Desde agosto de 2014, profissionais da educação desenvolvem ações de combate ao trabalho escravo nos seus municípios. Mais de 18 mil pessoas foram beneficiadas no sul e sudeste do Pará

Nos dias 21 e 22 de maio, o programa Escravo, nem pensar! (ENP!) voltou a Marabá (PA) para concluir o terceiro e último módulo da formação sobre trabalho escravo contemporâneo para representantes das Secretarias de Educação de municípios do sul e sudoeste do Pará – o primeiro encontro aconteceu em agosto do ano passado. Participaram 18 gestores de 9 municípios: Itupiranga, Jacundá, Nova Ipixuna, Palestina do Pará, Parauapebas, Piçarra, São Geraldo do Araguaia e Tucumã, além da cidade que sediou o evento.

O objetivo desta etapa foi a socialização das experiências educativas que cada secretaria municipal desenvolveu em seu município. Os gestores apresentaram os resultados referentes ao ano de 2014, explicaram as ações pedagógicas que estão sendo desenvolvidas e traçaram novas metas para o segundo semestre de 2015.

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Janes Vargem Costa, representante da Secretaria Municipal de Educação de Parauapebas

Desde o começo deste ano, o grupo realizou formações com cerca de 400 professores e coordenadores, envolvendo mais de cem escolas da região. “Esse momento é ímpar, mais do que especial. A gente divide as aflições, angústias e desafios que tivemos que enfrentar. É um momento em que você consegue visualizar o seu trabalho e também o do colega”, afirmou Janes Vargem Costa, representante de Parauapebas. A cidade conseguiu alcançar cinco mil alunos e estima atingir mais 15 mil até o final de 2015 – ao todo, até o momento, os projetos beneficiaram 18 mil pessoas, entre professores, alunos e comunidade.

Outro destaque foi o município de Jacundá, que incluiu a temática do trabalho escravo contemporâneo em seu Plano Municipal de Educação. “Jacundá contribuiu (com os projetos de combate ao trabalho escravo), mas ainda levo dos outros municípios as experiências, dificuldades e acertos que acabam nos auxiliando nas perspectivas futuras”, contou Luciete Moreira dos Santos, que integra o núcleo pedagógico da Secretaria Municipal de Educação da cidade.

A troca de experiências pedagógicas estimulou novas ideias e reforçou o compromisso dos municípios no combate ao trabalho escravo, por meio do poder multiplicador do educador. Parafraseando Paulo Freire, Janes resume a formação: “Mulheres e homens são seres que têm a capacidade de se envolver e se emocionar com as experiências do outro. A formação traz isso: esse momento de a gente se encantar e se emocionar com o trabalho do nosso colega, que também encontrou problemas e dificuldades dentro do município, mas que, mesmo assim, não deixou de acreditar (…) que era capaz de desenvolver esse trabalho”.

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Gestores municipais se reúnem para realizar última etapa da formação continuada com o ENP!

 

A ação teve apoio do Grupo de Articulação Interinstitucional para o Enfrentamento ao Trabalho Escravo no Pará (Gaete) – composto pela Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e outras entidades ligadas ao combate ao trabalho escravo – e da TAM Linhas Aéreas, e contou com a parceria da Secretaria Municipal de Educação de Marabá e da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

OUTRAS ATIVIDADES

Como parte da programação do encontro, duas coordenadoras de escolas de Marabá dividiram as suas experiências pedagógicas. Juracy Alves, diretora da Escola Municipal Pedro Valle, relatou como realizou o projeto “Trabalho escravo: esclarecer, educar e transformar”, selecionado pelo Fundo de apoio a projetos do ENP!, em 2010. Já Vanalda de Araújo, coordenadora da Escola Família Agrícola de Marabá, dividiu os desafios e experiências que está tendo com projeto “Consciente e informado: direitos assegurados”, contemplado pelo edital deste ano.

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Alunos da EMEF Carlos Marighella, de Marabá, fazem apresentação cultural sobre o trabalho escravo

Além do compartilhamento das experiências, a formação reforçou conceitos sobre trabalho escravo e trabalho infantil, e apresentou novos materiais e recursos pedagógicos produzidos pelo ENP!, como o livro e o jogo digitais. Houve também uma apresentação cultural feita pelos alunos da EMEF Carlos Marighella, envolvendo temas como aliciamento, migração e trabalho escravo.

A formação também contou com a participação das procuradoras Lys Cardoso e Martha Kruse, do Ministério Público do Trabalho, que esclareceram dúvidas sobre o trabalho escravo do ponto de vista jurídico. Segundo elas, existem, hoje, 93 procedimentos relacionados ao trabalho escravo na procuradoria que atende a região. “É importantíssima essa oportunidade para que a gente aprenda a valorizar o trabalho do educador, que é a principal forma de prevenção de trabalho escravo”, ressaltou Martha.

 

FORMAÇÃO CONTINUADA

O primeiro módulo da formação continuada em Marabá aconteceu em agosto de 2014. O segundo foi realizado em dezembro, seguido de uma oficina pedagógica, em março deste ano.  Desde então, 13 municípios participaram: Abel Figueiredo, Canaã dos Carajás, Curionópolis, Eldorado dos Carajás, Itupiranga, Jacundá, Nova Ipixuna, Palestina do Pará, Parauapebas, Piçarra, São João do Araguaia, Tucumã e Marabá.

Esta é a primeira formação direcionada especificamente a membros das Secretarias Municipais de Educação. Com essa nova ação, o programa Escravo, nem pensar! pretende ampliar a escala da difusão de informações sobre o trabalho escravo contemporâneo e garantir apoio institucional para os professores abordarem o tema nas escolas.

 

 

 

 

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