Trabalho escravo e gênero: webinário discute exploração laboral de mulheres

Série de encontros virtuais abordou, dentre outros assuntos, o perfil das mulheres escravizadas, desafios e lacunas nas fiscalizações e as especificidades para o atendimento pós-resgate das trabalhadoras. Confira a transmissão na íntegra

Entre os dias 8 de outubro e 5 de novembro, a Repórter Brasil organizou o webinário Trabalho escravo e gênero: quem  são as trabalhadoras escravizadas no Brasil?. A série, dividida em quatro eventos virtuais, debateu os achados de levantamento inédito do programa Escravo, nem pensar! (ENP!) sobre o perfil das 1.889 mulheres escravizadas entre 2003 e 2018, além de ter abordado boas práticas e os desafios ainda postos para o enfrentamento ao trabalho escravo envolvendo mulheres. (Baixe aqui o fascículo hômonimo ao webinário e saiba mais).

Para isso, foram convidados especialistas do poder público,  da sociedade civil e do setor acadêmico engajados no assunto. Os encontros foram transmitidos no canal da Repórter Brasil no YouTube e dedicaram atenção a áreas distintas mas complementares para o enfrentamento do problema: resgate das mulheres escravizadas, atendimento às vítimas, sistematização de dados estatísticos e as formas de representação das trabalhadoras.

Hoje, a questão de gênero é pouco considerada na formulação e implementação de políticas públicas de trabalho escravo. Assim, o webinário teve como objetivo dar visibilidade às mulheres submetidas a essa exploração e pautar discussões que promovam ações para reverter esse cenário. Confira abaixo as gravações do evento na íntegra:

  • Perfil socioeconômico, estatísticas e invisilidades sociais (8/10)

No 1º encontro, a equipe do ENP!, representada pela coordenadora Natália Suzuki e o assessor de projeto Thiago Casteli, apresentou dados sobre as características socioeconômicas das trabalhadoras resgatadas no país, como raça, escolaridade, local de origem e atividade laboral desempenhada no momento do resgate. Os dados estão disponíveis no fascículo Trabalho escravo e gênero: quem  são as trabalhadoras escravizadas no Brasil?. Foram analisadas ainda disparidades regionais em relação à proporção de homens e mulheres resgatados, como no caso do município de São Paulo, em que 30% do total são do sexo feminino, em oposição à média nacional de 5%.

  • Demandas de mulheres resgatadas e ações de assistência (22/10)

O 2º encontro foi dedicado a discutir ações de assistência às trabalhadoras resgatadas. Para isso, foram convidados a assistente social Aline Santos, do Centro de Acolhida Especial para Mulheres Imigrantes (Caemi) de São Paulo, e o agente pastoral Francisco Alan de Lima, coordenador da Rede de Ação Integrada de Combate a Escravidão da Comissão Pastoral da Terra de Tucuruí (PA). Os participantes, que atuam diretamente no apoio a vítimas e trabalhadoras vulneráveis, discorreram sobre iniciativas de atendimento socioassistencial a mulheres no campo e nas cidades, incluindo imigrantes.

  • Contribuições acadêmicas para o debate e agenda de pesquisa (29/10)

Para o 3º encontro, foram convidadas as pesquisadoras do CebrapPriscila Vieira e Beatriz Sanchez. A atividade foi dedicada a refletir sobre as contribuições acadêmicas a respeito da questão de gênero para o debate e agenda de pesquisa sobre o trabalho escravo. As pesquisadoras destacaram como as desigualdades de gênero contribuem para a exploração laboral de mulheres e refletiram sobre a ausência de representação feminina na formulação de políticas públicas.

  • Reflexões a partir da fiscalização e resgate de mulheres (5/11)

No encontro de encerramento do webinário, representantes dos órgãos de fiscalização foram convidados a falar sobre o resgate de mulheres escravizadas. Participaram da atividade Lys Sobral, procuradora do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, e André Roston, auditor fiscal do Trabalho do Ministério da Economia. Os palestrantes apresentaram o histórico do combate ao trabalho escravo a partir do recorte de gênero e discutiram desafios para as políticas de repressão ao problema, como o reconhecimento por parte da fiscalização de trabalhadoras invisibilizadas, como no caso das trabalhadoras domésticas e profissionais do sexo. Os convidados relataram ainda alguns casos de resgate de mulheres escravizadas em áreas rurais e urbanas.

Quer se aprofundar no assunto? Acesse a página especial Trabalho escravo e gênero.