#119 A CLT ficou ‘cringe’? Entenda por que a Carteira de Trabalho se tornou motivo de chacota da Geração Z.

O Brasil bateu recorde na criação de empregos com carteira assinada, segundo o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados no último dia 30. Apesar disso, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) tem sido alvo de campanhas infames em redes sociais populares entre a juventude, e se tornou um xingamento entre a Geração Z.

​​Em plataformas como Instagram e Tik Tok, tornou-se comum encontrar conteúdos em que jovens descrevem o trabalho com carteira assinada de forma negativa, associando-o a rotinas marcadas por deslocamentos longos, relações hierárquicas rígidas, ambientes de trabalho desgastantes e baixa remuneração. Esse tipo de representação ajuda a explicar a resistência de parte da juventude ao regime formal de trabalho.

Como consequência, muitos jovens se iludem com promessas de dinheiro fácil nas redes sociais. Coachings e influenciadores vendem cursos e mentorias para enriquecer sem patrão e sem CLT. Segundo estudo do Deep Lab, da University College Dublin, esse ecossistema reforça uma meritocracia distorcida, prometendo liberdade e sucesso, mas escondendo uma lógica de pirâmide econômica altos custos e frustrações. 

Diante desse desencanto com o trabalho formal, é fundamental relembrar a origem e os objetivos da CLT na garantia de condições mínimas de dignidade. A CLT foi promulgada em 1943 e foi responsável por garantir importantes direitos trabalhistas, como a jornada máxima de oito horas diárias, o direito a férias, ao 13º salário e à proteção contra demissões arbitrárias. Embora precise ser constantemente atualizada para responder às transformações do mundo do trabalho, ela continua sendo um instrumento fundamental para a garantia da proteção do trabalho decente no Brasil. 

Card: Rodrigo Bento/ Repórter Brasil.

Publicado em 8 de julho de 2025