Thaís Favoretto e Thiago Casteli       

Antes mesmo de começarmos nossa viagem, nos foi colocado mais um desafio: produzir um texto diferente para essa seção do site, que, por sinal, está de cara nova. Mas o que escrever? Caberia tudo o que nos aguardava neste texto?

Foram nada menos que 24 horas de deslocamento até Juara, no norte do Mato Grosso. Embarcamos em Congonhas pela manhã em um voo de três horas até Cuiabá. Chegando lá, graças ao fuso horário, ganhamos uma hora – no nosso caso, uma hora a mais de espera para cair na estrada. Onde poderíamos esperar pelo ônibus, que partiria depois de oito horas, em uma cidade quente como Cuiabá? O SESC Arsenal foi nosso refúgio na capital, com direito a suco de cupuaçu, jardim, debates sobre educação, biblioteca e um belo pôr do sol.

Uma vez na estrada, nos deparamos com uma interminável sucessão de fazendas e plantações de soja. Depois de 12 horas de viagem, a paisagem uniforme parecia ter dado uma trégua. Estávamos cercados por um curto trecho de floresta amazônica. Simpáticas casas de madeira e pequenos comércios indicavam que estávamos adentrando a cidade de Juara. A ansiedade e o contentamento se misturaram.

Ao longo da semana, entre um Matrinxã assado, uma trufa de cupuaçu e um caju fresco, aprendemos muito com os professores que representavam uma diversidade grande de escolas. “Tem alguém parente dos Villa Boas na sala?”. A pergunta, que pareceu enigmática, foi feita por uma professora indígena antes de narrar a migração do povo Kayabi à região, por meio de trajetória de vida de sua avó. A história parecia correr diante de nossos olhos. Também ficamos impressionados com a realidade das escolas do campo, cujo corpo docente, por vezes, se resumia a um ou dois professores, inspiradores pelo empenho e paixão demonstrados por seu trabalho.

Numa visita à biblioteca municipal, em conversas nos intervalos da formação, nas atividades didáticas e no perambular pela pequena cidade, vivenciamos intensos momentos de troca e aprendizado. Lamentamos não conseguir exprimir cada pequena coisa que compôs esse enredo de nove dias. De volta ao escritório, e sentados em frente ao computador, só conseguimos ter uma imagem clara: o céu de Juara ao entardecer, que nos acolhia ao final de cada dia de trabalho. Foi sob esse mesmo céu que partimos, cansados pela semana intensa, mas esperançosos e felizes por saber que esse foi apenas o começo da nossa experiência no município.

1 Resposta para “Céu de Juara”

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