Mesa de abertura de implementação do projeto Escravo, nem pensar! na Bahia: Admar Fontes Júnior (Coetrae-BA), Marlene França (SEC) Maria Manuella Amaral (MPT), Natália Suzuki (Repórter Brasil), Antonio Carlos Mello (OIT), e Elisete França (SEC)

ONG Repórter Brasil, em parceria com a Secretaria da Educação da Bahia, realiza ação de prevenção ao trabalho escravo em 140 unidades escolares, com foco na capital Salvador e seus arredores e no Oeste do estado.

Entre os dias 14 e 16 de março, o Escravo, nem pensar!, programa de educação da ONG Repórter Brasil, realizou o primeiro encontro de formação continuada sobre trabalho escravo para gestores e técnicos de formação da rede pública de ensino da Bahia.  A iniciativa, que conta com a parceria da Secretaria de Educação (SEC) e o apoio do Ministério Público do Trabalho, tem como objetivo o combate ao trabalho escravo por meio da prevenção, principalmente em regiões de vulnerabilidade social, como o Oeste baiano e a região de Salvador.

A Bahia é o quinto estado no ranking nacional de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão. Na região Nordeste, ele é o campeão nesse quesito. Além disso, o estado é o segundo que mais exporta trabalhadores que serão explorados em outras regiões do país, ficando atrás somente do Maranhão. “Esse cenário faz com que a Bahia seja um estado estratégico para as políticas nacionais de combate ao trabalho escravo”, avalia Antonio Carlos Melo, coordenador do Programa de Combate ao Trabalho Forçado da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A formação foi dedicada principalmente aos educadores dos Núcleos Territoriais de Educação (NTE) de Barreiras, Salvador e Santa Maria da Vitória. Os gestores e técnicos formados serão responsáveis por multiplicar os conhecimentos obtidos para professores das escolas, os quais, por sua vez, tratarão o tema em sala de aula por meio de abordagem interdisciplinar. Estão previstos outros dois encontros presenciais de monitoramento e avaliação em agosto e dezembro deste ano.

O Oeste baiano foi escolhido por ser uma das regiões com maior incidência de migração de trabalhadores aliciados para o trabalho escravo em outros estados, mas também por registrar a maior quantidade de casos desse tipo de exploração. A região de Salvador foi incluída nesse trabalho de prevenção por sua grande concentração populacional e significativo número de escolas estaduais, o que aumenta a disseminação do tema. Participaram também do encontro a Comissão Pastoral da Terra e a Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esportes da Bahia.

Formação abordou tema do trabalho escravo e outros correlatos, como migração, trabalho infantil e tráfico de pessoas

A diretora da Educação e suas Modalidades da SEC, Elisete França, avalia que a formação de professores e gestores é fundamental. “A partir da capacitação de professores da rede, iremos contribuir para atingir os estudantes (com o tema do trabalho escravo contemporâneo), expandir o tema para os pais dos alunos e, assim, fortalecer a integração escola-família”.

“A Educação precisa ser instrumentalizada para intervir em práticas de exploração, que estão arraigadas por décadas. Os processos de aprendizagem contribuem para a desconstrução de costumes, que violam direitos de milhares de brasileiros, como o trabalho escravo”, diz Natália Suzuki, coordenadora do programa Escravo, nem pensar! da ONG Repórter Brasil.

Para Maria Manuella do Amaral, procuradora do Trabalho de Vitória da Conquista (BA), apesar de a ação de repressão ao crime do trabalho escravo ser fundamental, é necessário que haja prevenção para evitar que o trabalhador seja novamente explorado após o resgate.

“A ação de formação do Escravo, nem pensar! integra um esforço de articulação entre entidades federais e estaduais, além de organizações da sociedade civil, para o combate ao trabalho escravo na Bahia”, explica Admar Fontes Júnior, coordenador da Coetrae-BA.

Para saber mais sobre a formação, acesse também: http://educadores.educacao.ba.gov.br/noticias/professores-passam-por-formacao-sobre-trabalho-escravo

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