Os encontros foram importantes para reavivar a temática nos municípios onde o programa realizou formações e estimular o desenvolvimento de novas atividades de prevenção ao trabalho escravo

Ao longo de 2012, o Escravo, nem pensar! realizou encontros de acompanhamento em 11 municípios de estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (vide tabela ao final da notícia). Esses encontros são realizados em três módulos, um a cada seis meses, nos municípios em que o programa realizou formações de professores. O objetivo é dar continuidade às atividades pedagógicas e ao mesmo tempo avaliar junto a professores e lideranças as melhores formas de inserir a prevenção ao trabalho escravo nas escolas e atividades comunitárias.

Durante o mês de novembro, a equipe do Escravo, nem pensar! participou de encontros de acompanhamento em três estados: Pará, Mato Grosso e Piauí. Os encontros, realizados em seis municípios, contaram com atividades pedagógicas sobre o trabalho escravo contemporâneo e temas correlatos. Nas rodas de conversa, participantes trocaram informações sobre as formas de inserção da temática nas escolas e em atividades comunitárias.

Professor e alunos que participaram de projeto em Eldorado dos Carajás (PA)

Pará
Municípios: Eldorado dos Carajás e Rio Maria
(8 e 9 de novembro)

Professores dos municípios, que participaram de formação do Escravo, nem pensar! no início deste ano, reuniram-se pela primeira vez, após as formações realizadas em maio, para trocar suas experiências na prevenção ao trabalho escravo. Todos os presentes disseram ter abordado o tema em sala de aula relacionando-o a outros como meio ambiente, questão agrária, tráfico de pessoas, trabalho infantil e exploração sexual.

Durante a conversa, os professores mostraram as produções de seus alunos sobre o tema e falaram da gratificação em ver como eles dominavam os conceitos sobre trabalho escravo. Relataram também a empolgação e comprometimento dos alunos nas apresentações de seus trabalhos e compartilharam as dificuldades encontradas e as soluções dadas para enfrentar os problemas.

“Nos dois municípios, ficou claro como o engajamento e o comprometimento dos professores com o tema refletiram na construção do conhecimento pelos alunos. Isso foi muito importante para institucionalizar o tema na região, que já foi palco de muitas disputas e conflitos pela terra”, relata Marina Falcão, da equipe do programa.

Mato Grosso
Município: Juína
(13 de novembro) 

Educadores e lideranças do município participaram do segundo encontro de acompanhamento. O primeiro ocorreu em junho desse ano. Em ambos, a maioria dos professores e professoras, do Ensino Infantil, relatou dificuldades em abordar o trabalho escravo junto às crianças. Nesse segundo módulo, uma professora compartilhou a experiência de abordagem da temática junto a mães e pais de alunos dessa faixa de ensino, inspirando demais educadores.

A Secretaria Municipal de Educação, a Comissão Pastoral da Terra e o Centro Estadual de Formação de Professores realizaram um concurso entre alunos de quatro escolas sobre a temática, com produção de desenhos, paródias e poemas. Para o ano que vem, a Secretaria pretende realizar concurso semelhante em âmbito municipal, a fim de instigar as escolas a se voltarem sobre o tema e tornar a prevenção ao trabalho escravo mais presente no município.

Piauí
Municípios: Avelino Lopes, Parnaguá e Cristalândia do Piauí
(26 a 30 de novembro)

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Educadoras de Parnaguá (PI) ressaltam importância
das ações de prevenção ao trabalho escravo

Foi realizada a terceira e última etapa dos encontros de acompanhamento nos municípios piauienses. Professores relataram a abordagem do tema em diversas disciplinas, relacionando-o com o trabalho infantil, exploração sexual e preservação do meio ambiente – tendo como foco a questão das carvoarias. Algumas escolas de Cristalândia do Piauí aproveitaram o 7 de setembro, comemoração da independência do Brasil, para retomar a questão do trabalho escravo.

Nos três encontros, professores e professoras ressaltaram a importância de institucionalizar a abordagem do tema, permitindo maior efetividade no trabalho em sala de aula e em projetos interdisciplinares. “A incorporação da temática ao planejamento e ao projeto político-pedagógico das escolas é fundamental para que os municípios tenham autonomia nas ações de prevenção ao trabalho escravo”, afirma Thaís Favoretto, educadora do Escravo, nem pensar!. Em Parnaguá, a diretora de uma das escolas afirmou querer incorporar o tema não apenas em disciplinas e projetos, mas na forma de uma nova disciplina do currículo escolar.

Veja a seguir a lista de municípios, onde foram realizados os encontros em 2012. Para saber mais informações sobre as atividades desenvolvidas, clique sobre o município escolhido:

Municípios Módulo e mês do encontro de acompanhamento Número de professores  Ano da formação
Juína (MT) 1º – junho 15 2011
Baixa Grande do Ribeiro (PI) 2º – agosto 33 2010
Xinguara (PA) 2º – agosto 20 2010
Itupiranga (PA) 3º – setembro 14 2010
Novo Repartimento (PA) 1º – setembro 48 2011
Pindaré-Mirim (MA) 1º – setembro 16 2011
Eldorado dos Carajás (PA) 1º – novembro 41 2012
Rio Maria (PA) 1º – novembro 45 2012
Juína (MT) 2º – novembro 10 2011
Avelino Lopes (PI) 3º – novembro 30 2010
Cristalândia (PI) 3º – novembro 29 2010
Parnaguá (PI) 3º – novembro 18 2010

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