Em parceria com a Secretaria de Educação do Pará, programa educacional da ONG Repórter Brasil, reúne educadores para compartilhar ações de prevenção ao trabalho escravo nas regiões de Abaetetuba, Castanhal, Conceição do Araguaia, Mãe do Rio, Marabá, Santa Izabel, Tucuruí e região metropolitana de Belém

Nos dias 3 e 4 de maio, foi realizado em Belém (PA), o segundo encontro presencial da formação continuada para gestores e técnicos da Educação do estado do Pará sobre o tema do trabalho escravo e assuntos correlatos. O encontro contou com a presença de 39 gestores e técnicos de Educação de 7 Unidades Regionais de Educação (UREs) e 15 Unidades Seduc na Escola (USEs). Também estiveram presentes membros da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos do Pará (SEJUDH) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), atores envolvidos no combate ao trabalho escravo que contribuem para a realização do projeto.

Gestores e técnicos das UREs e USEs se reúnem para foto com a procuradora Silvia da Silva

No encontro, os profissionais das UREs e USEs, responsáveis pelas escolas de 34 municípios paraenses, compartilharam os resultados parciais do processo de multiplicação realizado na rede estadual. Ao todo, foram formados 613 educadores de 228 escolas até o momento. A perspectiva é de que essa rede de prevenção se amplie com o envolvimento de alunos protagonizando o desenvolvimento de projetos educacionais.

Além de compartilhar o progresso das ações de multiplicação em suas respectivas unidades, o público participou de debate com a procuradora do Trabalho da 8ª Região, Silvia da Silva. Ela apresentou o trabalho de fiscalização do Grupo Móvel em locais com suspeita de uso de mão-de-obra escrava. A partir disso, foram abordados e discutidos conceitos e práticas em torno da temática do trabalho escravo.

Além da ênfase ao conceito de trabalho escravo, a equipe do Escravo, nem pensar! abordou conteúdos sobre o desmatamento da Amazônia e a sua relação com o trabalho escravo; trabalho infantil e cadeia produtiva da carne. Estes temas expandiram o arcabouço conceitual dos formadores de referência, de modo que mais ações diversas e relevantes possam ser compartilhadas com os educadores formados e desenvolvidas junto aos alunos nas escolas.

Participantes montam o ciclo do trabalho escravo

“O encontro foi crucial para fortalecer a identidade do projeto e demonstrar a grandeza dessa rede de prevenção que está sendo construída em tantos municípios. Como desdobramento do encontro, manteremos assessoria pedagógica às Unidades de Educação, fornecendo orientações pedagógicas para impulsionar ainda mais a implementação do projeto nas escolas”, avalia Thiago Casteli, assessor de projeto do programa Escravo, nem pensar!.

Ao final do encontro, a equipe do Escravo, nem pensar! definiu as orientações e encaminhamentos necessários para o avanço e aprofundamento do projeto, que será concluído neste ano, quando ocorrerá o terceiro e último encontro formativo.

 

Sobre outras ações do programa Escravo, nem pensar!

O Pará é o segundo estado, juntamente com a Bahia, a realizar um projeto de prevenção ao trabalho escravo em  nível estadual. A primeira experiência foi no Maranhão entre 2015 e 2016 e atingiu mais 130 mil pessoas.

 

Pará: campeão do trabalho escravo

Desde 1995, quando o Estado brasileiro assumiu a ocorrência desse crime em território nacional, até 2015, foram mais de 12.799 trabalhadores libertados no estado.  Esse número representa 26% do número nacional, mais do que o dobro dos resgatados no Mato Grosso (5.997), o segundo colocado. O quadro fica ainda mais crítico diante dos dados do ranking de municípios com casos de trabalho escravo: dentre os dez primeiros, nove são paraense. Juntos, acumulam 19% do número de casos identificados em todo o país. A lista contém um total de 747 municípios. Os dados são do Ministério do Trabalho e são sistematizados pela Comissão Pastoral da Terra. Para se aprofundar nas estatísticas, confira aqui a página especial da Repórter Brasil.

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