Projetos comunitários

A iniciativa se deu, principalmente, porque um grande número de jovens do Ensino Médio deixa a escola todos os anos em busca de emprego, mesmo sem ter informações concretas sobre o tipo ou local de trabalho, podendo se tornar vítimas de trabalho escravo. Por isso, o projetou teve como meta explicar aos alunos como essa prática acontece e como se prevenir contra ela. Considerando que o Maranhão é o estado com maior número de trabalhadores migrantes que foram escravizados em outros estados, o projeto ganha ainda mais importância.

A interdisciplinaridade do tema foi o mote do projeto. Os professores atuaram em conjunto na preparação e realização das aulas, dando conta de tratar do tema em toda a sua complexidade. Além disso, trouxeram exemplos próximos à realidade do aluno, utilizando seus conhecimentos prévios e estimulando-o a participar e a pensar criticamente. Assim, os conceitos sobre trabalho escravo contemporâneo, suas diferenças com a escravidão colonial, o contexto de vulnerabilidade social que leva o trabalhador a migrar e outros assuntos foram assimilados de forma dinâmica.

Para isso, primeiramente a equipe pedagógica da escola relacionou os temas do projeto (trabalho escravo, tráfico de pessoas e trabalho infantil) com os assuntos do currículo escolar e se dividiu para abordá-los entre as turmas. O foco foi dado às discussões e seminários em sala de aula e produção de textos e cartazes, mas também foram realizadas dramatizações, paródias e caminhada contra o trabalho infantil. As principais produções foram apresentadas no dia da culminância, quando os alunos se dividiram para pintar os muros da escola com imagens que abordaram o trabalho escravo e o relacionaram com a migração, destruição do meio ambiente, questão agrária, setor sucroalcooleiro e construção civil, além de tráfico de pessoas e trabalho infantil.

“Houve uma mudança notável no comportamento de alguns alunos [do Ensino Médio] em sala, que passaram a dar mais valor a esta oportunidade por terem a oportunidade de estudar em uma escola como a nossa e não precisar parar de estudar para trabalhar.” Antonia Zilda da Silva, coordenadora do projeto.

 

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