ENP! previne 110 mil do trabalho escravo no MA

Em 2018, projeto Escravo, nem pensar! já engajou 271 escolas de 76 municípios contra essa prática criminosa no estado. Resultados serão ampliados até o final do ano

O projeto Escravo, nem pensar!, implementado pela ONG Repórter Brasil e a Secretaria de Estado de Educação do Maranhão, preveniu 109.504 pessoas do trabalho escravo no estado por meio de abordagens escolares sobre o tema. Até o momento, 271 escolas de 76 municípios desenvolveram atividades interdisciplinares e projetos pedagógicos relacionados à temática. A expectativa é que esse número aumente até o final do ano, quando todas as escolas participantes finalizarem as abordagens educativas.

No 3º encontro, os participantes apresentaram os resultados das abordagens e receberam novos materiais do ENP!. Foto: Seduc/Ascom – Carlos Pereira

Os resultados foram divulgados no dia 31 de outubro, em São Luís (MA), após o último encontro formativo para educadores. O alcance do projeto é decorrência de um trabalho formativo com as Unidades Regionais de Educação (URE) de Bacabal, Barra do Corda, Caxias, Presidente Dutra, São Luís, Timon, Viana e Zé Doca ao longo de 2018. Como destaca Andreia Marques, diretora pedagógica da URE São Luís, o projeto mobilizou escolas e comunidades e contribuiu para a formação cidadã dos alunos, ao informá-los sobre seus direitos e alertá-los sobre violações como o trabalho escravo.

Natália Suzuki, coordenadora do programa Escravo, nem pensar!, pontua que “O Maranhão se destaca por ser o primeiro estado a promover um projeto de prevenção ao trabalho escravo em escala estadual por duas vezes. Somados os números da primeira edição, que aconteceu entre 2015 e 2016, já prevenimos mais de 240 mil pessoas do problema apenas em municípios maranhenses. Somando as duas edições do projeto, 474 escolas de 138 municípios do estado foram agregados à rede ENP!”. Parceiro no projeto, o secretário estadual de Educação, Felipe Camarão, enfatizou a necessidade de continuidade da ação para ampliar o alerta aos estudantes e à comunidade sobre os riscos do trabalho escravo.

Mesa de divulgação de resultados semi-finais (da esquerda para direita): Andreia Marques (URE São Luís), Virgínia Neves (MPT), Felipe Camarão (Seduc), Natália Suzuki (ENP!) Francisco Gonçalves (Sedihpop) e Antonio Carlos Mello (OIT).

No evento de encerramento, Virgínia Neves, procuradora do trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), organização apoiadora do projeto, destacou que além da repressão ao trabalho escravo realizada pelo MPT e outros órgãos, projetos educacionais como o ENP! são fundamentais para reforçar o combate a essa prática ao prevenir que trabalhadores venham a ser explorados. Francisco Gonçalves, secretário de Direitos Humanos e Participação Popular, complementou a fala reafirmando o papel essencial da Educação para reverter a situação de vulnerabilidade das comunidades mais carentes.

O Maranhão é o principal emissor de trabalhadores que acabam escravizados em outras regiões do país. Segundo dados do Ministério do Trabalho, 24% de todos os resgatados do país desde 1995 são maranhenses. Além disso, ocupa a quinta posição do ranking nacional de trabalhadores libertados em seu próprio território. Entre 1995 e 2017, 3.335 trabalhadores foram resgatados no estado em atividades como pecuária, construção civil, carvoarias e lavouras. Para Antonio Carlos Mello, coordenador do programa de combate ao trabalho forçado da Organização Internacional do Trabalho (OIT), também apoiadora do projeto, o ENP! é prioritário para reverter os altos índices de trabalho escravo que o Maranhão infelizmente ainda possui.(Clique aqui e saiba mais sobre o projeto e confira a ação de 2015-2016).