desconhecido. (...) Quando se conhece o problema, e chamamos a atenção da sociedade para essa questão, a sociedade também passa a ser uma aliada nessa luta.
Silvia da Silva Silva e Roberto Ruy Rutowitcz Netto, procuradores do Trabalho do Ministério Público do Pará
A parceria com a ONG Repórter Brasil foi de fundamental importância, pois possibilitou o olhar mais cuidadoso a respeito do trabalho escravo nas regiões no estado. Os resultados positivos somam o fortalecimento da Educação em direitos humanos fazendo parte da transversalidade dos currículos escolares.
Ana Cláudia Hage, secretária de Educação do estado do Pará
O programa ENP! foi e continua sendo muito importante no combate e na prevenção ao trabalho escravo na região. O processo formativo traz novas metodologias de como estimular a consciência crítica e reconhecer que o trabalho escravo existe e precisa ser combatido. Hoje temos mais pessoas conscientes e mobilizadas para continuar o trabalho de prevenção nas escolas, nas associações de bairros, nos acampamentos de trabalhadores e trabalhadoras sem terras.
Geuza Morgado, agente da Comissão Pastoral da Terra de Marabá
Destaca-se que o sucesso do projeto só foi possível pelo entendimento de responsabilidade compartilhada. A união de parceiros traçou metas de execução e cumpriu essas metas, o projeto é a materialização de uma ação transversal e harmônica, o que sempre será a fórmula para se chegar ao objetivo maior que, nesse caso, é proteger vidas e garantir o trabalho digno e decente.
Michell Durans, secretário de Justiça e Direitos Humanos do estado do Pará
O desenvolvimento do projeto “Escravo, nem pensar!”, por meio da estratégia pedagógica da multiplicação em grande escala, possibilitou ampliar significativamente o alcance da prevenção ao trabalho escravo em oito regiões no estado do Pará. As atividades educativas desenvolvidas nas escolas deram grande visibilidade a esta problemática. (...) O projeto, desta forma, contribuiu para o processo de desconstrução das relações de exploração do trabalho. Diversas escolas da região encaminharam a recomendação de incorporar o tema no Projeto Político Pedagógico para dar continuidade às ações educativas sobre o tema.
Ana Souza Pinto, agente da Comissão Pastoral da Terra de Xinguara