Projetos comunitários

O objetivo do projeto era esclarecer para a comunidade escolar questões sobre os direitos trabalhistas e informações para prevenir o aliciamento para o trabalho escravo. Para isso, além de levantar a discussão sobre o tema, o projeto movimentou toda a escola para além da sala de aula. Alunos e alunas grafitaram o muro da escola com mensagens sobre trabalho escravo, demonstrando grande entusiasmo. Estudantes com mais de 18 anos foram à cidade de Jacobina para obterem sua primeira carteira de trabalho no Serviço de Atendimento ao Cidadão, e o projeto foi divulgado na missa de domingo e na rádio FM Aymoré, a convite do secretário municipal de educação.

Houve grande envolvimento do corpo de funcionários da escola, como porteiros, merendeiras, faxineiras e fiscais de pátio na realização do projeto. Para os idealizadores, se até então funcionários e funcionárias não costumavam participar destas atividades, perceberam que poderiam exercer seu papel na formação de alunos e alunas e ficaram radiantes com a proposta.

Antes de o projeto ser iniciado no colégio, os alunos tinham a visão da escravidão abolida em 1888: o escravo negro vivendo na senzala sob o jugo do seu senhor. Após pesquisas em sites onde viram notícias atuais sobre trabalhadores libertados e suas condições de trabalho, puderam perceber que, independentemente da época, da cor e da etnia, a escravidão ainda se faz presente no Brasil.

Após o projeto ter sido apresentado a mães, pais e demais interessados em conhecê-lo, algumas pessoas disseram ter familiares que já haviam sido escravizados e que o projeto “caía como uma luva” na cidade. Mas também houve algumas dificuldades, como a desconfiança de parte dos moradores em responder entrevistas elaboradas pelos estudantes sobre a ocorrência de casos de trabalho escravo no município. Por se tratar de tema polêmico, alguns pensaram que a atividade possuía intenções políticas e não quiseram expor suas opiniões.

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