Festivais e concursos

Proposta

O encontro reuniu mais de 150 professores, professoras e lideranças populares, vindos de 52 cidades, para debater o tema do trabalho escravo contemporâneo, trocar experiências de prevenção e refletir sobre outras questões que afetam os Estados em que o “Escravo, nem pensar!” já realizou formações: Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí e Tocantins.

Durante o encontro, os participantes também puderam se conhecer melhor e entrar em contato com trabalhos interessantes desenvolvidos em diferentes localidades. Para valorizar e incentivar a continuidade dessas ações, educadores, educadoras e lideranças puderam se tornar agentes especiais do “Escravo, nem pensar!”, criando coletivamente compromissos para dinamizar as ações locais e fortalecer a rede de prevenção ao trabalho escravo em seus municípios.

Atividades

As atividades do encontro ocorreram em dois locais na cidade de Açailândia. Aquelas que reuniram quase duzentas pessoas, como os debates e as apresentações culturais, foram realizadas no auditório Zeppellin, na região central. Já as atividades em que os participantes foram reunidos em grupos menores, como oficinas e rodas de conversa, foram organizadas na Escola Municipal Fernando Rodrigues de Souza, na Vila Ildemar, bairro periférico mais populoso do município.

Veja a programação completa do encontro.

  • Debates

Foram realizados dois debates sobre temas da conjuntura nacional relacionados ao combate ao trabalho escravo no país. O primeiro debate “Papel da sociedade civil no combate e na prevenção ao trabalho escravo” contou com a participação de Xavier Plassat, coordenador da campanha “De olho aberto para não virar escravo” da CPT, Leonardo Sakamoto, coordenador da ONG Repórter Brasil, e Milton Teixeira, coordenador do CDVDH.

O segundo debate “Impactos dos grandes projetos de desenvolvimento no Brasil” teve a participação de Judite da Rocha, do Movimento dos Atingidos por Barragens, Fernando Michelotti, professor da Universidade Federal do Pará, e Ruben Alfredo de Siqueira, da CPT da Bahia. Os palestrantes trataram das consequências sociais e ambientais dos projetos de ocupação da Amazônia, dos impactos da transposição do Rio São Francisco e da mobilização da população atingida por construção de hidrelétricas no país.

  • Oficinas

Já as oito oficinas abordaram temas diversos e ofereceram aos participantes oportunidade de conciliar reflexão e atividades práticas. Eles puderam se inscrever nas seguintes oficinas: “Oficina de comunicação: Você, repórter por um dia”, “Comunicação interpessoal para mobilização social”, “Criatividade – pensando novas formas de abordar o tema do trabalho escravo”, “Dança afro-brasileira – cultura e resistência”, “Denúncias de trabalho escravo”, “Educação e Liberdade – práticas dialógicas”, “Economia Solidária” e “Teatro do Oprimido”.

  • Rodas de conversa

A programação do encontro também ofereceu momentos de debates mais aprofundados, em grupos menores, com rodas de conversa a respeito de temas da conjuntura nacional relacionados à exploração de mão de obra escrava. Os assuntos escolhidos para essas rodas de conversa levaram em conta questões presentes no cotidiano dos moradores dos municípios em que o “Escravo, nem pensar!” atua.

Foram temas das rodas de conversa: “Agrocombustíveis: os bastidores do plantio de energia”, “A Justiça e o combate ao trabalho escravo no Brasil”, “A luta pela terra”, “Comunidade quilombola: conquistas e desafios”, “Condições de trabalho no campo e na cidade”, “Falando sobre educação do campo”, “Quebradeiras de coco babaçu: uma luta diária”, “Que desenvolvimento queremos?”, “Questão indígena: terras, trabalho e agronegócio”, “Tráfico e exploração sexual de meninas e mulheres”.

  • Depoimentos

No último dia do encontro, quatro trabalhadores rurais contaram aos participantes como denunciaram a situação de exploração que enfrentaram na fazenda Pôr-do-sol, no município de Bom Jardim (MA).

Eles estavam entre as 25 pessoas resgatadas em 2007 de condições análogas à escravidão da fazenda que pertence a Marcelo Testa Baldochi, juiz estadual da Comarca de Pastos Bons (MA).

Em seus depoimentos, os trabalhadores puderam descrever as condições de trabalho que enfrentaram na fazenda, como a escassa alimentação, más condições de alojamento e falta de pagamento. E também narraram a saída do local de trabalho para apresentar a denúncia contra o empregador.

  • Apresentações culturais

Houve ainda apresentações culturais e exposição dos projetos comunitários apoiados pelo programa desde 2007.

O artista morador de Açailândia, Francisco Cruz, fez a apresentação “A Gaiola” na abertura do encontro. O grupo de teatro Rompendo Cercas, de Açailândia (MA), apresentou a peça “Retalhos de uma ida” e o grupo de teatro de Xambioá (TO) exibiu “O Massacre do Eldorado”. Houve ainda a apresentação do espetáculo “Quilombagem”, que mistura teatro e dança, criado pelo CDVDH com a participação do Centro da Arte, Dançarte e Capoeira Cidadã.

Materiais produzidos:

No blog do encontro você irá encontrar fotos e vídeos

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