O evento retomou conceitos sobre trabalho escravo contemporâneo e contou com participação de auditor fiscal do trabalho

No dia 10 de abril, o Escravo, nem pensar! realizou nova oficina pedagógica em Pradópolis, no interior paulista. O evento reuniu 26 professores e coordenadores de oito escolas da rede municipal, no Auditório da EMEF Luiz Ometto.

A oficina teve como objetivo retomar conceitos sobre o trabalho escravo contemporâneo e estimular a abordagem do tema em sala de aula. Tendo em vista que a região atrai muitos trabalhadores oriundos, principalmente, da Bahia e do Maranhão, devido ao cultivo da cana-de-açúcar, foi dada especial atenção à questão da migração e às condições de trabalho no setor sucroalcooleiro.

Um dos principais referenciais teóricos foi o fascículo As condições de trabalho no setor sucroalcooleiro, que os participantes receberam gratuitamente junto a outros materiais didáticos, produzidos pelo ENP!. Além disso, foram realizadas dinâmicas, atividades em grupos e exibições de vídeos.

Fascículo do ENP! sobre as condições de trabalho nos canaviais é utilizado como material didático

Ao longo do dia, muitos participantes compartilharam relatos sobre a realidade socioeconômica da região, destacando a migração de trabalhadores baianos e maranhenses, principalmente do município de Codó (MA) – a cidade é a quarta colocada entre os municípios que são origem dos trabalhadores libertados de escravidão no país, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT).

“Ao conhecer a realidade dos nossos migrantes, temos um outro olhar, o que nos torna mais humanos e conscientes de suas necessidades”, contou um dos professores.

Uma das atividades destacadas pelos participantes foi a sugestão de abordagem em sala de aula, com apresentação de projetos desenvolvidos por outras escolas do país. “Com a exposição de práticas de outras escolas, foi possível ampliar as possibilidades de trabalho”, explicou uma professora. (Para ver depoimentos de outros professores, assista ao vídeo). 

Também participou do encontro Roberto Figueiredo, coordenador do Grupo de Fiscalização Rural do Ministério do Trabalho e Emprego em São Paulo. Ele apresentou diversos casos de exploração de trabalhadores, trazendo fotos que surpreenderam os participantes.”Foi muito chocante, precisamos ter ciência do que ocorre ao nosso redor”, relatou uma professora.

Entre as violações estavam a falta de banheiros, água potável e locais apropriados para realizar as refeições; o péssimo estado dos veículos de transporte; as más condições dos alojamentos; e a ausência de equipamentos de proteção individual, principalmente nos casos de manipulação de agrotóxicos. Além disso, o auditor esclareceu dúvidas referentes às violações e fiscalizações.

O evento contou com o apoio da Brazil Foundation e com a parceria da Secretaria Municipal de Educação.

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Estiveram presentes professores de oito escolas municipais

 

O ENP! também esteve em Pradópolis em maio do ano passado. Para saber mais, clique aqui.

 

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