Projetos comunitários

Após pesquisar sobre o tema do trabalho escravo no mundo, a equipe pedagógica dessa escola mineira percebeu que se tratava de um assunto importante para ser abordado em sala de aula. No entanto, por que não estudar a questão no próprio município? Foi pensando nisso que a escola elaborou um projeto em que os alunos pesquisassem violações trabalhistas e formas de escravidão existentes em sua região.

O projeto desenvolveu duas ações principais: um concurso de poesias e um mapeamento das condições de trabalho do município. Ambas aguçaram o engajamento dos alunos e foram desenvolvidos ao longo de todo ano. A primeira atividade culminou na publicação de um livro contendo as 25 melhores poesias desenvolvidas durante o ano pelos alunos. Já a segunda envolveu entrevista com 139 trabalhadores da zona rural e 69 da zona urbana. Elas evidenciaram a diferença de perfil dos trabalhadores. Na zona rural, a maioria possui Ensino Fundamental 1 incompleto; parou de estudar para trabalhar; e não possui carteira assinada. Já na zona urbana, mais da metade dos entrevistados possuía Ensino Médio completo, mas ainda assim a maioria não possuía carteira assinada.

Também foram realizados debates em sala de aula, exibição de vídeos e entrevistas com trabalhadores, que contaram com ampla participação dos alunos. Como a escola incentiva produções de cunho artístico, foram produzidos poemas, dramatizações, paródias, jograis e até um documentário, com fotos e vídeos que sintetizam as ações do projeto, além de depoimentos.

“A frase que mais ouvimos foi: não sabia que existia tudo isso. Estudar o trabalho escravo com olhar diferenciado nos convidou a perceber o lado desumano da exploração.” – Emerson Matos de Oliveira, professor de educação física e coordenador do projeto.

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