Trabalho escravo e gênero

No Brasil, foram resgatadas 1.889 mulheres de situação de trabalho escravo entre 2003 e 2018, dado que representa 5% do total de trabalhadores submetidos a essa prática criminosa. Esses números dão conta de um panorama nacional, mas dizem pouco sobre contextos específicos, como o município de São Paulo, em que 30% das vítimas são do sexo feminino. Apesar de pouco se falar sobre o assunto, o trabalho escravo é uma violação que também acomete mulheres. Portanto, se o objetivo é sua erradicação, não é possível desconsiderar demandas relacionadas a questão de gênero. (Saiba mais sobre o trabalho escravo no Brasil)

Pensando nisso, o programa Escravo, nem pensar! realizou um levantamento inédito sobre o perfil das mulheres escravizadas,
a partir dos registros de fiscalizações do Ministério da Economia. No levantamento são esclarecidas as características de escolaridade, local de origem, atividade econômica desempenhada no ato do resgate e raça dessas mulheres. Como resultado, produzimos o fascículo Trabalho escravo e gênero: quem são as trabalhadoras escravizadas no Brasil? e lançamos um webinário homônimo para discutir seus principais achados. Confira a seguir:

1.Fascículo

O fascículo apresenta o perfil das resgatadas do trabalho escravo, destaca a subnotificação nos registros de resgatadas nas atividades domésticas e sexuais e aborda as principais particularidades da condição de mulheres escravizadas. A produção contou com o apoio da Organização Internacional do Trabalho.

2. Webinário

O webinário Trabalho escravo e gênero: quem são as trabalhadoras escravizadas no Brasil? acontece nos dias 8, 22, 29 de outubro e 5 de novembro e discute dados estatísticos, políticas e ações referentes ao resgate e assistência das mulheres vítimas dessa prática criminosa. A cada semana, participam especialistas do poder público e da sociedade civil envolvidos nas fiscalizações de trabalho escravo e na assistência às vítimas. Confira a programação completa:

Realização: Repórter Brasil – Programa “Escravo, nem pensar!”
Datas: 8/10, 15/10 e 22/10
Horário: 16h às 17h
Transmissão: Youtube – @ReporterBrasil

8/10 – Trabalho escravo e gênero: perfil socioeconômico, estatísticas e invisibilidades sociais [Clique para assistir]
– Natália Suzuki | Coordenadora do programa Escravo, nem pensar! da Repórter Brasil
– Thiago Casteli | Assessor de projeto do programa Escravo, nem pensar! da Repórter Brasil

22/10 – Trabalho escravo e gênero: demandas de mulheres resgatadas e políticas de assistência [Clique para assistir]
– Aline Leandro dos Santos | Assistente social do Centro de Acolhida Especial para Mulheres Imigrantes – São Paulo (SP)
– Francisco Alan Santos Lima | Coordenador da Rede de Ação Integrada de Combate a Escravidão da Comissão Pastoral da Terra – Tucuruí (PA)

29/10 – Trabalho escravo e gênero: Contribuições acadêmicas para o debate e agenda de pesquisa [Clique para assistir]
– Priscila Faria Vieira| Doutora em Sociologia pela USP e pesquisadora do CEBRAP
– Beatriz Rodrigues Sanchez | Doutoranda em Ciência Política pela USP e pesquisadora do CEBRAP

5/11 – Trabalho escravo e gênero: reflexões a partir da fiscalização e resgate de mulheres [Clique para assistir]
– André Roston | Auditor fiscal do Trabalho do Ministério da Economia
– Lys Sobral | Coordenadora da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho

3. Raio-x das trabalhadoras escravizadas

Do total de 1.889 mulheres encontradas em situação de trabalho escravo entre 2003 e 2018, 62% eram analfabetas ou não concluíram o quinto ano do ensino fundamental. Há também uma disparidade racial relevante entre as resgatadas: mais da metade (53%) é negra, sendo 42% pardas e 11% pretas. Elas são provenientes principalmente dos Estados do Maranhão (16,4%), Pará (12,8%), Minas Gerais (10,6%), Bahia (10,4%) e São Paulo (10,2%). Confira esses e outros dados nas imagens a seguir:

4. Referências

A seguir, apresentamos demais referências pertinentes para a discussão da questão de gênero no enfrentamento ao trabalho escravo, como materiais didáticos, matérias jornalísticas e produções audiovisuais.

  • Matérias jornalísticas
  • Impressos
  • Vídeos