Trabalho escravo e gênero: quem são as trabalhadoras escravizadas no Brasil?

O fascículo “Trabalho escravo e gênero: quem são as trabalhadoras escravizadas no Brasil?” apresenta o perfil das 1.889 mulheres submetidas à exploração laboral entre 2003 e 2018. No Brasil, 62% das mulheres submetidas ao trabalho escravo são analfabetas ou não concluíram o quinto ano do Ensino Fundamental. Há também uma disparidade racial relevante entre as resgatadas: mais da metade é negra, sendo 42% pardas e 11% pretas.

Além do perfil das resgatadas, a publicação traz o contexto geográfico do problema por gênero. Assim como no caso dos homens, os registros de mulheres escravizadas estão espalhados por todo o Brasil. Os principais estados de origem dessas trabalhadoras são Maranhão (16,4%), Pará (12,8%), Minas Gerais (10,6%), Bahia (10,4%) e São Paulo (10,2%). Em relação às atividades econômicas em que foram exploradas, aquelas do meio rural compreendem mais de 80% dos casos, desde o corte de cana-de-açúcar e a produção de carvão até o trabalho doméstico nas frentes de trabalho no campo.

Contudo, o problema é também recorrente em meio urbano, incluindo grandes metrópoles, como São Paulo, onde são frequentes os casos de trabalho escravo em oficinas de costura. Do total de 1.889 trabalhadoras resgatadas no país, 178 (7,8%) eram costureiras, o que faz com que a ocupação apareça em terceira posição dentre aquelas com maior número de mulheres resgatadas. Nesta etapa da cadeia têxtil em São Paulo, há uma alta concentração de trabalhadoras imigrantes, principalmente latino-americanas.

O fascículo aborda ainda a subnotificação nos registros de trabalho escravo nas atividades domésticas e sexuais e as particularidades da condição de mulheres escravizadas. A produção do fascículo contou com o apoio da Organização Internacional do Trabalho.

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