II Seminário Dezembro Imigrante promove encontro multicultural entre educadores da RME

Confira aqui a notícia originalmente publicada no site da Prefeitura de São Paulo.

Evento contou com apresentações artísticas, projetos e relatos de práticas dos educadores.

 

Na última terça, 12 de dezembro, aconteceu no auditório da Uninove, Campus Barra Funda, o II Seminário Dezembro Imigrante – Educar para integrar: somos todos migrantes.

O encontro foi realizado com o objetivo de discutir questões transversais de interesse dos participantes, como o acesso das populações imigrantes e refugiadas aos serviços públicos de educação, saúde, cultura e trabalho.

O evento teve, como público alvo, Bibliotecários, Coordenadores Pedagógicos, Professores de Educação Infantil, Professores de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, Professores de Ensino Fundamental II e Médio, Auxiliares Técnicos de Educação, Agentes de Apoio, Agentes Escolares, Diretores de Escola e Assistentes de Diretor de Escola das 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs) e da Secretaria Municipal de Educação (SME).
Para a cerimônia de abertura do Seminário foi convidado o Diretor do Núcleo Técnico do Currículo (NTC) da Coordenadoria Pedagógica (COPED), Wagner Barbosa de Lima Palanch. Wagner comentou sobre os estudantes imigrantes matriculados na Rede Municipal de Ensino.

“A cidade de São Paulo atende, atualmente, mais de 80 etnias. Isso é motivo de orgulho, pois essas etnias trazem diferentes culturas e ideias”, revela o Diretor.

Na sequência, a Coordenadora do Núcleo de Educação Étnico-Racial, Vera Lúcia Benedito, fez a leitura de um texto introdutório sobre as ações da SME em parceria com organizações da sociedade civil. “A SME tem desenvolvido projetos envolvendo formação de professores, estudantes e famílias com propostas pedagógicas de inovação e acompanhamento psicopedagógico, o que possibilita uma renovação da prática pedagógica do cotidiano escolar levando em conta a interculturalidade”, conta Vera.

A Coordenadora Vera chamou ao palco a Professora da Rede Municipal de Ensino (RME) e Mestre em Educação, Iolanda Cruz Teles, para realizar a mediação dos trabalhos no período da manhã e apresentar os convidados à plateia.

O Diretor da Divisão de Educação para Jovens e Adultos (DIEJA) da SME, Professor Edgar Alves da Silva, comentou sobre o programa Portas Abertas, iniciativa de ensino de português para imigrantes idealizada no começo desse ano e realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC). “O programa Portas Abertas – Português para Imigrantes foi pensado para integrar as pessoas no cotidiano por meio do uso da língua portuguesa. Esse programa tem muitas chances de continuar e ser expandido na cidade”, revela Edgar.

Jornalista e Mestre em Ciências Políticas (USP), Natália Suzuki atualmente coordena o projeto “Escravo nem Pensar!”, um programa de Educação da ONG Repórter Brasil que aborda em unidades da RME o tema da imigração e a prevenção do trabalho escravo. Natália discorreu sobre o tema e promoveu a exibição do vídeo “Escravo nem Pensar.

Dando continuidade às apresentações, o Professor Osvaldo Alves Brito relatou a sua participação no projeto Portas Abertas na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Fábio da Silva Prado, da Diretoria Regional de Educação (DRE) Penha. “Abrimos duas turmas, uma no período da noite e a outra à tarde. Temos dois grupos maioritários – sírios e colombianos. O maior desafio foi integrar esses grupos tão diferentes. Ao pensarmos em situações de integração para ambos os grupos, encontramos o caminho da culinária. Para mim, o mais gratificante é que a escola pública realmente abriu as portas para todas as pessoas de qualquer origem, gênero e etnia”, afirma Osvaldo.

A palestrante Kyoko Yanaguida Nakagawa prosseguiu com uma explanação sobre o projeto Kaeru, programa que busca a inclusão escolar e social dos filhos dos decasséguis retornados do Japão.

O encerramento das atividades no período da manhã ficou por conta de uma palestra de Antônio Andrade sobre os aspectos culturais da Bolívia e a apresentação cultural do grupo Bolívia Cultural e Kollasuyo Maya. A palestra e a apresentação podem ser conferidas neste link.
No período da tarde, as apresentações tiveram início com o relato de Márcia Kay sobre o projeto Olhares Cruzados sobre a diversidade de São Paulo.
Dando continuidade à temática de projetos, Ana Carolina Prado Alonso apresentou ao público informações sobre o desenvolvimento do projeto “Cidadãs do Mundo, Crianças Refugiadas”.

Em seguida, o Professor Cláudio Marques, da EMEF Infante Dom Henrique e da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Carolina de Jesus, relatou algumas atividades desenvolvidas nestas unidades com a temática dos imigrantes.

A professora de história da EMEF Infante Dom Henrique, Rosely Marchetti Honório, finalista no prêmio Educador Nota 10, apresentou ao público algumas práticas do projeto “O migrante mora em minha casa”.

As apresentações do período da tarde foram mediadas pelo representante da SME, Luiz Fernando de Lourdes.

O encerramento do evento contou com a apresentação artística de Lilibell Torrejón e o coletivo “Se busca uma banda”.

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“Escravo, nem pensar!” – uma política de prevenção ao trabalho escravo

Confira aqui o artigo publicado originalmente no site do Instituto Trabalho Digno

Por Natalia Suzuki, coordenadora do programa Escravo, nem Pensar! da ONG Repórter Brasil

A despeito de, nos últimos 20 anos, termos libertado mais de 53 mil trabalhadores, frequentemente afirmamos que há muito a ser feito e estamos longe de erradicar o trabalho escravo no Brasil. Essa sensação de insuficiência não nos vem apenas quando enfrentamos um ano como o de 2017, em que uma portaria como a 1.129 é publicada pelo Ministério do Trabalho para fragilizar o trabalho de fiscalização dos seus próprios auditores, mas quando constatamos que novos casos de trabalho escravo continuam surgindo e os trabalhadores resgatados são reiteradamente explorados.

Se realmente achamos que temos que avançar no combate ao trabalho escravo, por que não investimos nossos esforços também nas outras duas linhas de ação do Plano de Erradicação ao Trabalho Escravo – a prevenção e a assistência à vítima –, que são ainda muito acanhadas? Em termos de política pública, o Estado avançou pouco em institucionalizar medidas dessas duas searas, as quais ainda são empreendidas pela sociedade civil. O resultado disso é termos consolidado uma política repressiva, conduzida por órgãos estatais, que fiscalizam e responsabilizam aqueles que praticam o crime, mas não possuirmos diretrizes nacionais sobre como realizar o atendimento das vítimas e suas famílias no pós-resgate ou orientações sobre ações de prevenção. Por concisão, tratarei somente sobre o último ponto aqui.

Falar sobre prevenção é capcioso, porque costumamos tratá-la como algo sendo prementemente necessário, mas pouco palpável. Seria uma campanha? A difusão de informação? Se sim, como realizar isso em termos de política de Estado?

Não tenho todas as respostas para essas questões, mas gostaria de reservar os últimos parágrafos que me restam sobre a experiência do Escravo, nem pensar! (ENP!), com o intuito de deixar algumas reflexões e apontamentos do que podemos fazer para o futuro. A missão desse programa da Repórter Brasil, desde a sua gênese, é a prevenção ao trabalho escravo por meio da educação1. A ideia era fazer com que o tema fosse abordado nas escolas de municípios de maior ocorrência do trabalho escravo, a partir da formação de professores da rede pública sobre o tema.

Em 2012, após oito anos da criação do programa, foi feita uma reflexão a respeito dos dados quantitativos alcançados pelo ENP! até então: 2,5 mil professores formados em 50 municípios. O que isso significava para o cenário de combate ao trabalho escravo no Brasil? Sinceramente, muito pouco. Os casos de trabalho escravo não cessavam de surgir, assim como aumentava a lista de municípios com registros do problema. Seriam necessárias décadas para cobrir com as formações todo o território acometido pelo trabalho escravo se mantivéssemos o mesmo tipo de ação.

Assim, enfrentamos uma revisão metodológica do programa com o objetivo de ampliar a escala geográfica e de beneficiários de forma mais célere. Cabia agora ao ENP! realizar formações em nível estadual, em parceria com governos de estados, durante um período fixo de 18 meses, e colocar em prática uma metodologia de multiplicação e capilarização na rede pública por meio da formação de técnicos, os quais são responsáveis por formar os professores2. Com essas diretrizes, entre 2015 e 2017, concluímos dois projetos, um no Maranhão3 e outro no Pará4, que alcançaram, em 128 municípios, mais de 270 mil pessoas, hoje, informadas e mobilizadas sobre os riscos de trabalho escravo, além de estarem aptas a encaminharem novas denúncias a órgãos competentes.

Em 2018, será finalizada uma ação semelhante na Bahia, além de outras a serem iniciadas em Minas Gerais e Tocantins, além de uma dobradinha no Maranhão, para abrangermos as regiões que não foram contempladas na primeira fase do projeto. Ademais, compreendemos que a proposta formativa sobre o trabalho escravo pode e deve incluir outros atores que são essenciais para a erradicação do problema em longo prazo. O primeiro passo nesse sentido foi estender o processo formativo para profissionais da Assistência Social por considerá-los fundamentais no atendimento de trabalhadores e suas famílias vulneráveis5.

Disso tudo, quais apontamentos podemos extrair? A primeira questão se refere à relação que nós, da sociedade civil, estabelecemos com o Estado. Se, em muitos momentos, é preciso tomar uma postura combativa em relação a ele, cobrando que assuma seus compromissos republicanos e em defesa de um Estado de Direito, em outras situações, é preciso tê-lo como o único parceiro que dispõe de recursos – como os burocráticos – para capilarizar as ações6. Na atual conjuntura, a sociedade civil pode e, talvez, deva assumir a dianteira de muitas iniciativas, mas deve haver uma preocupação de torná-las perenes, e isso somente é garantido quando são institucionalizadas como política de Estado. Por fim, é importante, em dado momento do desenvolvimento de uma ação, pararmos para revisar e avaliar o que está sendo feito e se é o caso de redirecionarmos as atividades que empreendemos. Manter o olhar insatisfeito sobre as nossas realizações permite que coloquemos no horizonte a possibilidade de mudanças em busca de melhorias e avanços.

Referências

1 O Escravo, nem pensar! é meta 41 do 2º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo: “Promover o desenvolvimento do programa “Escravo, nem pensar!” de capacitação de professores e lideranças populares para o combate ao trabalho escravo, nos estados em que ele é ação do Plano Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo”.

O direcionamento da formação do ENP! aos técnicos (e não mais aos professores) foi uma escolha estratégica, porque esses profissionais conseguem formar os professores em diferentes municípios devido às funções já previstas em seu trabalho.

3 Para mais informações sobre o projeto no Maranhão, entre 2015 e 2016, acesse: Projeto de prevenção ao trabalho escravo no Maranhão alcança mais de 130 mil pessoas

4 Para mais detalhes sobre o projeto no Pará, entre 2016 e 2017, acesse: Mais de 140 mil pessoas são prevenidas contra o trabalho escravo em estado campeão de casos.

5 Em 2017, o Escravo nem pensar inicia para esses profissionais no município de São Paulo, com o intuito de ampliar e melhor o atendimento, principalmente, para migrantes internacionais suscetíveis à exploração em relações trabalhistas. Leia mais.

6 Após o projeto desenvolvido no Maranhão pelo ENP!, a rede pública inseriu o tema do trabalho escravo nos Cadernos de História e Sociologia, em que constam as orientações curriculares para o Ensino Médio da rede estadual do Maranhão. Isso significa que, nos próximos anos, está previsto que os alunos do Ensino Médio maranhense sejam confrontados com a questão em sala de aula.

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Mostre que somos todos migrantes e vença o preconceito

Reflexão sobre a história da família combate a intolerância

Por: Pedro Annunciato

Confira aqui a matéria originalmente publicada no site da Nova Escola.

Camila retratou os rostos do pai portiguar, da mãe, paraguaia, e de parte dos irmãos. Na família de Yamelin, ela representou os pais, bolivianos. Ela não conheceu os avós

“Até pouco tempo atrás, este local estava lacrado. Aqui o Ministério Público fechou uma confecção que explorava trabalho escravo de imigrantes.” Foi assim que a professora de História Rosely Marchetti Honório contou, para seus alunos do 6º ano, durante um passeio pelo bairro do Pari, em São Paulo, o que acontecia naquela esquina da Rua Gustavo Bresser com a Silva Teles, em uma movimentada região de comércio.

As crianças olhavam a fachada com espanto. Quem poderia imaginar que, a menos de 2 quilômetros da EMEF Infante Dom Henrique, onde estudam, havia pessoas trabalhando em condições que se assemelham à escravidão? “Pensava que isso era coisa de antigamente”, espantou-se Camila Morinigo da Silva, 12 anos.

Todos os alunos vivem nos arredores do Canindé, bairro vizinho à escola, que é referência no acolhimento de imigrantes. São, em maioria, filhos de migrantes de outros estados ou de países. Mariana Victoria, 12 anos, é de família boliviana, mas já nasceu aqui. “Nós sempre paramos na frente da televisão quando tem uma reportagem sobre trabalho escravo. Mas nunca tinha visto de perto”, conta. Agora, diante da oficina, era como se os olhos se abrissem.

Essa jornada de redescoberta começou porque Rosely andava preocupada. “Havia episódios de preconceito na escola, apesar de todo o esforço para evitar isso”, conta a docente. Ela começou a pensar em como poderia abordar a questão das migrações e suas consequências, e notou que muitas crianças não conheciam a história do lugar onde viviam. E mais: não tinham sequer clareza sobre a trajetória da própria família.

Viu que apostar na reconstituição dessa trajetória pessoal e local poderia ajudar na construção de um sentimento de empatia entre todos. Então, decidiu arregaçar as mangas e colocar em prática o projeto O Migrante Mora em Minha Casa.

De onde vem cada um

A primeira atividade era uma investigação sobre as próprias origens. Rosely pediu que os alunos fizessem um desenho com o tema “Uma Família”. Poderiam desenhar qualquer família, mas a maioria optou por desenhar a sua própria.

Yamelin Larico, 12 anos, não conseguiu terminar. Não que Rosely tenha dado pouco tempo – foram duas aulas inteiras só para isso. É que ela, “a desenhista da turma”, nas palavras do colega Jhonny Vasconcelos, quis desenhar o pai e a mãe minuciosamente. Camila adotou uma estratégia diferente: fez somente os rostos do máximo de gente que conseguiu. Jhonny se retratou ao lado do pai, com quem gosta de jogar futebol.

Cada aluno acabou transmitindo no desenho o tipo de relação que tem com a família. “Alguns se desenharam afastados dos pais no papel, o que correspondia ao isolamento que sentem. Outros fizeram familiares sem rosto, pois não entendiam quem eram essas pessoas”, analisa Rosely. “Essa proposta mostra a sensibilidade da professora. Muitas crianças no 6º ano sentem grande dificuldade de se expressar por escrito. Com o desenho, ela deixou as crianças mais à vontade para transmitir o que queriam”, elogia Antonia Terra, selecionadora do Prêmio Educador Nota 10.

A turma observo o bairro para identificar oficinas flagradas com trabalho escravo

Depois, por meio de entrevistas em casa, os estudantes tiveram que construir suas árvores genealógicas até os avós, registrando o lugar de origem de cada membro. Houve quem não conseguiu, mesmo perguntando, descobrir essas informações, e alguns campos ficaram em branco. Outros não sabiam contar o pouco que ouviram em casa. Não se sentiam à vontade. Mas a professora, pacientemente, fazia perguntas que ajudassem nesse trabalho de reconstrução: “Quem mora com você?”, “E seus avós, você conhece?”, “Me fale um pouco mais sobre seu desenho”.

Assim, foi possível levantar e tabular dados suficientes para concluir que quase todos, brasileiros ou não, eram filhos de migrantes. Numa roda de conversa sobre a diversidade na escola, os alunos concluíram que a migração é um direito dos que procuram uma vida melhor. Na aula expositiva sobre fluxos migratórios, compararam os processos ocorridos no início do século 19 e o fenômeno atual. Assistindo os filmes Kiriku, os Homens e as Mulheres e O Menino do Pijama Listrado, levantaram discussões sobre preconceito e racismo. E, finalmente, chegaram à questão do trabalho escravo contemporâneo.

O problema assola a região central de São Paulo, apinhada de oficinas de costura. Alguns donos de confecção se aproveitam da vulnerabilidade dos estrangeiros e os submetem a 10, 12 horas de expediente, com pagamentos praticamente nulos e locais de trabalho precários. Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) disponíveis na plataforma Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil (bit.ly/observatorio-escravo), só no ano passado foram 38 resgates de trabalhadores nessas condições na cidade.

Foi aí que surgiu a ideia do passeio pelo bairro. Depois da visita, a professora aprofundou a discussão trazendo para a sala oito reportagens divulgadas pela imprensa sobre o tema. Além das matérias, Rosely destacou comentários agressivos ou preconceituosos de leitores a respeito da notícia. “Imaginei que, àquela altura, os alunos conseguiriam avaliar criticamente o nível de agressividade das falas. Mas não foi isso o que aconteceu.”

A saída pelo conhecimento

Era a vez de Rosely ficar surpresa. Mesmo depois de tudo que viram, a discussão sobre as notícias mostrou que muitos ainda tinham pouca sensibilidade em relação à questão. “Boa parte deles concordou com os comentários dos leitores. A discriminação estava mesmo arraigada”, conta a professora. Foi então que a ajuda de um colega se mostrou fundamental.

Cesar Sampaio, professor de informática, já acompanhava o projeto desde o início. Nesse ponto, ofereceu à Rosely vídeos, dados e textos produzidos pela ONG Repórter Brasil a respeito de trabalho escravo. “Tive contato com esse material em uma formação, e achei que ele seria útil para sensibilizar a turma”, lembra Cesar.

Abriu-se mais um ciclo de atividades, com a exibição de vídeos (você pode encontrar alguns deles em bit.ly/reporter-brasil) e debates sobre como o Brasil recebia seus imigrantes. “Aos poucos, as respostas foram mudando”, explica a docente. Por fim, Rosely, Cesar e a turma resolveram elaborar um panfleto educativo para alertar a comunidade do entorno sobre o tema.

“Rosely conseguiu estabelecer um diálogo entre a história local e pessoal, a formação do país e um problema atual que faz parte do cotidiano”, explica Antonia Terra. De fato, Yamelin, Marina, Camila, Jhonny e tantos outros tiveram a oportunidade de compreender melhor as próprias origens e como elas dialogam com a história do bairro, da cidade, do Brasil. Sabem que, de alguma forma, participam da humanidade – e são marcados pelos problemas que ela enfrenta.

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El País: Nova Conquista, el triunfo de la libertad

Confira aqui a matéria originalmente publicada no jornal El País

En Brasil, un grupo de campesinos víctimas de esclavitud, fundó una comuna donde rehacer sus vidas

En la casa de Edna y su marido, José Rodrigues de Sousa, el día arranca a las cinco de la mañana para dar la bienvenida al amanecer desayunando en el patio. “La tierra, si la trabajas, te da todo lo necesario para no pasar hambre”, comenta Rodrigues mientras muestra orgulloso las papayas maduras en el árbol que da sombra al huerto en la parte trasera de su casa. Aunque no siempre fue así, al menos para él y su familia.

Este matrimonio de casi 60 años vive en el asentamiento de campesinos llamado Nova Conquista, un lugar que nació de una lucha después de que muchos de sus moradores fueran rescatados de trabajos esclavos y otros fueran explotados por una miseria. El lugar está ubicado en uno de los lugares más inhóspitos de Brasil, en el sertón del estado de Piauí (nordeste), una especie de desierto de tierras rojizas y vegetación espinosa. Sin embargo, sus habitantes nacieron en la zona y saben que hay situaciones más duras y difíciles que las condiciones climáticas de su tierra.

Rodrigues tuvo que migrar con 19 años a otras partes del país donde sufrió diferentes grados de explotación laboral. A su caso se suman otros, como el de Francisco Rodrigues dos Santos, de 42 años, que vive cuatro casas más allá y al que aún le resulta difícil contar lo que vivió cuando salió de Piauí. En 2003, un reclutador de trabajadores le ofreció unas “condiciones maravillosas” por ir a trabajar a Pará. “Me dio un dinero para el pasaje y para dejar algo a mi familia para el primer mes. Nunca pensé que me estaba vendiendo por 60 reales (menos de 20 euros)”.

Francisco emprendía así el peor viaje de su vida. Y no es el único. En Piauí, tierra de campesinos, los piauienses se han convertido en mano de obra barata en todo el país para haciendas de caña de azúcar, cafetales, deforestación del Amazonas, construcciones e, incluso, hidroeléctricas o minas. La migración forzosa y el trabajo esclavo asociada a ella es el pan nuestro de cada día en el nordeste. “Estuve viajando durante tres días sin saber hacia dónde me llevaban”, recuerda Francisco, que nunca supo el lugar exacto en el que fue maltratado.

Brasil abolió la esclavitud en 1888, después de haber sido durante 350 años el mayor territorio de occidente donde esta forma de explotación era habitual. Se calcula que el país recibió, en ese tiempo, 4,5 millones de esclavos traídos de África. Sin embargo, lejos de formar parte de un pasado vergonzoso, Francisco recuerda que la esclavitud sigue siendo un problema actual. “Lo primero que pierdes nada más salir de tu tierra es el nombre. Yo dejé de llamarme Francisco para ser Piauí”. Este es el primer paso de los explotadores para deshumanizar al que será convertido casi en un animal de carga. “Al quitarte el nombre, dejas de ser tú”, afirma, y de paso “si algún familiar fuera a buscarnos nunca nos encontraría”.

En Nova Conquista la chicharra canta con todas sus fuerzas a mediodía. Francisco continúa su relato refugiado en la sombra de su casa, que es exactamente igual a la del resto de habitantes del asentamiento campesino. Un total de 39 familias viven en estas tierras donde han construido sus hogares unos frente a otros formando una larga calle.

“Cuando llegamos, me di cuenta de que estábamos en medio de la selva. Nos dieron una lona negra para que montáramos una barraca para dormir. Allí solo había una caseta donde vivía el cantinero, que en realidad era nuestro vigilante”, explica sobre el sitio en el que fue esclavizado. “En aquel lugar solo había sufrimiento. Por la mañana, nos daban un café negro con harina de mandioca y el resto del tiempo arroz con frijoles. Cuando había. Sacábamos el agua para beber, para cocinar y para lavarnos, de donde bebían los animales”, lamenta frotándose las manos. Durante seis meses, Francisco no pudo contactar ni una sola vez con su familia.

“Nos amenazaban con matarnos”

Más allá de las condiciones de supervivencia, lo peor era el miedo. El vecino y amigo de Francisco, Elenilson da Conceição, de 31 años, sufrió a los mismos explotadores. Ni huir ni denunciar era posible, el vigilante les decía: ‘Vamos a por vosotros, os borramos del mundo y nadie más vuelve a tener noticias vuestras”, recuerda Elenilson con amargura.

Su grupo llegó a la selva de noche. “Nos dejaron en medio del monte y cuando volvieron al día siguiente montaron una barraca”. No para que los trabajadores durmieran, sino que era una tienda. “Cualquier cosa que necesitábamos la teníamos que comprar, hasta el jabón para lavar la ropa. Cuando pedí la cuenta a los tres meses, no había cubierto ni para pagar el billete de autobús”, asegura Elenilson. Sufrieron lo que se conoce como servidumbre por deudas y que obliga al trabajador a permanecer en su puesto hasta que salde una deuda imposible que crece cada día.

Francisco y Elenilson fueron liberados por sus propios captores —con menos de 100 euros por seis meses de trabajo— cuando se vieron acorralados durante una operación de la Policía Federal, en la que fueron detenidos los esclavistas. Fue entonces cuando una ONG al servicio de los trabajadores rurales, la Comissão Pastoral da Terra (CPT), les explicó lo que era el trabajo esclavo. Hasta entonces, tanto Francisco como Elenilson pensaban que lo que habían vivido era normal. La organización les propuso denunciar y pelear por sus derechos. “Nos dieron unos 2.000 reales (casi 570 euros) de indemnización”, subraya Francisco, que destaca por encima de todo la dignidad que le fue devuelta con este acto.

Los campesinos de Nova Conquista no son un caso aislado. En 1995, Brasil reconoció ante las Naciones Unidas el trabajo esclavo contemporáneo en su territorio. Desde entonces, se ha avanzado mucho en cuestiones legislativas y cerca de 50.000 personas han sido liberadas. Sin embargo, las ONG consideran que esto es solo la punta del iceberg.

“En 2015, fueron rescatados más de 1.100 trabajadores, pero eso no quiere decir que fueran todos los que estaban siendo explotados. El problema es que cuando se hacen los controles se siguen encontrando, y sabemos que no se están haciendo todos los necesarios porque hay unos 2.600 inspectores de trabajo y se necesitan 5.000 más”, explica Natália Suzuki, coordinadora de la campaña Escravo, nem pensar! de la ONG Reporter Brasil.

El problema, además, está muy arraigado por la normalización de la explotación del obrero, especialmente de los más pobres. “Uno de nuestros trabajos es concienciar a través de la formación de profesores, que luego se lo explican a los alumnos para desnaturalizar algo que no debería ser visto como normal”, afirma Suzuki en las oficinas de la ONG, que trabaja en más de 10 estados y en lo que va de 2016 han asistido a más de 40.000 personas. Ellos atienden a la base de esta cadena que no acaba nunca: los jóvenes y posibles víctimas futuras.

La salvación de la tierra

Es la hora del almuerzo en el asentamiento de agricultores y no se ve ni un alma en medio del secarral. En la casa del señor Rodrigues, Edna sirve arroz con frijoles y un guiso hecho con la gallina que mató por la mañana. Su yerno, uno de los líderes de la comunidad, Francisco José de Santos Oliveira (conocido como Chiquinho) suelta el machete que usa en el campo en el suelo para empezar a comer. Él es uno de los que encabezó, con la ayuda de la Comissão Pastoral da Terra, la lucha para conseguir una tierra para los que fueron rescatados en la selva y para otros campesinos de la zona que durante toda su vida se vieron obligados a trabajar en condiciones de explotación, como es su caso.

“La CPT nos preguntó qué necesitábamos para no volver a migrar y todos respondimos lo mismo: tierra”, explica. Así fue como en 2004, empezaron a buscar una finca disponible. “Después de tres años encontramos una hacienda abandonada. La ocupamos y comenzamos a cultivarla durante un año y medio hasta que el INCRA (Instituto Nacional de Colonización y Reforma Agraria) nos la aprobó”, rememora Chiquinho mientras come bajo el cobertizo de sus suegros. “Fue nuestro mayor triunfo. Hasta entonces, pensábamos que nada iba a salir bien”, agrega.

La ocupación de tierras en Brasil, una vez que es aprobada por el organismo gubernamental INCRA, se regulariza con la compra del latifundio por parte del Estado, que luego se lo cede a los campesinos de diferentes maneras: algunos tienen que pagar algo simbólico o la reciben de forma gratuita, que fue el caso de Nova Conquista. Desde entonces, han conseguido mucho con la ayuda estatal. “Aprobaron un presupuesto para la construcción de las casas, luego la carretera, un pozo y el tendido eléctrico”. Así se ilumina durante las noches la única calle que aglutina las viviendas.

Chiquinho, que hace honor a su apodo, es directo y reivindicativo. “La CPT nos enseñó todo lo que nunca nos enseñaron sobre la dignidad; el reparto de las tierras, que nosotros creíamos que había sido una decisión de Dios; y cuáles son nuestros derechos”, explica antes de volver a cargar la cuchara. “Nuestra lucha se ha hecho famosa porque somos el primer asentamiento creado por campesinos que fueron rescatados de trabajo esclavo. Y por eso, en 2010, nos dieron el Premio Nacional de Derechos Humanos”, recuerda orgulloso este hombre que solo tenía 24 años cuando se convirtió en líder de su comunidad. Desde entonces, no solo ha puesto en marcha Nova Conquista, sino que además ha estudiado Filología Portuguesa alentado por el sueño de ser profesor.

Sin embargo, aún falta mucho por hacer. “Nuestra producción depende de la lluvia y cada vez llueve menos. Necesitamos que se apruebe el proyecto del campo con riego y algo de maquinaria, como un tractor para arar”, afirma refiriéndose a las tierras comunitarias. El terreno está divido en parcelas que cada uno trabaja solo o con el apoyo de los vecinos, donde siembran mandioca, arroz, maíz y frijoles. Si sobra algo después de atender las necesidades domésticas, se vende para dar un empujón a la economía familiar. Este año, la falta de lluvia ha dejado al vecino de Rodrigues sin cosecha. “Vamos a recoger la mía juntos y así tenemos todos”, explica Rodrigues muy serio. El objetivo es seguir siendo libres y eso implica ayudarse y mantenerse unidos para que ninguno tenga que volver a abandonar su región.

Actualmente, uno de los mayores avances logrado en los últimos 20 años contra el trabajo esclavo en Brasil está en peligro. En 2003, se modificó el artículo 149 del Código Penal para incluir cuatro supuestos fundamentales en la definición del trabajo esclavo. “La bancada ruralista en el Congreso y apoyada por el gobierno de Temer quiere sacar del artículo 149 las jornadas exhaustivas y las condiciones degradantes, lo que impediría castigar situaciones como que los trabajadores se vean obligados a dormir en la pocilga de los cerdos, como se han dado casos”, lamenta Natalia Suzuki de Reporter Brasil.

Mientras el engranaje contra la esclavitud sigue funcionando en Brasil, el asentamiento Nova Conquista continúa con su rutina diaria. Comienza a oscurecer en la comunidad y la mayoría de los adultos se prepara para ir a la escuela. Un cielo estrellado acompaña al grupo que se sienta en torno a Chiquinho en un galpón comunitario, donde se imparten clases de alfabetización para mayores como un paso más en el camino que emprendieron hace tiempo contra la esclavitud. El profesor es Chiquinho, que ve así cumplido otro de sus sueños: ser maestro en la tierra donde todos han alcanzado por fin la libertad.

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Escravo, nem pensar! fala sobre combate ao trabalho escravo em entrevista ao programa Visão Trabalhista Entrevista

“Na reforma [trabalhista] nós não temos nenhum item contra o combate ao trabalho escravo, porém alguns dispositivos abrem oportunidades para piorar as condições de trabalho dos trabalhadores. Então, se esses trabalhadores já estavam expostos e vulneráveis, com seus direitos fragilizados, (…) alguns dispositivos tornam essa relação trabalhista ainda mais precária e muito mais assimétrica” destaca Natália Suzuki, coordenadora do programa Escravo, nem pensar!

No dia 12 de setembro, a coordenadora do Escravo, nem pensar!, Natália Suzuki, participou do programa Visão Trabalhista Entrevista, do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região. Na ocasião, foram discutidos os impactos da reforma trabalhista no combate ao trabalho escravo, a volta da publicação por parte do Ministério do Trabalho da lista de transparência de empregadores flagrados se utilizando dessa prática criminosa e os cortes orçamentários nas fiscalizações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

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ENP! fala sobre tráfico de pessoas na Rádio Justiça

Entrevista originalmente publicada no site da Rádio Justiça

No dia 15 de agosto, a coordenadora do Escravo, nem pensar!, Natália Suzuki, explica a diferença entre prostituição e exploração sexual e comenta o PL que regulamenta a prostituição. Confira abaixo a íntegra da entrevista no programa Justiça na Tarde da Rádio Justiça:”

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30 de julho Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas

Entrevista originalmente publicada no site da Rádio Justiça.

Na última segunda feira, dia 31 de julho, a coordenadora do programa Escravo, nem pensar!, Natália Suzuki, deu uma entrevista à Rádio Justiça em razão do dia mundial de enfrentamento ao tráfico de pessoas.

Confira abaixo:

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Alunos combatem bullying e xenofobia

Matéria Originalmente publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em 01/07/2017. Confira aqui.

Menina dá aulas de espanhol para colegas em escola pública de São Paulo; programa busca estreitar laços, ampliando as relações culturais

Aos 12 anos, Thaís López, filha de bolivianos, dá aulas de espanhol para 30 alunos na escola municipal Infante Dom Henrique, no Canindé, região central de São Paulo. A menina teve a ideia de ensinar o idioma que aprendeu em casa para se aproximar dos colegas e tentar acabar com os “grupinhos” que se formam de acordo com a descendência de cada um.

A proposta de Thaís foi bem recebida pelos colegas e o curso que ela oferece tem quase 70 outros alunos na lista de espera. Mas o interesse pela língua e a vontade dos brasileiros de se aproximar dos imigrantes só aconteceu depois que a escola decidiu fazer um trabalho com todos os estudantes para reduzir o preconceito.

“Apesar de ficar numa região com uma comunidade boliviana muito forte, a escola não tinha um projeto contra a discriminação. Os alunos estrangeiros eram muito estigmatizados, sofriam ameaças, eram xingados, chegavam até a pagar ‘pedágio’ ou coagidos a fazer coisas erradas para não apanharem”, conta Cláudio da Silva Neto, diretor da escola. Ele chegou à direção em 2011 e montou com alunos, professores e pais um novo projeto pedagógico para a unidade, que tinha muitos problemas com violência.

Uma das mudanças promovidas na escola foi a de valorizar a cultura dos estrangeiros e conscientizar professores e alunos sobre os motivos da migração e as condições que eles encontravam ao chegar no Brasil. “Das provocações que faziam sobre o trabalho escravo dos bolivianos e de que eles vinham para roubar emprego, os brasileiros passaram a entender a realidade daquelas famílias e começaram a ter admiração pelos estrangeiros e por terem outra cultura”, conta Cláudio.

Thaís também sentiu a mudança no comportamento do colégio e percebeu que eles passaram a ter curiosidade quando viam os bolivianos conversando em espanhol. “Com esses meses de aula, já dá até pra gente ter algumas conversas curtas em espanhol”, diz a menina que deseja ser advogada para ajudar outros imigrantes no país.

Formação. A escola do Canindé é uma das 43 da rede municipal que no ano passado tiveram professores que passaram por uma formação pela ONG Repórter Brasil para combater o trabalho escravo. “Nossa ideia era trabalhar na prevenção e evitar que esse tipo de condição de trabalho acontecesse. O que encontramos foram casos de xenofobia em algumas escolas e a dificuldade dos professores em lidar com eles por falta de preparo”, contou Natália Suzuki, coordenadora do projeto

A escola, segundo Natália, é um dos pontos de maior conexão entre os imigrantes e a comunidade local. Por isso, um olhar cuidadoso para a criança pode indicar problemas que aquela família esteja passando. “O professor descobre que o aluno, que chegava sujo ou tinha dificuldade de aprendizado, não vinha de uma família relapsa, mas que vive em situação de pobreza ou de abuso.” Com o trabalho de valorização do migrante, Claudio conta que já teve casos de pais que pediram para que o filho fosse reprovado e ficasse mais um ano na escola – que só tem turmas até 0 9.º ano. “Era uma família síria que tinha medo da menina perder a confiança e o que aprendeu aqui por ter de ir para outro colégio.”

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Combate ao trabalho infantil

(matéria originalmente publicada no site do Observatório do Terceiro Setor, disponível em: http://observatorio3setor.com.br/media-center/radio/combate-ao-trabalho-infantil/)

Só no Brasil, 2,6 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos realizam algum tipo de trabalho infantil, segundo dados da Fundação Abrinq. E, no mundo, são mais de 168 milhões, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Para discutirmos o problema e ações que já estão sendo colocadas em prática para combatê-lo, conversamos no nosso programa de rádio desta terça (13/06) com Bruna Ribeiro, jornalista da Rede Peteca – Chega de trabalho infantil; Denise Maria Cesario, gerente executiva da Fundação Abrinq; e Thiago Castelli, assessor de projetos da Repórter Brasil e coordenador assistente do programa Escravo, nem pensar.

Os apresentadores foram os jornalistas Joel Scala e Franklin Valverde.

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Senadores visitam exposição e destacam ações de combate ao trabalho escravo

Confira aqui a matéria originalmente publicada no site do Senado

Os senadores Paulo Rocha (PT-PA) e Paulo Paim (PT-RS), a senadora Regina Sousa (PT-PI) e o ex-senador João Pedro destacaram, nesta quinta-feira (18), a importância da fiscalização no combate ao trabalho escravo, durante visita à exposição Trabalho Escravo – Auditoria-Fiscal do Trabalho, 20 anos resgatando a cidadania e a dignidade dos trabalhadores”, no Senado.

— Nossa geração jamais passará pela vergonha de não ter lutado — ressaltou Paulo Rocha.

Regina Sousa lamentou o fato de o Brasil ainda ter essa chaga social, com mais de 52 mil trabalhadores resgatados nas duas últimas décadas.

— Isso mostra que os auditores-fiscais do trabalho não dão conta de atender a todos. E mesmo com uma situação dessas, o Estado ainda propõe uma reforma trabalhista que tenta lesar o país — criticou a senadora.

Organizada pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, a mostra — no Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima, localizado no corredor que dá acesso aos anexos I do Senado e da Câmara —  é composta por fotos do auditor-fiscal do trabalho Sérgio Carvalho. Ele integra o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, equipe que atua em todo o país no resgate de trabalhadores submetidos a condições análogas às de escravidão.

Já exposto no Palácio do Planalto, no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e no campus de Planaltina da Universidade de Brasília (UnB), o trabalho de Sérgio Carvalho registra ao longo de anos cenas tocantes que emocionam e chocam, expondo as condições degradantes e subumanas a que são submetidos os trabalhadores. Durante o evento, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho lançou o folder Trabalho Escravo Contemporâneo, que está em sua terceira edição.

O presidente do sindicato, Carlos Silva, disse que a exposição e o folder retratam os 22 anos de combate ao trabalho escravo pelo Estado brasileiro. A vice-presidente da entidade, Rosa Maria Campos Jorge, agradeceu os senadores pelo trabalho feito em defesa do trabalhador e da sociedade, em especial ao senador Paulo Rocha por ser o autor da Emenda Constitucional 81, que determina o confisco de propriedades rurais e urbanas onde for encontrado trabalho escravo.

Rosa também destacou a luta de Paulo Paim e de Regina Souza na Comissão de Direitos Humanos (CDH) para combater o trabalho escravo. Ela disse que os auditores-fiscais do trabalho e a sociedade contam com a ajuda deles para combater propostas prejudiciais para a sociedade, como o Projeto de Lei do Senado 432/2013, que modifica o conceito de trabalho escravo.

Com informações do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho

foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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