No dia 18 de junho aconteceu o encerramento do projeto “As lutas de um povo de uma comunidade quilombola”, realizado pela Escola Emanuel

Entrada da comunidade traz faixa com nome do projeto (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)

Entrada da comunidade traz faixa com nome do projeto
(Crédito: Arquivo Repórter Brasil)

Rodeada por grandes fazendas no município de Santa Fé do Araguaia, a comunidade quilombola de Cocalinho descende de escravos negros fugidos, vindos do Maranhão em direção ao norte do Tocantins. Com área restrita e sem espaço para plantio, vê hoje muitos de seus filhos enfrentando outro tipo de escravidão, diferente daquela de antigamente, mas semelhante ao arrancar a dignidade dos trabalhadores.

“Muitos alunos, ao estudarem os textos sobre trabalho escravo contemporâneo, disseram que já tinham vivenciado essa situação”, afirma Maria Aparecida Lima, coordenadora do projeto “As lutas de um povo de uma comunidade quilombola”, realizado pela Escola Municipal Emanuel. Por meio de vídeos, pesquisas e produção de desenhos, alunos e alunas da escola puderam conhecer mais sobre o tema do trabalho escravo e relacioná-lo à história da comunidade.

Foram feitas entrevistas com os moradores mais antigos sobre os hábitos, a cultura, a religião, em um mergulho de reconhecimento da identidade. “As crianças não sabiam que os mais velhos tinham passado por tantas situações de dificuldade, como, por exemplo, um senhor que teve casa incendiada por fazendeiros, e que só não foi morto porque não estava no local. Agora podemos trabalhar na escola a fundo a história que os alunos sabiam superficialmente”, avalia Maria Aparecida. Assim, o objetivo do projeto era fortalecer a comunidade por meio da memória de suas lutas, tendo em vista que, mais forte, está menos vulnerável ao trabalho escravo.

Crianças apresentam o lindô, dança tradicional  (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)

Crianças apresentam o lindô, dança tradicional
(Crédito: Arquivo Repórter Brasil)

Festa

No dia 18, a comunidade foi reunida na Associação da Comunidade Quilombola de Cocalinho, parceira na realização do projeto, para prestigiar os trabalhos realizados. Os desenhos foram expostos e um vídeo com depoimentos dos moradores mais antigos foi exibido. Além disso, houve apresentação de teatro, paródia e da dança tradicional lindô. O encerramento, aproveitando o mês junino, foi com uma bela quadrilha, dançada pelos pequenos e pelos jovens.

A equipe do “Escravo, nem pensar!” estava presente. Também compareceram a secretária municipal de Educação de Santa Fé do Araguaia e representantes da Comissão Pastoral da Terra.

Tags:

Deixe uma resposta

  • (não será publicado)