Projetos comunitários

As populações dos distritos de Icoaraci e de Outeiro (Belém) sofrem com o crescimento urbano sem planejamento e estão nas rotas de grandes empreendimentos em expansão na Amazônia. Uma vez que parte dessas comunidades são vulneráveis, seus trabalhadores acabam sendo alvo de agenciadores para trabalhar em outros locais. Além desses homens que se deslocam para as frentes de trabalho, muitas mulheres jovens também migram e, não raro, são vítimas do tráfico de pessoas, principalmente para fins de exploração sexual.

A organização Sodireitos atua há mais de dez anos no enfrentamento do tráfico de pessoas, tendo como um dos pilares a educação. Após mapear as escolas da região, duas foram escolhidas para sediar as ações: uma em cada distrito e ambas atendendo ao Ensino Fundamental e Médio.

A programação de atividades nessas escolas contou com a realização das oficinas, que tiveram como público não apenas alunos, mas também professores e a equipe pedagógica, o que possibilitou que os temas de trabalho escravo e tráfico de pessoas sejam trabalhados na sala de aula mesmo após o projeto. Nas atividades, foram utilizados materiais didáticos, disponibilizados pelo programa Escravo, nem pensar!, e dinâmicas como a do ciclo do trabalho escravo, também elaboradas pelo programa. As oficinas levaram sempre em conta o conhecimento dos participantes, suas experiências e o contexto da região.

No decorrer das formações, a organização se deparou com alto índice de trabalho infantil, principalmente em lava-rápidos, comércio ambulante e trabalho doméstico. Este último gerou grande preocupação, pois, na maioria dos casos, as crianças e adolescentes vêm de municípios distantes, sob a alegação de serem “adotadas”, e têm que assumir responsabilidades como lavar, passar, cozinhar e cuidar de crianças menores, não compatíveis com a sua idade, tendo seus direitos violados. As informações estão sendo analisadas e irão integrar um relatório que será pulicado pela organização e poderá estimular a criação de iniciativas de prevenção e combate a este problema.

“Os materiais enviados pelo programa Escravo, nem pensar! contribuíram significativamente para a realização das atividades, principalmente no que concerne à metodologia aplicada junto aos alunos e professores.” – Angélica Lima, assistente social e coordenadora do projeto.

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