Projetos comunitários

O grupo do projeto formou a Comissão Municipal de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo, uma equipe local composta por nove pessoas provenientes de paróquias, povoados, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, e, também, um estudante e uma professora. O grupo recebeu três formações da Comissão Pastoral da Terra do Piauí sobre o tema do trabalho escravo, além de orientações de como encaminhar e onde fazer a denúncia, e como dar continuidade ao trabalho que o grupo desenvolveu ao longo do projeto. Feito isso, a equipe foi a campo para conhecer melhor a realidade dos povoados de Desejado, Baixão do Mel e Guaipaba, onde há inúmeras carvoarias instaladas. Foi aplicado um questionário a 45 pessoas com o intuito de traçar o perfil socioeconômico das famílias e de obter informações sobre migração, ocupação e condições dos locais de trabalho.

A equipe diocesana, a partir da análise desses dados, desenvolveu a metodologia para o seminário e decidiu que outros temas decorrentes da exploração do trabalho e do trabalho escravo deveriam também ser abordados. No seminário, foram apresentados dados atuais sobre o trabalho escravo no sul do Piauí, houve exibição de filmes e aprofundamento de conceitos relacionados à problemática, discussões sobre a persistência do problema, as políticas de repressão e formas de atuação e combate.

Com a colaboração do juiz do trabalho Carlos Wagner Nery e da Comissão Pastoral da Terra Diocesana, uma equipe da Vara do Trabalho e a Comissão criada pelo projeto realizaram a 1ª Audiência da Justiça Itinerante no povoado de Desejado, que aconteceu no dia 13 de novembro de 2012. Nela, coletaram denúncias e questões trabalhistas contra algumas carvoarias da região, e foram abertos mais de 27 processos trabalhistas. Na 2ª Audiência Itinerante, que contou com a participação de estudantes de Direito da Universidade Federal do Piauí, aconteceram audiências entre trabalhadores e empresas no dia 14 de dezembro. Novas audiências foram marcadas, e houve palestras sobre direitos e cidadania. A equipe estabeleceu ações futuras como a realização de outro seminário, a audiência para coleta e encaminhamento de denúncias, a captação de recursos para projetos de irrigação e discussões sobre o alcoolismo entre os trabalhadores.

Comentários fechados.