Programa de educação da ONG Repórter Brasil, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação, forma educadores responsáveis pela abordagem do tema do trabalho escravo em escolas de 73 municípios do Pará

O programa educacional Escravo, nem pensar!, coordenado pela ONG Repórter Brasil, realizou uma formação sobre trabalho escravo contemporâneo e temas correlatos, dedicada a gestores e especialistas de Educação da Secretaria Estadual de Educação (Seduc)do Pará. O encontro aconteceu em Belém (PA) entre os dias 25 e 27 de outubro. Essa ação faz parte do projeto de disseminação do tema do trabalho escravo nas escolas como estratégia de prevenção a essa violação de direitos humanos. A iniciativa conta com a parceria da Secretaria de Estado de Educação, Secretaria Extraordinária de Estado de Integração de Políticas Sociais e Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e o apoio do Ministério Público do Trabalho no Pará e da LATAM Airlines.

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Participantes reunidos ao término da formação

“A realização desse projeto no Pará é fundamental, uma vez que o estado é o campeão nacional de ocorrência dessa grave violação de direitos humanos. Consideramos que a educação tem um papel relevante no combate do problema por meio da prevenção, que é indispensável para evitar que homens e mulheres venham a ser explorados. Para isso, a população deve estar atenta aos riscos do trabalho escravo e o principal instrumento para alertá-los é a informação qualificada”, explica Natália Suzuki, coordenadora do programa Escravo, nem pensar!.

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Natália Suzuki, coordenadora do “Escravo, nem pensar!”, durante atividades da formação

No primeiro encontro da formação continuada, participaram 36 integrantes das equipes de sete Unidades Regionais de Educação (UREs) (Abaetetuba, Castanhal, Conceição do Araguaia, Mãe do Rio, Marabá, Santa Izabel do Pará e Tucuruí), responsáveis pelo gerenciamento das escolas de 68 municípios, e de 20 Unidades Seduc na Escola (USEs), que coordenam as escolas dos cinco municípios da região metropolitana de Belém. O objetivo do projeto é formar esses educadores para que eles multipliquem o tema do trabalho escravo com os jovens nas escolas de suas regiões. A ideia é fazer com que a comunidade escolar desenvolva projetos educacionais em sala de aula nos próximos meses.

“A educação trabalha de forma maciça. Nossa escala de trabalho é muito grande. Todos os dias, dois milhões de alunos frequentam as escolas (no estado do Pará). Não tem nenhuma ação que mobilize tanta gente diariamente. A educação é transformadora. Essa ação (projeto Escravo, nem pensar!) tem tudo para dar certo porque é uma ação integrada. Nada que se faz sozinho a gente consegue êxito”, afirmou a secretária de Educação, Ana Cláudia Hage.

Na formação, os educadores participaram de atividades pedagógicas, debates, exibição e análise de material audiovisual e tiveram acesso a metodologia pedagógica para a disseminação do tema nas escolas. Cada participante recebeu um kit de materiais didáticos específicos sobre os temas abordados. A Repórter Brasil também disponibilizou um kit para cada uma das 590 escolas paraenses envolvidas no projeto.

Temas foram apresentados por meio de discussões e atividades participativas

Temas foram apresentados por meio de discussões e atividades participativas

Participaram também da formação técnicos de coordenadorias da Seduc, da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, além de representantes da Comissão Pastoral da Terra, organização da sociedade civil responsável pelo encaminhamento de denúncias dessa prática criminosa.

Em 2017, acontecerão dois encontros de acompanhamento em Belém dessas atividades regionais com os mesmos participantes. Durante esse intervalo, a equipe do ENP! realizará assessoria pedagógica à distância por meio da plataforma digital Ipê e por telefonemas.

Sobre a outras ações do programa Escravo, nem pensar!

Este é o segundo projeto de formação de gestores estaduais de educação realizado pela Repórter Brasil. O primeiro foi realizado entre 2015 e 2016, no Maranhão, e já alcançou mais de 40.000 pessoas. Anteriormente, entre 2014 e 2015, a organização havia mobilizado Secretarias de Educação de onze municípios do sul e sudeste do Pará em prol da prevenção ao crime nas escolas da região. Desde 2006, as ações do programa Escravo, nem pensar! já beneficiaram 31 municípios do Pará.

Pará: campeão do trabalho escravo

Desde 1995, quando o Estado brasileiro assumiu a ocorrência desse crime em território nacional, até 2015, foram mais de 12.799 trabalhadores libertados no estado.  Esse número representa 26% do número nacional, mais do que o dobro dos resgatados no Mato Grosso (5.997), o segundo colocado. O quadro fica ainda mais crítico diante dos dados do ranking de municípios com casos de trabalho escravo: dentre os dez primeiros, nove são paraense. Juntos, acumulam 19% do número de casos identificados em todo o país. A lista contém um total de 747 municípios. Os dados são do Ministério do Trabalho e são sistematizados pela Comissão Pastoral da Terra. Para se aprofundar nas estatísticas, confira aqui a página especial da Repórter Brasil.

 


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